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A MEDIAÇÃO PSICOPEDAGÓGICA PARA ESTUDANTES COM TRANSTORNO DE DÉFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE – TDAH

Resumo

A Psicopedagogia exerce um papel de extrema importância para estudantes com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). É notável as dificuldades e os desafios que estas

crianças ou adolescentes apresentam no decorrer do processo de aprendizagem e no relacionamento com o outro (amigos, familiares, professores). Quando não diagnosticado, a criança sofre e é rotulada muitas vezes com adjetivos pautados no comportamento. O objetivo desta pesquisa é identificar a importância que a mediação psicopedagógica traz para estudantes com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, através de avaliações e intervenções com métodos lúdicos e interativos que trazem o estudante para o foco da aprendizagem. Mediar conflitos e conhecer os processos que levarão este indivíduo ao controle inibitório, às capacidades de aprender e a os meios de expressão são tarefas primordiais que o profissional psicopedagogo exerce com o estudante. A metodologia

usada foi a revisão da literatura e dialógica. Portanto, o TDAH é um transtorno neurobiológico e de causas diversas que traz muitas preocupações para os familiares e para os educadores quanto ao desenvolvimento desta criança. É de extrema importância que esta criança tenha o devido acompanhamento de profissionais e auxiliem a família a conduzir a criança para um desenvolvimento sem traumas a fim de que este indivíduo tenha uma perspectiva de vida emocional e social saudável, entendendo assim, os seus meios de aprender e suas formas de se expressar .

Palavras-chave: Mediação. Psicopedagogia. Crianças. Adolescentes. Desenvolvimento .

PSYCHOPEDAGOGICAL MEDIATION FOR STUDENTS WITH ATTENTION DEFICIT HYPERACTIVITY DISORDER

Abstract

Psychopedagogy plays an extremely important role for students with attention deficit hyperactivity disorder, the difficulties and challenges that these children or adolescents present during the learning process, and in their relationships with others, are notable (friends, family, teachers), when undiagnosed this child suffers and is often labeled with adjectives based on their behavior. Mediating

these conflicts and knowing the processes that will lead this individual to inhibitory control, their ability to learn and their means of expression, are essential tasks that the professional Psychopedagogue carries out. Attention deficit hyperactivity disorder is a neurobiological disorder with diverse causes that brings many concerns to family members and educators regarding the development of this child. It is extremely important that this child has the appropriate support from professionals who will assist and help family members to guide the child towards a trauma- free development and so that this individual has a healthy emotional and social life perspective, thus understanding their means of learning and their ways of expressing themselves .

Keywords: Mediation. Psychopedagogy. Children. Adolescents. Development .

Mediación psicopedagógica para estudiantes con Trastorno por Déficit de Atención e Hiperactividad (TDAH)

Resumen

La psicopedagogía juega un papel extremadamente importante para los estudiantes con Trastorno por Déficit de Atención e Hiperactividad (TDAH). Las dificultades y los desafíos que estos niños o

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adolescentes enfrentan a lo largo del proceso de aprendizaje y en sus relaciones con otros (amigos,

familia, maestros) son notables. Cuando no se diagnostica, el niño sufre y a menudo se le etiqueta con adjetivos basados en su comportamiento. El objetivo de esta investigación es identificar la importancia de la mediación psicopedagógica para estudiantes con trastorno por déficit de atención e hiperactividad, a través de evaluaciones e intervenciones que utilizan métodos lúdicos e interactivos que devuelven al estudiante al foco del aprendizaje. Mediar conflictos y comprender los procesos que llevarán a este individuo al control inhibitorio, las habilidades de aprendizaje y los medios de expresión son tareas esenciales que el profesional psicopedagógico realiza con el estudiante. La metodología utilizada fue una revisión de la literatura y un enfoque dialógico. Por lo tanto, el TDAH

es un trastorno neurobiológico con diversas causas que genera muchas preocupaciones a las familias y educadores con respecto al desarrollo de estos niños. Es de suma importancia que este niño reciba el apoyo profesional adecuado y que la familia reciba ayuda para guiar al niño hacia un desarrollo libre de traumas, para que este individuo tenga una perspectiva de vida emocional y social saludable, comprendiendo sus métodos de aprendizaje y formas de expresarse.

Palabras clave: Mediación. Psicología Educativa. Niños. Adolescentes. Desarrollo.

INTRODUÇÃO

Este trabalho tem por objetivo apresentar as contribuições da mediação psicopedagógica para estudantes com o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). A Psicopedagogia se constitui como área de conhecimento interdisciplinar, que tem como objeto de estudo a aprendizagem humana e as dificuldades que podem ocorrer nesse processo. Sendo assim, prioriza entender o dia a dia do estudante e a relação entre estudante e o processo de aprendizagem, estabelecendo correlações entre a escola e a família.

No decorrer do acompanhamento da avaliação psicopedagógica, o estudante irá passar por diversas atividades até finalizar esta etapa do acompanhamento e iniciar o processo de intervenção.

O profissional da psicopedagogia, de modo interdisciplinar, irá percorrer um caminho avaliativo até realizar o levantamento da hipótese diagnóstica.

De acordo com Neves,

a Psicopedagogia estuda o ato de aprender e ensinar, levando sempre em conta as realidades internas e externa da aprendizagem, tomadas em conjunto. E, mais, procurando estudar a construção do conhecimento em toda a sua complexidade,

procurando colocar em pé de igualdade os aspectos cognitivos, afetivos e sociais que lhe estão implícitos (1991, p. 12 apud Bossa 2019 p. 25) .

Considerando o objetivo deste trabalho, que é compreender a mediação psicopedagógica para estudantes com o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), ressaltamos o olhar cauteloso e investigativo do profissional, a fim de que, a partir da avaliação realizada e grupo de sintomas relevantes observados, possa realizar o encaminhamento para o profissional da área médica, que poderá concluir a avaliação do estudante, refutando ou corroborando com a hipótese diagnóstica indicada.

Faz parte do processo da avaliação psicopedagógica, avaliar o cotidiano do estudante e entender a relação que o indivíduo tem com o meio social em que vive.

É ao psicopedagogo que cabe uma intervenção educativa ampla e consistente no processo de desenvolvimento do paciente, em suas diversas dimensões, tais como as afetivas, cognitivas, orgânica e psicossocial. "A avaliação psicopedagógica tem um papel central no diagnóstico da criança com TDAH, já que é no colégio que o problema tem maior expressão (Condemarin et. al 2006, p. 60).

No caso de uma criança com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade as

informações chegam com relatos mais pontuados em problemas comportamentais, dificuldades em atenção e concentração, uma criança que sempre está em movimento, tem dificuldades c om organização e os prejuízos na escola são muitos.

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O rendimento escolar da criança com TDA é marcado pela instabilidade. Um exame nos boletins escolares ou nos registros dos professores pode ilustrar bem o problema: em um momento ela é brilhante; em outro, inexplicavelmente, não consegue aprender os conteúdos ministrados (Barbosa, 2014, p. 64).

Na atuação psicopedagógica é imprescindível obter todas as informações necessárias para

uma mediação eficaz, ter a cautela em familiarizar-se com o estudante, com o ambiente e as propostas oferecidas a ele, oferecendo momentos de tranquilidade e paciência. A mediação psicopedagógica será fundamental para este estudante e o profissional precisa entender que é importante estar presente de forma comprometida para que o estudante sinta o apoio e a confiança para ressignificar o vínculo com o conhecimento. Entende-se que é primordial uma ação criativa e proativa referente às necessidades de cada caso em acompanhamento; proporcionar jogos e brincadeiras que irão estimular o aprendizado, de acordo com a faixa etária adequada, fazendo o estudante acreditar que ele tamb ém é capacitado.

A Psicopedagogia estuda as características da aprendizagem humana: “como se aprende, como essa aprendizagem varia evolutivamente e está condicionada por vários fatores, como se produzem as alterações na aprendizagem, como reconhecê-las, tratá-las e preveni-las” (Bossa, 2019 p. 30) .

Os profissionais da Psicopedagogia, como quaisquer outros profissionais, sustentam a sua prática em pressupostos teóricos muitas vezes distintos, conforme já referido antes. Isto implica diversificados enquadres, consequências da identificação do profissional com determinada corrente teórica. O psicopedagogo pode, por exemplo, dentro das teorias da personalidade, escolher a Psicanálise com o objetivo de compreender o sentido inconsciente das dificuldades de aprendizagem. Tal escolha estaria alicerçada na condição pessoal de psicopedagogo, a qual é oriunda da sua experiência de análise e das condições da sua formação (Bossa, 2019 p. 42).

O desenvolvimento da aprendizagem de qualquer criança ou adolescente é o verdadeiro objetivo, sendo assim, compreende-se que para estudantes com Déficit de Atenção e Hiperatividade – TDAH – é importante dar ênfase ao fato que, geralmente, este estudante terá dificuldades em ficar atento às atividades por muito tempo. A inquietação, a necessidade de estar em movimento e a falta de paciência para concluir tarefas são um dos desafios que encontramos nesse estudante .

A psiquiatria Ana Beatriz Barbosa e Silva (2014), no livro Mentes inquietas, relata fatos de

indivíduos com TDAH e mostra o quanto a pessoa começa a se sentir impotente e incapaz. Não entende a si mesmo, vive em conflitos emocionais e diariamente se culpa por não aprender. A cobrança que os outros (escola e família) trazem para esses estudantes potencializa essas inseguranças. A criança que não obtém ajuda profissional pode desenvolver problemas sérios de autoestima e personalidade, pode desencadear outros problemas emocionais e agravar o desenvolvimento para uma vida toda.

As ações realizadas pelo psicopedagogo junto com o sujeito com transtorno procuram promover a reelaboração do processo de aprendizagem, assim sendo essa intervenção propicia uma mudança na ação do sujeito em relação à aprendizagem (Barbosa,2002, p. 56).

É extremamente necessário que o profissional psicopedagogo tenha domínio e habilidades, que busque ser um profissional de referência e que se proponha a estar sempre em processo de

evolução para melhor atender essas demandas de forma eficaz e responsável. A mediação do Profissional Psicopedagogo sempre é uma peça fundamental para a evolução de qualquer criança que esteja sendo atendida. Em todas as áreas que esse profissional precisa estar atuando ele será uma ponte que liga o estudante as suas capacidades e relações.

Para o Psicopedagogo, aprender é um processo que implica pôr em ações diferentes sistemas que intervêm em todo o sujeito: a rede de relações e códigos

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culturais e de linguagem que, desde antes do nascimento, têm lugar em cada ser humano à medida que ele se incorpora a sociedade (Bossa, 2019, p. 44).

O estudante com Déficit de Atenção e Hiperatividade TDAH, certamente, tem muitos desafios a serem superados, na maioria dos casos eles são incompreendidos e rotulados como crianças desinteressadas. Para o estudante é uma missão quase impossível estar em dia com os seus afazeres escolares, pois enfrentam desafios, como a hiperatividade, seja ela no campo mental ou físico. A concentração dificilmente está voltada para uma coisa só e com isso ele se perde ao aprender, a

multidão de pensamentos sempre está presente, a falta de controle físico ou até mesmo emocional, faz com esse sujeito seja interpretado como um aluno problemático, sem interesse e inquieto.

O transtorno de déficit de atenção/hiperatividade, constitui-se um transtorno de desenvolvimento do autocontrole, que consiste em problemas com os períodos de atenção, controle do impulso e o nível de atividade (Barkley 2000, p. 35).

Sendo assim, os sintomas deste transtorno são um conjunto de desatenção, impulsividade e hiperatividade, porém alguns indivíduos são relativamente quietos e não apresentam a hiperatividade física, podem ser crianças que possuem Transtorno de Déficit de Atenção, contudo a Hiperatividade pode ser somente mental, ou seja ela pensa em vários assuntos sem parar. Segundo Barbosa (2014),

não significa que a hiperatividade não esteja lá, pois é um dos fatores mais desafiadores para este estudante.

Portanto, o sujeito com sintomas de TDAH fica evidente desde muito cedo, entretanto na idade escolar, são percebidos os sintomas com mais facilidade. Tendo reflexos negativos nas áreas da aprendizagem e da autoestima, assim, o desenvolvimento social da criança também é prejudicado.

Como as crianças com TDAH já apresentam problemas para manter a atenção, imagine como sua incapacidade de resistir a impulsos – como a de abandonar uma tarefa enfadonha – poderá exacerbar seus problemas quando trabalhar mais tempo por recompensas maiores (Barkley, 2000, p. 101).

No intuito de indicar as contribuições da Psicopedagogia na mediação de estudantes com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade é necessário primeiramente compreender o conceito de TDAH, bem como, a psicopedagogia e o alcance da sua mediação. É sobre esse desafio

que tecemos as considerações deste trabalho.

METODOLOGIA

Por meio de pesquisas bibliográficas e de livros, este artigo foi sendo elaborado com base no estudo de caso cujo objetivo é apresentar as contribuições que a mediação psicopedagógica oferece para estudantes com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).

A pesquisa bibliográfica é aquela que se realiza a partir do registro disponível, decorrente de pesquisas anteriores, em documentos impressos, como livros, artigos, teses etc. Utiliza-se de dados ou de Categorias teóricas já trabalhados por outros pesquisadores e devidamente registrados. Os textos tornam-se fontes dos

temas a serem pesquisados. Opesquisador trabalha a partir das contribuições dos autores dos estudos analíticos constantes dos textos (Severino, 2007, p. 122).

Entende-se que toda pergunta ou questionamentos sobre um determinado problema se faz necessário uma pesquisa para investigar.

Esta pesquisa analisa compreender os desafios que o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade impõe no decorrer da aprendizagem e como o psicopedagogo contribui com a mediação para melhorar o desenvolvimento deste estudante, sabendo que essas crianças ou adolescentes são mal interpretados e incompreendidas, analisando as dificuldades e os problemas escolares e sociais que eles enfrentam. Também foram pesquisados os instrumentos e ações que o

profissional psicopedagogo realiza as avaliações e as intervenções como: os jogos, as narrativas, atividades sensoriais, e estímulos cognitivos. Corroborando com a interação social, as questões lógico

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matemáticas, e todos os aspectos relacionados a aprendizagem, tendo como foco o olhar psicopedagógico para o desenvolvimento deste indivíduo como um todo.

Esta pesquisa teve como base a leitura de livros, artigos científicos a respeito da mediação psicopedagógica para estudantes com TDAH, e conteúdos sobre o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A psicopedagogia nasce na Europa expandindo também na Argentina e em seguida chega ao Brasil. Trata-se de uma área de atuação que tem a necessidade de compreender os problemas de

aprendizagem, isto com um olhar mais detalhado, entendendo que as dificuldades vão muito além dos interesses gerais que o estudante pode obter. A psicopedagogia surge para um olhar investigativo, entendendo que, tais problemas podem ser obtidos por diversos fatores que colaboram para o não desenvolvimento escolar .

(...) a Psicopedagogia nasceu como uma atividade revolucionária na medida em que buscava saber como o sujeito aprendia de verdade, aceitando-o como ele era, sem fazer de conta, o que significava uma modificação muito grande no sistema educacional (Barbosa, 2001 apud Almeida, 2017, p. 8).

Considerando esse olhar mais cauteloso sobre os interesses do estudante e os conflitos que podem ser relacionados direta ou indiretamente no desenvolvimento, a psicopedagogia nos apresenta oportunidades de entender o indivíduo de forma respeitosa e sem menosprezar as bagagens. A psicopedagogia é uma área que tem como foco entender o sujeito que aprende de maneira completa,

sem deixar de considerar os seus aspectos sociais, ambientais e culturais.

Nesta caminhada, fomos percebendo que o espaço da psicopedagogia não podia se restringir aos consultórios, mas que deveria se estender às instituições que promovem aprendizagem, visando principalmente a prevenção de dificuldades no processo de aprender. (Barbosa, 2001, p. 17 apud Almeida, 2017, p. 8 e 9).

A psicopedagogia tem características interdisciplinares, que conta com as áreas da saúde e da educação para contribuir com as necessidades de cada indivíduo, entendendo que os fatores ambientais podem levar aos resultados positivos e negativos no desenvolvimento da aprendizagem humana (Lopes e Ponciano, 2025) .

Segundo Visca, (2010, apud Almeida, 2017, p. 7), “conhecer verdadeiramente como um sujeito aprende, torna-se um conceito revolucionário, aceitando realmente como ele é, fazendo o sujeito aprender de fato, isso modifica o sistema da educação”.

A psicopedagogia tem fundamentos teóricos a partir de diversas áreas do conhecimento como por exemplo: a psicologia, a pedagogia, a medicina, a fonoaudiologia, entre outras. Tendo como foco sempre os processos de aprendizagem humana, por meio de mediações, com metodologias de avaliações e intervenções. Uma área que pode ser adequada e executada em diferentes cenários, com duas atuações marcantes como a atuação clínica e a institucional.

De acordo com a Associação Brasileira de Psicopedagogia, no Código de Ética de psicopedagogia (2019, p. 01) “a intervenção psicopedagógica é da ordem do conhecimento, relacionada com a aprendizagem, considerando o caráter indissociável entre os processos de

aprendizagem, as dificuldades e as possibilidades dos sujeitos e sistemas”.

O profissional psicopedagogo, além de clínicas e escolas também pode atuar em empresas, ONGs, hospitais, entre outras áreas.

A psicopedagogia clínica está voltada para um diagnóstico em relação aos problemas recorrentes à aprendizagem do sujeito. A psicopedagogia institucional está focada em uma ação preventiva, falando especificamente do âmbito escolar, o psicopedagogo irá atuar juntamente com professores, coordenadores pedagógicos em uma ação preventiva e em conjunto com todos que

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participam do cotidiano escolar da criança. No ambiente empresarial o psicopedagogo terá o papel de auxiliar com o progresso dos colaboradores da empresa.

A psicopedagogia clínica procura compreender de forma global e integrada os processos cognitivos, emocionais, sociais, culturais, orgânicos e pedagógicos que interferem na aprendizagem, a fim de possibilitar situações que resgatem o prazer de aprender em sua totalidade, incluindo a promoção da integração entre pais, professores, orientadores educacionais e demais especialistas que transitam o universo educacional do aluno (Bossa, 2011 apud Nepomocemo, 2020, p. 67 ).

Contudo, considera-se que a Psicopedagogia é uma área necessária e importante para o desenvolvimento da aprendizagem, destaca-se que este profissional tem como foco ajudar o sujeito aprendente em sua relação família escola sendo mediador com as necessidades e desafios relacionados

ao aprender.

Ocomportamento TDA nasce do que se chama trio de base alterada. É com base

nesse trio de sintomas – formado por alterações da atenção, da impulsividade e da velocidade da atividade física e mental – que se desvendará todo o universo TDA, o qual, muitas vezes, oscila entre a plenitude criativa e a exaustão de um cérebro que não para nunca. (Barbosa, 2014, p. 23).

Segundo Barbosa (2014), não podemos pensar como se estivéssemos diante de um cérebro

‘defeituoso’, mas devemos sim olhar sobre um foco diferenciado, pois na verdade um cérebro TDAH, apresenta um funcionamento bastante peculiar, que acaba por trazer um comportamento típico, capaz de ser responsável tanto por suas melhores características como por suas maiores angústias e desacertos vitais.

Barbosa, (2014 p. 65) salienta:

A criança com TDA tem dificuldade em manter atenção em tarefas ou mesmo em atividades lúdicas. Sua atenção é fluida, escorregadia e vaporosa durante atividades prolongadas e em série, de caráter obrigatório ou mesmo em brincadeiras de grupo que envolvem regras. Para uma criança TDA, isso é tedioso e de fácil dispersão.

Uma pessoa com Transtorno de Déficit de Atenção tem a grande tendência em ser desorganizada, em vários aspectos da vida, é aquela criança que não consegue organizar os cadernos, que os livros são amassados, perde os materiais facilmente e não tem concentração durante as aulas. Crianças com TDAH são crianças com mais dificuldade em estarem atentas por um tempo de explicação ou de uma história.

Com frequência mexe ou sacode os pés e mãos, remexe-se no assento, levanta- se da carteira. Não consegue manter-se quieta, mesmo em situações em que espera que o faça. É o tal “bichocarpinteiro”, o “prego na carteira”, o “motorzinho nas pernas (Barbosa, 2014, p. 70).

A criança TDAH dificilmente permanecerá atenta durante toda a aula, para ela, qualquer movimentação é um fator para sair do foco, por isso muitas crianças com esse transtorno são incompreendidas e rotuladas de forma negativa, as vezes pelos professores ou familiares e por colegas. Muitas das vezes, a criança cresce com a convicção de que realmente ele não é capaz de se concentrar e que, por mais que ele tente, não irá conseguir. A frustração é algo que pode ser um grande gatilho nesses casos, um TDAH mal compreendido por quem está ao seu redor gera muitos questionamentos e pode levar a ações irreversíveis.

Este comportamento diferenciado não tem nenhuma relação com déficit intelectual. Na verdade, com extrema frequência, a criança TDA é bastante inteligente e criativa. Pode aparentar imaturidade em comparação com outras crianças da mesma idade, no aspecto emocional e no comportamento manifesto, mas não em relação à capacidade cognitiva. Com tratamento adequado, aquela criança aparentemente imatura equipara-se às demais (Barbosa, 2014 p. 75).

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Pessoas com TDAH sejam elas crianças ou já adultas, quando não acompanhadas

adequadamente, encontram grandes desafios para conseguirem se concentrar em ocasiões que exigem engajamento atencional.

Longe do conceito de doença, a meu ver TDAH é um funcionamento mental acelerado, inquieto, capaz de produzir, incessantemente, ideias que por vezes se apresentam de modo brilhante ou se amontoam de maneira atrapalhada, quando não encontram um direcionamento correto. (Barbosa, 2014, p. 17).

Aprendentes com Transtorno de Déficit de atenção e hiperatividade são estudantes que necessitam de acompanhamento diário, pois enfrentam grandes desafios em sua jornada escolar e no

desenvolvimento. Ter profissionais qualificados e comprometidos com estes estudantes irá fazer uma grande diferença na trajetória.

Sendo assim, compreende-se o quanto um acompanhamento psicopedagógico pode ser valioso. Por meio, do atendimento psicopedagógico o aprendente irá ser assistido com um olhar mais específico, procurando adequar de forma lúdica e espontânea as áreas que oferecem dificuldades para ele.

Para Kiguel (1991) ,

o objeto central de estudo da Psicopedagogia está se estruturando em torno do processo de aprendizagem humana: seus padrões evolutivos normais e patológicos – bem como a influência do meio (família, escola, sociedade) no seu desenvolvimento (apud Bossa, 2019 p. 25).

Pensando em um aprendente que já está corretamente diagnosticado com o Transtorno de

Déficit de Atenção e Hiperatividade, por meio de uma equipe multidisciplinar, envolvendo psicólogo, fonoaudiólogo, neuropediatra entre outros profissionais, serão iniciadas as ações de intervenção e mediação direcionadas para estimular este indivíduo no processo de aprendizagem.

A psicopedagogia é a abordagem que investiga e compreende o processo de aprendizagem e a relação que o sujeito aprendente estabelece com ela, considerando a interação dos aspectos sociais, culturais e familiares. O psicopedagogo articula contribuições de áreas como a psicologia, pedagogia e medicina, entre outras, com o objetivo de pôr à disposição do indivíduo a construção do seu conhecimento e a retomada do seu processo de aprendizagem. E, ainda busca possibilitar o florescimento de novas necessidades, de modo a provocar o desejo de aprender e não somente uma melhora no rendimento escolar (Ferreira, 2008 apud Cruvinel, 2014, p. 101).

Pensando em todo percurso que a Psicopedagogia enfrenta em relação ao outro e ao aprendizado e desenvolvimento, podemos enxergar o quanto a Psicopedagogia colabora com um estudante que tenha o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), sabendo que as dificuldades são imensas e que todo estudante com este transtorno sofre em várias áreas da vida. O TDAH é caracterizado por três sintomas: desatenção, impulsividade e hiperatividade. Sendo um transtorno neurobiológico e de causas genéticas, ou até mesmo, agravado por causas ambientais. Compreendendo os desafios que este transtorno impõe para o indivíduo, o profissional

psicopedagogo irá trabalhar com técnicas e instrumentos para corroborar com os processos de aprendizagem e os conflitos sociais e familiares, sendo imprescindível avaliar e entender o ambiente em que o aprendente está inserido, além de estar ciente da sua realidade escolar. Através da mediação psicopedagógica, o estudante irá adquirindo controle inibitório, concentração, coordenação motora, paciência, interação social, autorregulação, questões lógico matemáticas e confiança para exercer tarefas. A psicopedagogia estimula a cognição de maneira lúdica, ressignificando os valores e as capacidades do indivíduo. Contudo, em relação ao convívio social é fundamental auxiliar e ter um olhar acolhedor para as dificuldades que o outro também enfrenta para compreender este estudante.

O psicopedagogo trabalhará com as intervenções, compreendendo as suas necessidades de forma individual e voltadas para o indivíduo mediante os seus desafios particulares. Uma criança ou adolescente com TDAH, assim como qualquer outra pessoa, precisa ser valorizada como um ser

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único e com valores e capacidades únicas, não se deve rotular ou limitar, independente, de seu diagnóstico.

Segundo Edyleine (2002 apud Silva, 2019), o psicopedagogo irá atuar intervindo diretamente na dificuldade escolar em que a criança está enfrentando, esclarecendo pontos e preenchendo as lacunas, reforçando assim os conteúdos propostos, utilizando métodos e estratégias para uma aprendizagem seja adequada ao aprendente e ressaltando aos educadores. Jogos sensório- motores, xadrez, carta, jogo de memória, quebra-cabeça, damas, pega varetas, entre outros a terapêutica, preventiva ou de inclusão, porém independente do trabalho a ser feito nas escolas ou nas clínicas, faz-se necessário compreender todo o repertório em que esta criança ou adolescente está inserida.

Os recursos psicopedagógicos, como a leitura de um livro que desperte a atenção, desenhos e expressões livres, como: pintar, modelar e criar, a estimulação cognitiva de maneira lúdica utilizando jogos, brincadeiras que fazem a criança ter a experiência de ganhar e perder, são recursos que irão auxiliar essa criança a entender o seu lugar e seus limites sociais, interagir por meio de jogos, por exemplo, possibilita a construção da noção de limites e amadurecimento das capacidades cognitivas. O Reforço de estímulos das suas qualidades é também uma estratégia a ser considerada.

Efeito terapêutico está implícito no próprio ato de jogar e mais precisamente na interpretação do terapeuta, quando este, devidamente preparado, pode inferir o sentido latente que se mostra no

jogo, pois ele funciona como uma via de expressão metonímia do desejo. No âmbito da psicopedagogia tal interpretação significa tornar explícito, ao paciente os aspectos do seu mundo psíquico que incidem como obstáculos à aprendizagem (Bossa, 2007apud Cruvinel, 2014, p. 110-111) . O trabalho psicopedagógico é extremamente necessário para crianças e adolescentes com TDAH, pois esses alunos irão precisar de uma mediação para canalizar as suas energias e controlar os seus impulsos. O psicopedagogo irá trabalhar de maneira lúdica sua autoestima e seus limites, por meio de oficinas psicopedagógicas, visando prevenir os conflitos ou através de jogos e brincadeiras para ajudar esse indivíduo a estimular as capacidades cognitivas, a fim de controlar as suas reações e

emoções. Ensinando a criança ou o adolescente a esperar a sua vez, através de jogos, de maneira leve e descontraída, ou através de brincadeiras lúdicas que favorecem o convívio social, o desenvolvimento cognitivo, sensório-motor e emocional. Estas mediações são muito importantes, pois estimulam as habilidades de autorregulação, bem como o controle inibitório.

Considerações finais

Entendemos que a psicopedagogia é uma área que estuda os processos de aprendizagem, e trabalha os processos cognitivos do indivíduo, considerando a subjetividade e a objetividade de cada

sujeito aprendente, colaborando para um progresso na aprendizagem.

Portanto, este trabalho foi elaborado para refletir o quanto a mediação psicopedagógica é fundamental para estudantes com TDAH, fazendo com que a criança/adolescente entenda as capacidades, compreendendo a própria maneira de absorver as informações e executá-las com confiança. A psicopedagogia estuda as ações de aprender e ensinar, levando em consideração as particularidades. Nesta perspectiva é imprescindível que estudantes com TDAH sejam devidamente acompanhados por um profissional psicopedagogo, visando que este aluno em desenvolvimento não sendo acompanhado, o seu rendimento escolar e o convívio social tornam-se difícil e muita das vezes insustentável.

Sendo assim, cabe ao papel do psicopedagogo entender os desafios que o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade propõe e enxergar que cada ser humano é único em sua essência, trabalhar o desenvolvimento de forma intencional respeitando os limites, possibilitando através das mediações psicopedagógicas novos olhares para aprendizagem, e assim de forma lúdica e com comprometimento, ressignificando as formas de aprender.

Referências

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SILVA, Kianne Larissa Soares da. Intervenção do psicopedagogo em crianças com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. Congresso Nacional de Educação, Fortaleza, 2019.

Submetido em mês de julho 202 5 Aprovado em mês de janeiro 202 6

Informações do (a) (s) autor(a)(es)

Nome do autor: Cibele Melo L emes

Afiliação Institucional: Universidade Santo Amaro (UNISA)

E-mail: cibele@estudante .unisa.br

ORCID: https://orcid.org/0000-0002-0099-084 3

Link Lattes: http://lattes.cnpq.br/012921158398768 4

Informações do (a) (s) autor(a)(es)

Nome do autor: Claudio Neves Lopes

Afiliação institucional: Universidade Santo Amaro (UNISA)

E-mail: cnlopes@prof.unisa.br

ORCID: https://orcid.org/0000-0003-1411- 0174

Revista Científica Educ@ção v.11●n.17●jan-dez/2026 ●Demanda contínua .


RCE REVISTA CIENTÍFICA EDUC@ÇÃO

ISSN 2526- 8716


Link Lattes: http://lattes.cnpq.br/9077468651694064

Revista Científica Educ@ção v.11●n.17●jan-dez/2026 ●Demanda contínua .