RCE REVISTA CIENTÍFICA EDUC@ÇÃO

ISSN 2526- 8716


O ‘TETO INVISÍVEL’ DO SENSO COMUM: REPRESENTAÇÕES SOCIAIS, BLOQUEIO DE PERMISSÃO E A CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE DO ADULTO CONTEMPORÂNEO

Resumo

O presente artigo analisa a construção da identidade do adulto contemporâneo sob a ótica da Teoria das Representações Sociais (TRS) de Serge Moscovici, em articulação com a Teoria da Permissão de

Elton Euler. Investiga-se como o ‘teto invisível’ um bloqueio de permissão para o sucesso e bem - estar é edificado por meio de processos de ancoragem e objetivação que transformam normas sociais em travas subjetivas. A metodologia consistiu em uma análise teórica comparativa, que evidenciou que o desenvolvimento humano na atualidade é mediado por um vasto mercado de serviços, o que exige discernimento por parte dos usuários, para as necessárias distinções de atuação que fundamentem escolhas consistentes. Os resultados sugerem que o bloqueio de permissão não é meramente um fenômeno individual, mas está ancorado no sistema central das representações sociais de grupo, que prescrevem comportamentos e punem desvios da norma coletiva. Conclui-se que a

constituição de comunidades que compartilham novos sistemas de significados é essencial para romper padrões de estagnação e promover a autonomia e a autorrealização no contexto social atual. Palavras-chave: Representações Sociais. Teoria da Permissão. Identidade. Senso Comum. Desenvolvimento Humano.

THE 'INVISIBLE CEILING OF COMMON SENSE': SOCIAL REPRESENTATIONS, BLOCKAGE OF PERMISSION, AND THE CONSTRUCTION OF CONTEMPORARY ADULT IDENTITY

Abstract

This article analyzes the identity construction of contemporary adults through the lens of Serge Moscovici's Theory of Social Representations (TSR), in conjunction with Elton Euler's Theory of Permission. It investigates how the ‘invisible ceiling’ a permission block regarding success and well - being is built through anchoring and objectification processes that transform social norms into subjective barriers. The methodology consisted of a comparative theoretical analysis, which

highlighted that modern human development is mediated by a vast market of services, requiring discernment from users to make necessary distinctions in professional scopes that support consistent choices. The results suggest that the permission block is not merely an individual phenomenon but is anchored in the central system of group social representations, which prescribe behaviors and punishments deviations from the collective norm. It concludes that the formation of communities sharing new systems of meaning is essential to break patterns of stagnation and promote autonomy and self-fulfillment in the current social context.

Keywords: Social Representations. Theory of Permission. Identity. Common Sense. Human Development.

EL ‘TECHO INVISIBLE’ DEL SENTIDO COMÚN: REPRESENTACIONES SOCIALES, BLOQUEO DEL PERMISO Y LA CONSTRUCCIÓN DE LA IDENTIDAD ADULTA CONTEMPORÁNEA

Revista Científica Educ@ção v.11●n.16●jan-dez/2026 ●Demanda contínua .


RCE REVISTA CIENTÍFICA EDUC@ÇÃO

ISSN 2526- 8716


Resumen

El presente artículo analiza la construcción de la identidad del adulto contemporáneo bajo la óptica de la Teoría de las Representaciones Sociales (TRS) de Serge Moscovici, en articulación con la Teoría del Permiso de Elton Euler. Se investiga cómo el ‘techo invisible’ un bloqueo de permiso para el éxito y el bienestar se edifica por medio de procesos de anclaje y objetivación que transforman normas sociales en trabas subjetivas. La metodología consistió en un análisis teórico comparativo, el cual evidenció que el desarrollo humano en la actualidad está mediado por un vasto mercado de servicios, lo que exige discernimiento por parte de los usuarios para las necesarias distinciones de actuación que fundamenten elecciones consistentes. Los resultados sugieren que el bloqueo de permiso no es

meramente un fenómeno individual, sino que está anclado en el sistema central de las representaciones sociales de grupo, que prescriben comportamientos y castigan desviaciones de la norma colectiva. Se concluye que la constitución de comunidades que comparten nuevos sistemas de significados es esencial para romper patrones de estancamiento y promover la autonomía y la autorrealización en el contexto social actual.

Palabras clave: Representaciones Sociales. Teoría del Permiso. Identidad. Sentido Común. Desarrollo Humano.

INTRODUÇÃO

É certo que, na contemporaneidade, a vida complexifica-se, fruto das rápidas mudanças no mercado de trabalho, nas estruturas familiares e na sociedade como um todo, o que gera demandas que criam a percepção de insuficiência/ou despreparo para viver desafios crescentes da vida adulta. Com esse panorama, é compreensível que, na mesma medida, surjam soluções e todo um vasto campo de profissionais dedicados a oferecer produtos e serviços para uma nova era, na qual o desenvolvimento do adulto é percebido como uma gestão contínua que transcende o espaço de convivência imediato.

É possível compreender tal fenômeno, por um lado, refletido na busca individualizada por sentido, desempenho e bem-estar em um mundo que exige constante adaptação, transformação e "superação". Por outro lado, é crescente o surgimento de um leque de profissionais para atender ess a demanda, cada um com foco, metodologia e escopo de atuação diversos e, por vezes, distintos. É possível, contudo, diferenciar os principais escopos de atuação nesse cenário, conforme sistematizado no Quadro 1 :

Área Profissional

Foco da Atuação

Metodologia Típica

Psicólogo Saúde mental, diagnóstico e Psicanálise, TCC, Gestalt, Fenomenologia

Clínico

conflitos profundos.

internos

etc.

Psiquiatra

Aspectos biológicos e químicos; tratamento medicamentoso.

Avaliação psicofarmacologia.

psiquiátrica

e

Coach

Desempenho futuro, metas e superação de obstáculos presentes.

Planos de ação, ferramentas de gestão e métricas.

Revista Científica Educ@ção v.11●n.16●jan-dez/2026 ●Demanda contínua .


RCE REVISTA CIENTÍFICA EDUC@ÇÃO

ISSN 2526- 8716


Área Profissional

Foco da Atuação

Metodologia Típica

Terapeuta

Autorregulação, harmonização, autoconhecimento.

Anamnese integrativa; escuta ativa; análise do estilo de vida; técnicas de respiração; meditação guiada; orientações de hábitos saudáveis; manipulação de energias; uso de elementos naturais ou estímulos sensoriais; diálogo reflexivo, Mindfulness, etc.

Consultor de Carreira

Transição, planejamento e desenvolvimento profissional.

Assessments, networking e análise de mercado.

Mentor Compartilhamento de Orientação prática baseada em vivência

sabedoria e experiência específica.

prévia.

Conselheiro (Counselor)

Apoio em crises e resolução de problemas cotidianos.

Escuta ativa e foco na solução de problemas.

Quadro 1. Quadro com nomenclatura de profissionais de desenvolvimento humano e respectivo foco de atuação e exemplos de metodologia utilizada no atendimento. Quadro gerado com Google Gemini (Versão 1.5 Flash), em 13 de dezembro de 2026, revisado e ampliado em 13 de janeiro de 2026, mediante prompt específico fornecido pelo auto r.

A análise de aspectos direcionados do mundo contemporâneo permite a identificação d os principais fatores que impulsionam essa abundância de serviços: a tecnologia, a globalização e automação, que colocam desafios cada vez mais complexos ao mercado de trabalho e exigem aprendizagem contínua; a valorização da Saúde Mental, advinda de conscientização sobre a necessidade de mantê-la para que não incida de forma brutal na funcionalidade da vida; autonomia e autorrealização, exigências na sociedade atual como sinônimos de sucesso, levando pessoas a buscar ajuda para definir valores e propósitos; crescimento do mercado de self-help, em muitos casos

desregulamentado .

Essa pluralidade de abordagens impõe desafios ao indivíduo, especialmente na distinção entre o psicólogo clínico regulamentado e figuras como o coach ou mentor, cujas regulamentações são mais brandas. O risco reside na superficialidade de abordagens puramente motivacionais, que podem negligenciar as complexas dimensões afetivas e cognitivas que sustentam as dificuldades do adulto.

Diante desse panorama, com pluralidade de ofertas de profissionais e metodologias, embora positiva, impõe-se desafios ao indivíduo, seja para diferenciar a própria necessidade, seja para

distinguir as ofertas disponíveis e em que elas podem trazer-lhes contribuição efetiva. Há muito o que se ponderar, pois pode haver confusão nos papéis que os profissionais desempenham, desde as profissões regulamentadas e aquelas com regulamentação brandas ou autorregulamentadas e no risco de abordagem superficial, que focam de forma contundente em técnicas motivacionais, que podem negligenciar as complexas dimensões afetivas em confluência com as dimensões cognitivas, po r exemplo, que sustentam as dificuldades do adulto. O desafio para o indivíduo reside em discernir a

Revista Científica Educ@ção v.11●n.16●jan-dez/2026 ●Demanda contínua .


RCE REVISTA CIENTÍFICA EDUC@ÇÃO

ISSN 2526- 8716


abordagem mais adequada à sua necessidade (saúde, desempenho, orientação específica, entre outras ) e em buscar profissionais éticos e devidamente qualificados.

Olhar para esse cenário, marcado pelos desafios da sociedade atual, exige ir além da constatação dos fatos, abrindo espaço para a reflexão sobre aspectos cruciais como a subjetividade, a identidade e o pertencimento.

Observamos uma tendência generalizada nos diversos serviços: a constituição de comunidades/tribos com vocabulários e práticas próprias que reforçam a necessidade de pertencimento colada no processo de constituição da subjetividade e identidade, que tem início no começo da vida e que se atualiza até o final dela.

Para compreender como o senso comum cria o ‘teto invisível’ social que estrutura essas comunidades e influencia o desenvolvimento individual, este artigo propõe a lente de análise da Teoria das Representações Sociais (TRS) de Serge Moscovici. Na impossibilidade de adentrar em todas as abordagens, a articulação será estabelecida com a Teoria da Permissão de Elton Euler. Dessa forma, para compreender como as representações sociais criam esse teto invisível -

que a Teoria da Permissão busca romper no plano individual - buscamos as Representações Sociais e alguns de seus elementos: subjetividade, identidade e pertencimento, ancoragem e objetivação e Moscovici, com autor principal que fornecerá a base para nosso intento.

O conceito e a lente das Representações Sociais: subjetividade, identidade e pertencimento

As Representações Sociais (RS) funcionam como teorias produzidas e compartilhadas nas interações sociais, denominadas como ‘teorias do senso comum’ ou ‘ciências coletivas sui generis’, e que intervêm diretamente na construção da realidade social e na forma como os indivíduos a interpretam e se posicionam nela. Por isso, podem fazer-nos compreender como as comunidades/tribos se consolidam e se sustentam pela construção de pertencimento, que influenciam e pretendem sustentar a subjetividade e a identidade do sujeito.

Segundo Moscovici (1961), os processos fundamentais para a emergência das RS são a

ancoragem (integração do objeto desconhecido a categorias preexistentes) e a objetivação (materialização do conceito abstrato em uma imagem concreta). Esses processos estabelecem a mediação entre o sujeito e o objeto social, ligando o indivíduo ao seu meio e estruturando sua visão de mundo, o que é fundamental para sua constituição subjetiva.

No contexto da Teoria da Permissão, as RS fornecem os significados que guiam a ação. A subjetividade, conforme González Rey (2003), é a capacidade de produzir sentido, e as RS constituem o arcabouço simbólico dessa produção. Quando confrontada com exigências sociais, essa subjetividade pode manifestar o "bloqueio de permissão". Assim, a identidade e o pertencimento são

construídos na confluência das forças sociais (RS) e da ação individual.

Oolhar para a Teoria da Permissão torna visível como as RS se tornam centrais na formação da subjetividade nesse nicho, pois fornecem os significados e esquemas interpretativos que guiam a percepção, o pensamento e a ação. Assim, é importante identificar como a subjetividade é concebida . Segundo Gonzalez Rey (2003) é compreendida como a capacidade de receber, fazer algo com, e produzir sentido. Desta forma, compreendemos que as RS são o arcabouço simbólico a partir do qual esse sentido é constantemente elaborado e transformado, constituindo a base para a subjetividade que, ao ser confrontada com as exigências sociais, manifesta o bloqueio de permissão

(Reis, 2024). Além dessa construção da subjetividade, as RS se ligam à identidade e ao pertencimento grupal, pois são o alicerce simbólico para o reconhecimento e a diferenciação.

A identidade é construída na confluência das forças sociais, expressas nas RS, e da ação do indivíduo. A identificação se dá pelo reconhecimento das semelhanças ou ideais compartilhados que estão contidos na Representação Social de um grupo ou objeto social. As RS sobre o ‘eu’ e o ‘outro ’ definem os papéis e as expectativas, sendo cruciais para a construção identitária.

Ao compartilhar uma Representação Social, os indivíduos e grupos constroem um universo consensual, um senso de comunidade. As RS agem como normas que prescrevem comportamentos e justificam tomadas de posição, o que é vital para a coesão social. E isso cria o pertencimento, que

Revista Científica Educ@ção v.11●n.16●jan-dez/2026 ●Demanda contínua .


RCE REVISTA CIENTÍFICA EDUC@ÇÃO

ISSN 2526- 8716


é o compartilhamento de um sistema de significados sobre a realidade construída, garantindo a

estabilidade das relações, a comunicação, formas de se relacionar, consolidando o meio social em que vivem.

As Representações Sociais são a ponte entre o individual e o social, sendo o mecanismo psicossocial que permite aos sujeitos e grupos nomear, interpretar e agir no mundo, fundamentando, assim, seus processos de subjetivação, identidade e pertencimento.

Da trava pessoal ao bloqueio social: a Teoria da Permissão

A busca pelo crescimento, sucesso e bem-estar é frequentemente analisada pela ótica da

capacidade e da disposição, ou seja, advém das competências/habilidades e motivação. Contudo, a Teoria da Permissão, de Elton Euler, propõe um terceiro pilar, muitas vezes ignorado: a permissão. Segundo Euler, o indivíduo pode possuir todas as competências e motivações necessárias,

mas será limitado por barreiras internas (culpa, medo, dependência emocional) que configuram um bloqueio de permissão ou um ‘teto invisível’ pessoal.

Argumentamos que o "bloqueio de permissão" individual não é meramente uma falha psicológica isolada, mas o resultado da internalização de Representações Sociais (RS) limitantes que criam padrões coletivos de estagnação e evitação, afetando a forma como o sujeito se vê e se permite

avançar.

A teoria de Euler (2022) se apoia na tríade: capacidade (conhecimento, habilidade ou recurso técnico); disposição (motivação, vontade ou estado emocional de prontidão para a ação); e permissão (a licença para ir além, para ser bem-sucedido, superando a dependência emocional, livre de sentimento de culpa ou medo). O bloqueio de permissão é o ponto de saturação onde as barreiras internas se ativam, impedindo o indivíduo de usar sua capacidade e disposição, gerando a autossabotagem e o fracasso repetitivo.

A Teoria da Permissão enfatiza que o bloqueio é profundamente relacional, originado

principalmente nas relações primárias (parentais) e carregado para a vida adulta, manifestando- se como dependência emocional, vitimismo ou medo e/ou vontade da vingança. Oindivíduo está preso à percepção de que sua ascensão ou felicidade custará um vínculo importante.

As Representações Sociais (RS) como construtoras do ‘Teto Invisível ’

Se a Teoria da Permissão foca no indivíduo e suas relações, a Teoria da RS contextualiza essa trava no plano do conhecimento partilhado. O cerne da conexão reside na ideia de que as Representações Sociais fornecem o roteiro cultural para as proibições e obrigações, que são, então,

internalizadas e codificadas como a falta de permissão em nível emocional e psicológico.

Isso se dá pelos processos de ancoragem e da objetivação de Moscovici, explicitados a seguir: A ancoragem define o conhecido que justifica a trava, pois as Representações Sociais atuam

como o mecanismo de ancoragem que sustenta a falta de permissão em categorias sociais preexistentes. Essas categorias são: a) A âncora da culpa: Mantida pela RS de que o sucesso individual é egoísmo ou que a prosperidade é desigualdade. O sujeito não se permite prosperar para não trair a representação de "solidariedade" ou para não ser punido pelo grupo.

b) A âncora do fracasso meritório: A RS do ‘sofrimento redentor’ ou da ‘dificuldade digna ’

ancora o indivíduo na zona de conforto do insucesso. A pessoa se permite o fracasso, pois ele é socialmente mais aceitável ou justificável do que o risco de sucesso.

A objetivação funciona como a materialização do bloqueio, uma vez que as RS objetivam o medo ou a culpa em figuras concretas que ativam o bloqueio de permissão, como, por exemplo:

a) O ‘Narcisista vingador’, que pode ter como pano de fundo a narrativa midiática e social sobre relações tóxicas, objetivando o medo de romper a dependência e fazendo o sujeito acreditar que a "vingança" do outro é inevitável se ele buscar sua liberdade e/ou pode ser ativada na pessoa que viu-se cerceada, buscando a vingança pelo impedimento ocorrido .

Revista Científica Educ@ção v.11●n.16●jan-dez/2026 ●Demanda contínua .


RCE REVISTA CIENTÍFICA EDUC@ÇÃO

ISSN 2526- 8716


b) O ‘Teto de vidro’ social, que aponta a RS do ‘seu lugar’ socialmente aceito que objetiva a

ascensão. O sujeito, ao tentar "ganhar o dobro" ou "fazer uma viagem", “realizar um sonho”, pode ativar a RS da sua comunidade sobre "quem você é de verdade", gerando uma punição social implícita (inveja, desprezo etc.).

A RS pode funcionar como fonte dos "não deves" e "não podes", pois a Teoria da Permissão lida com as travas emocionais ("Eu não me permito sentir alegria/ser bem-sucedido"). A TRS, por sua vez, explica a origem social desses "não deves", conforme exemplificado no Quadro a seguir:

Proibição Social Representação Social Manifestação no Indivíduo

(RS no Grupo) Atuante (Bloqueio)

"Não ser demais" Inveja coletiva ou Medo da crítica e isolamento;

humildade obrigatória.

autossabotagem para não "trair" o grupo.

"Proibição emoção"

da

RS rígidas sobre papéis de gênero ou sociais.

Bloqueio em sentir/expressar emoções não autorizadas; risco à identidade perante o grupo.

"Sofrimento redentor"

RS de que a dificuldade dignifica o sujeito.

Âncora no fracasso; o sucesso é visto como algo "perigoso" ou "imoral".

Quadro 2. Quadro comparativo: proibição, Representação Social atuante, bloqueio de permissão manifesto no indivíduo exemplificado. Quadro gerado com Google Gemini (Versão 1.5 Flash), em 13 de dezembro de 2026, atualizado em 27 de dezembro, mediante prompt específico fornecido pelo autor.

A construção das comunidades que contribuem para o fortalecimento de teorias

Se tomarmos a própria definição de representação social em diferentes autores, podemos antever como ela justifica a necessidade de teorias se sustentarem pela constituição de comunidades que partilham elementos em comum.

Ao tomarmos como referência a visão de diferentes autores: Doise (1982,1990); Jodelet,

(1989); Wagner (1998); Wagner & Elejabarrieta (1994), podemos trazer uma visão coletiva sobre a Representação Social. O quadro a seguir evidencia a ideia sobre essa visão em relação à RS .

Definição de Representação social Autor /Ano

(...) é vista como um processo público de criação, elaboração, difusão e mudança do conhecimento compartilhado no discurso cotidiano dos grupos sociais.

Wagner , 1998

(...) são socialmente construídas por meio de discursos públicos nos grupos (...) que lhe dão significado e realidade (...) É mais que uma imagem estática na mente das pessoas, pois compreende também seu comportamento e a prática interativa de um grupo

Wagner , 1998 Wagner & Ejabarrieta , 1994

(...) são princípios geradores de tomadas de posição associadas às inserções específicas no conjunto das relações sociais e organizadores dos processos simbólicos que intervém em nossas relações sociais.

Doise , 1982, 19 90

(...) é uma forma de conhecimento socialmente elaborado e compartilhado, que tem como objetivos práticos e contribui para a construção de uma realidade comum a um grupo social.

Jodelet , 1989

Revista Científica Educ@ção v.11●n.16●jan-dez/2026 ●Demanda contínua .


RCE REVISTA CIENTÍFICA EDUC@ÇÃO

ISSN 2526- 8716


(...) são formas de conhecimento peculiares à realidade social, que emergem na vida cotidiana no decorrer da comunicação interpessoal e tem por objetivos a compreensão e controle do ambiente físico- social.

De Rosa, 1993

Quadro3- Definições sobre Representações Sociais, autores e ano de publicação. Quadro elaborado pela autora.

É importante também ressaltar as funções das Representações Sociais, dada por Abric (1998) , que enfatiza a circularidade entre os elementos da teoria: a) Função de saber, que permite compreender e explicar a realidade; b) Função identitária, definidora da identidade, o que permite a proteção da especificidade do grupo; c) Função de orientação, pois guiam os comportamentos e as

práticas; d) Função justificadora, pois permite à posteriori, a justificativa das tomadas de posição e dos comportamentos.

Essa compreensão do que é e de como atuam as Representações sociais, permite afirmar que construir uma comunidade em torno de uma nova teoria é fundamental, tanto para dar- lhe sustentáculo, como para garantir a constituição de uma identidade e subjetividade que coadune valores e propósitos comuns, assim como alimente o pertencimento. Essa circularidade entre elementos da teoria, constituição de identidade e subjetividade e pertencimento é que sustenta a própria teoria e a ação dos membros de um grupo que a exercita e a defende.

Por isso o direcionamento por construir uma comunidade, frente a um conhecimento novo é crucial e a TRS confirma essa necessidade para que o conhecimento se efetive e passe a circular de forma preponderante.

É importante reconhecer que essa comunidade torna-se forte quando efetiva o S istema Central das Representações Socias, que tem como apoio a função geradora e organizadora de significados, ligado à memória coletiva e história do grupo, sendo consensual, definindo a homogeneidade do grupo, estável, coerente e rígido, resistente à mudanças e pouco sensível ao contexto imediato, sendo protegida por um Sistema periférico que tem como funções a concretização, regulação e defesa, o que permite a adaptação à realidade concreta e diferença de

conteúdo; permite a integração e histórias individuais, tolerante à heterogeneidade do grupo, flexível e tolerante às contradições, sendo evolutivo e sensível ao contexto imediato. Podemos entender que o Sistema periférico da Representações Sociais atua como protetor do Sistema Central e por isso a construção de um anova Representação Social vai sendo sustentada pela adesão aos novos elementos sem uma rutura sensível, que poderia repelir a RS de imediato.

O Sistema Central da representação, rígido e resistente, protege a essência do grupo, enquanto o Sistema Periférico permite adaptações ao contexto.

As Representações Sociais podem surgir como ruptura, mas ela vai se manter se constitui r em torno de si uma comunidade, capaz de sustentar mudanças contínuas e ao longo do tempo construir uma nova realidade e que se retroalimenta pela constituição das Representações Sociais próprias do grupo, que pode ser representada pela ideia de um círculo virtuoso, como descrito por Guaragna (2009).

À teoria da RS é assegurado um valor prático de captação de informações e de orientação para a ação, o que lhe confere importância enquanto processo e mediação da relação homem- mundo, dando possibilidade a cada um em particular e de todos, em geral, analisar o processo e apropriação

do mundo e de construção de si em contato com esse mundo.

(...) tomaremos o conceito de Representação social no seu imbricamento com a vida cotidiana e com a formação de identidade, de onde poderemos apreender a relação indivíduo-mundo e o processo de assimilação e construção da realidade, que na relação com outros procuram entender a sua realidade, dando- lhe significações (Ponciano, 2001, p. 37) .

Pode-se inferir que em processos de desenvolvimento humano, a busca por auxílio, é uma

busca por compreensão da realidade e a partir dela empreender mudanças que julgam necessárias para um bem viver. Os serviços de desenvolvimento prometem essa construção, mas evidenciam que para o intento uma “nova mentalidade” deve se acoplar às ações efetivas, ou seja, conhecimento deve

Revista Científica Educ@ção v.11●n.16●jan-dez/2026 ●Demanda contínua .


RCE REVISTA CIENTÍFICA EDUC@ÇÃO

ISSN 2526- 8716


gerar comportamentos e atitudes, o que evidencia uma necessidade de um indivíduo que age sobre o mundo e o modifica e se modifica por sua ação (Skinner, 1978).

Se de um lado a autorresponsabilização seja um fato relevante, pois é a própria pessoa que se não autoriza, baseada em suas experiências e registros pessoais, ao permitir a dúvida, a zona de conforto, procrastinação e adiamento, por outro não se pode deixar de apontar a corresponsabilização como um fator que influencia a trajetória, visto que ao mesmo tempo que se estabelece a necessidade da ação individual, engendra no processo a necessidade de apoio no e do coletivo, evidenciada por comunidades que se assentam em valores/propósitos comuns .

Isso reporta à importância da compreensão da TRS, pois sua função social orienta

comportamentos e prepara para a ação, trazendo luz ao que, de fato, uma nova teoria propõe, sem com isso penalizar aqueles que sem direção assertiva, busca uma nova configuração para o seu desenvolvimento, inúmeras vezes frustradas, exatamente, por não se apropriar de novos elementos de forma saudável, sem apoio devido de uma comunidade, que lhe insira em novas possibilidades e perspectivas, para além de um caminho “errático” de buscas infrutíferas, pois essas entram em confronto com o universo em que vive, pautadas em representações daquele grupo de origem e de maior convivência, que pode expurgar outras formas de ser e agir. A comunidade pode ser fator preventivo na trajetória de desenvolvimento pessoal ao apoiar a autorresponsabilidade, ao mesmo

tempo que faz circular novos aportes, valores e visão que a sustentam e que potencializam cada membro para ações mais assertivas .

Quando Moscovici (1978) propôs a Teoria das Representações Sociais e admitiu que ela está vinculada a um sistema de valores, noções e práticas que permitem ao indivíduo formas de orientação no meio social e material a fim de dominá- lo, declarou a importância da compreensão de sua função social (Ponciano, 2001, p. 37) .

Ao olhar para a Teoria da Permissão sob a análise das lentes da Teoria das R epresentações Sociais, busca-se compreender “(...) a relação entre os macros sistemas sociais e o sistema cognitivo de indivíduos socialmente situados” Moscovici (apud Spink, 1993, p. 87), pois dessa compreensão pode-se derivar uma ação conscientemente situada e sustentável, ou seja, a superação do bloqueio exige uma reancoragem em comunidades que validem novos valores, transformando a trava social pela ruptura a partir de uma ação refletida e assumida.

Refletir sobre nossas ações e sobre os contextos que nos cercam, abre espaço para uma compreensão maior diante de um mercado cada vez mais amplo de serviços de desenvolvimento

humano. Novas pesquisas podem trazer luzes sobre como conceitos tornam-se populares e ancoram e objetivam a realidade.

Para isso seria frutífero aprofundar como se dá a incorporação cultural no cotidiano, o que seria frutífero a partir das ideais de Spink, que defende que o cotidiano não é apenas um cenário passivo, mas o local em que a realidade é construída pelo papel da linguagem, apoiada numa tríade: cotidiano como espaço de produção; a linguagem em ação para dar sentido ao mundo e a mediação, que reconhece como o cotidiano é mediado pelas instituições e como o sujeito dá sentido a ele nas suas interações. Para isso usar as dimensões de análise indicadas por ela, seria promissor: Filogênese

(história dos conceitos da cultura), marcada como tempo longo; Ontogênese (trajetória de cada indivíduo e suas experiências sociais), marcada como tempo vivido; Microgênese (momento d a interação, no qual se negociam os sentidos), marcado como tempo curto. A importância de tal estudo permite compreender como há a popularização de teorias e como elas se transformam em guia de conduta no cotidiano, criando uma realidade compartilhada. Aprofundar sobre a Teoria da Permissão, como processo psicossocial, à luz dos aportes teóricos de Spink (1993), pode trazer luzes sobre o fenômeno, inclusive para buscar bases científicas para consolidar conhecimentos e tornar perceptível como construímos discursos internos a partir das interações com em discursos externos

(ciência, religião, mídia etc.) para justificar posicionamentos.

Considerações finais

Revista Científica Educ@ção v.11●n.16●jan-dez/2026 ●Demanda contínua .


RCE REVISTA CIENTÍFICA EDUC@ÇÃO

ISSN 2526- 8716


Aarticulação entre a Teoria das Representações Sociais de Moscovici e a Teoria da Permissão

de Euler permite compreender que o desenvolvimento do adulto contemporâneo não é um processo individualizado, mas um fenômeno profundamente situado em campos de força simbólicos. Conclui - se que o ‘teto invisível’ materializado no bloqueio de permissão nada mais é do que a objetivação de Representações Sociais limitantes que priorizam a coesão do grupo de pertencimento ou de uma coletividade globalizada em detrimento de uma trajetória singular .

Evidenciou-se que a superação dessas travas subjetivas exige mais do que técnicas motivacionais isoladas; demanda uma reancoragem identitária. Para que o indivíduo rompa com as âncoras da culpa e do "fracasso meritório", é imperativo o pertencimento a comunidades que validem

novos sistemas de significação. Essas comunidades funcionam como um ecossistema de suporte onde o Sistema Central da Representação Social é reconfigurado, permitindo que a "permissão" deixe de ser um esforço volitivo exaustivo para tornar-se uma nova forma coletiva de pensar, sentir, agir . Por fim, o discernimento diante do vasto mercado de serviços de desenvolvimento humano

revela-se uma competência crítica. Compreender as dimensões da filogênese, ontogênese e microgênese, como proposto por Spink (1993), oferece um caminho promissor para pesquisas futuras. O desafio para o adulto contemporâneo reside, portanto, em identificar as vozes que compõem seu discurso interno e buscar, de forma consciente e ética, os espaços de interação que não

apenas ofereçam ferramentas, mas que autorizem o sujeito a habitar e elevar sua própria potência dentro da realidade social.

Referências

ABRIC, Jean-Claude. A abordagem estrutural das Representações Sociais. In: Moreira, A.S.P.; OLIVEIRA, D.C. (Orgs). Estudos interdisciplinares de Representação Social. Goiânia: A.B., 1998.

COMOAUMENTARSUA PERMISSÃO para ganhar mais dinheiro mais rápido? Podcast com Caio Carneiro e Elton Euler. [S. l.]: Como Você Fez Isso, 16 jul. 2025. 1 vídeo (84 min). Disponível em:

https://www.youtube.com/watch?v=Lmvf8LtoWQc. Acesso em: 28 out. 2025.

DOISE, Willem. L’explication en psychologie sociale. Paris: Presses Universitaires de France, 1982.

DOISE, Willen. Les représentations sociales. In: GHIGLIONE, R.; BONET, C.; RICHARD, J. F. (Eds.). Traité de psychologie cognitive, Paris: Dunod, 1990. p. 111- 174.

GEMINI (Inteligência Artificial). Tabelas comparativas de profissionais de desenvolvimento humano. Versão 1.5 Flash. [S. l.]: Google, 13 dez. 2025. Atualizado em 13 jan. 2026. Disponível em:

https://gemini.google.com/ .

GONZÁLEZ REY, Fernando Luis. Sujeito e subjetividade: uma aproximação histórico-cultural. São Paulo: Thomson Learning, 2003.

GUARAGNA, E. V. C. Alinhando e integrando princípios, pessoas e processos para a construção de resultados competitivos e sustentados. 2009. Disponível em: http://www.slideshare.net/3PR/3pr-alinhamento-e - integrao-principios-processos-e-pessoas. Acesso em: 24 dez. 2025.

JODELET, Denise. Représentations sociales: un domaine en expansion. In D. Jodelet (Ed.) Les représentations sociales. Paris: PUF, 1989, pp. 31- 61.

JODELET, Denise (org.). Les représentations sociales. Paris: Presses Universitaires de France, 1989. MOSCOVICI, Serge. A representação social da psicanálise. Rio de Janeiro: Zahar, 1978.

MOSCOVICI, Serge. Prefácio. In: GUARESCHI, P.; JOVCHELOVICH, S. (org.) Textos em Representações Sociais. Petrópolis: Vozes, 1994.

Revista Científica Educ@ção v.11●n.16●jan-dez/2026 ●Demanda contínua .


RCE REVISTA CIENTÍFICA EDUC@ÇÃO

ISSN 2526- 8716


PONCIANO, Vera Lúcia de Oliveira. Representação Social de professores sobre a profissão docente. Dissertação (Mestrado em Educação: Psicologia da Educação) Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2001.

REIS, Elton Euler da Silva. Entender os principais conceitos do GPS (livro eletrônico). Elton Euler da Silva Reis, Tabita Pires Peixoto Camacho. 2. Ed. Guarulhos: E2X, 2024.

SKINNER, Burrhus Frederic. Ciência e comportamento humano. São Paulo: Martins Fontes, 1978.

SPINK, Mary Jane (Org.) O conhecimento cotidiano: as Representações Sociais na perspectiva da Psicologia Social. São Paulo: Brasiliense, 1993.

WAGNER, Wolfgang. Sociogênese e características das Representações Sociais. In: MOREIRA, A. S.; OLIVEIRA, D. C. (Orgs.) Estudos interdisciplinares de Representação Social. Goiânia: AB, 1998.

WAGNER, Wolfgang; ELEJABARRIETA, Fran. Representaciones sociales. In: MORALES, J. F. (org.). Psicología Social. Madrid: McGraw-Hill, 1994. p. 815- 842.

Submetido em mês de dezembro 202 5 Aprovado em mês de janeiro 202 6

Informações do (a) (s) autor(a)(es)

Nome do autor: Vera Lúcia Oliveira Ponciano

Afiliação Institucional: Universidade Santo Amaro (UNISA)

E-mail: vloponciano@prof.unisa.br

ORCID: https://orcid.org/0000-0002-0099- 0839

Link Lattes: http://lattes.cnpq.br/0129211583987754

Revista Científica Educ@ção v.11●n.16●jan-dez/2026 ●Demanda contínua .