TECNOLOGIAS DIGITAIS E PLATAFORMA GAMIFICADA NA  
APRENDIZAGEM MATEMÁTICA: Uma análise do Matific na Rede  
Estadual do Paraná  
Resumo  
Na educação contemporânea, as tecnologias digitais têm assumido papel relevante na reorganização  
das práticas pedagógicas, especialmente diante da presença de estudantes cada vez mais inseridos na  
cultura digital. No ensino de Matemática, plataformas gamificadas e recursos baseados em inteligência  
artificial apresentam-se como possibilidades para tornar a aprendizagem mais interativa, visual,  
personalizada e alinhada às demandas atuais da escola. Nesse contexto, o Matific destaca-se como uma  
plataforma digital voltada à aprendizagem matemática, articulando jogos, desafios, feedbacks, relatórios  
de desempenho e atividades adaptadas ao ritmo dos estudantes. Compreender como o Matific  
contribui para a aprendizagem dos alunos dos anos finais do Ensino Fundamental da rede estadual do  
Paraná. A pesquisa caracteriza-se como qualitativa, de caráter descritivo, desenvolvida por meio de  
revisão de literatura, com levantamento de produções científicas publicadas entre 2020 e 2026 em bases  
de dados eletrônicas. A plataforma pode contribuir para o engajamento discente, a visualização de  
conceitos matemáticos, a resolução de problemas, a retomada de conteúdos e o acompanhamento das  
dificuldades de aprendizagem, sobretudo quando integrado a sequências didáticas planejadas e  
mediadas pelo professor. Contudo, também foram identificadas tensões relacionadas à obrigatoriedade  
de uso, ao monitoramento por dados, à formação docente e à autonomia pedagógica. O Matific não  
deve ser compreendido como solução isolada para as dificuldades em Matemática, mas como recurso  
complementar que, quando utilizado de forma crítica, intencional e contextualizada, pode favorecer  
práticas mais significativas, interativas e personalizadas no ensino de Matemática.  
Palavras-chave: Educação básica; Matemática; Matific; Gamificação; Inteligência Artificial.  
DIGITAL TECHNOLOGIES AND GAMIFIED PLATFORM IN  
MATHEMATICAL LEARNING: An Analysis of Matific in the Paraná  
State Education System  
Abstract  
In contemporary education, digital technologies have played a relevant role in the reorganization of  
pedagogical practices, especially given the presence of students who are increasingly immersed in digital  
culture. In Mathematics teaching, gamified platforms and resources based on artificial intelligence  
emerge as possibilities to make learning more interactive, visual, personalized, and aligned with the  
current demands of schools. In this context, Matific stands out as a digital platform aimed at  
mathematical learning, integrating games, challenges, feedback, performance reports, and activities  
adapted to students’ learning pace. To understand how Matific contributes to the learning of students  
in the final years of Elementary School in the Paraná state education system. Methodology: The  
research is characterized as qualitative and descriptive, developed through a literature review, with a  
survey of scientific productions published between 2020 and 2026 in electronic databases. The  
platform may contribute to student engagement, the visualization of mathematical concepts, problem-  
solving, content review, and the monitoring of learning difficulties, especially when integrated into  
planned didactic sequences mediated by the teacher. However, tensions were also identified regarding  
mandatory use, data-based monitoring, teacher training, and pedagogical autonomy. Matific should not  
be understood as an isolated solution to difficulties in Mathematics, but rather as a complementary  
resource that, when used critically, intentionally, and contextually, can foster more meaningful,  
interactive, and personalized practices in Mathematics teaching.  
Keywords: Basic education; Mathematics; Matific; Gamification; Artificial Intelligence.  
Revista Científica Educ@ção v.12● n.18edição especial/2026.  
TECNOLOGÍAS DIGITALES Y PLATAFORMA GAMIFICADA EN  
EL APRENDIZAJE MATEMÁTICO: Un análisis de Matific en la Red  
Estatal de Paraná  
Resumen  
En la educación contemporánea, las tecnologías digitales han asumido un papel relevante en la  
reorganización de las prácticas pedagógicas, especialmente ante la presencia de estudiantes cada vez  
más insertos en la cultura digital. En la enseñanza de las Matemáticas, las plataformas gamificadas y los  
recursos basados en inteligencia artificial se presentan como posibilidades para hacer que el aprendizaje  
sea más interactivo, visual, personalizado y alineado con las demandas actuales de la escuela. En este  
contexto, Matific se destaca como una plataforma digital orientada al aprendizaje matemático,  
articulando juegos, desafíos, retroalimentaciones, informes de desempeño y actividades adaptadas al  
ritmo de los estudiantes. Comprender cómo Matific contribuye al aprendizaje de los alumnos de los  
años finales de la Educación Primaria de la red estatal de Paraná. Metodología: La investigación se  
caracteriza como cualitativa, de carácter descriptivo, desarrollada por medio de una revisión de  
literatura, con el levantamiento de producciones científicas publicadas entre 2020 y 2026 en bases de  
datos electrónicas. La plataforma puede contribuir al compromiso de los estudiantes, a la visualización  
de conceptos matemáticos, a la resolución de problemas, a la revisión de contenidos y al seguimiento  
de las dificultades de aprendizaje, especialmente cuando se integra a secuencias didácticas planificadas  
y mediadas por el profesor. Sin embargo, también se identificaron tensiones relacionadas con la  
obligatoriedad de uso, el monitoreo mediante datos, la formación docente y la autonomía pedagógica.  
Matific no debe ser comprendido como una solución aislada para las dificultades en Matemáticas, sino  
como un recurso complementario que, cuando se utiliza de forma crítica, intencional y contextualizada,  
puede favorecer prácticas más significativas, interactivas y personalizadas en la enseñanza de las  
Matemáticas.  
Palabras clave: Educación básica; Matemáticas; Matific; Gamificación; Inteligencia Artificial.  
INTRODUÇÃO  
Na contemporaneidade, as tecnologias digitais têm ocupado espaço crescente nas práticas  
educacionais, especialmente diante da ampliação de recursos interativos voltados ao ensino e à  
aprendizagem. Nesse cenário, a inteligência artificial e as plataformas gamificadas passam a integrar  
discussões sobre inovação pedagógica, participação discente e novas formas de mediação do  
conhecimento. No ensino de Matemática, tais recursos assumem relevância por possibilitarem  
abordagens mais dinâmicas, visuais e adaptadas aos diferentes ritmos de aprendizagem. Nesse  
contexto, plataformas como o Matific1 apresentam-se como recursos educativos capazes de articular  
ludicidade, resolução de problemas e feedback imediato, favorecendo a participação ativa dos estudantes.  
Mediante este cenário, surge a problemática: Como a plataforma Matific vem sendo utilizado  
para a aprendizagem de matemática nos anos finais do ensino fundamental no Estado do Paraná? O  
objetivo geral desta pesquisa, consiste em compreender como o Matific contribui para aprendizagem  
dos alunos do ensino fundamental anos finais da rede de ensino estadual do Paraná. Os objetivos  
específicos são: contextualizar a utilização de tecnologias na educação na contemporaneidade;  
descrever a plataforma Matific e seus recursos para aprendizagem matemática; pesquisar as múltiplas  
facetas utilização da plataforma Matific para aprendizagem matemática dos alunos do ensino  
fundamental anos finais da rede estadual do Paraná.  
A pesquisa justifica-se, em âmbito acadêmico, por contribuir para o avanço do conhecimento  
sobre o uso da TDIC, especificamente a inteligência artificial e a gamificação, no ensino de Matemática  
1 O software Matific é uma plataforma de aprendizagem inteligente para matemática para alunos da educação  
infantil e ensino fundamental anos iniciais e finais. Encontre mais informações no Site Institucional:  
Revista Científica Educ@ção v.12● n.18edição especial/2026.  
 
por meio da plataforma Matific para os alunos ampliando o debate sobre práticas pedagógicas  
inovadoras. No aspecto social, o estudo mostra relevância ao possibilitar novas perspectivas à  
aprendizagem e ao engajamento dos alunos do ensino fundamental, oferecendo subsídios para uma  
educação mais inclusiva, motivadora e alinhada às demandas contemporâneas. Já na dimensão  
profissional e pessoal, a investigação conecta-se à minha formação e aos interesses das pesquisas que  
venho realizando, fortalecendo minha atuação na área educacional e promovendo reflexões práticas  
sobre a inserção de plataformas digitais inteligentes no processo de ensino-aprendizagem.  
METODOLOGIA  
O presente estudo caracteriza-se como uma pesquisa de natureza qualitativa, de caráter  
descritivo, desenvolvida por meio de uma revisão narrativa de literatura. Esse delineamento  
metodológico tem como finalidade reunir, analisar e discutir produções científicas já publicadas,  
possibilitando a construção de uma compreensão ampla e contextualizada acerca do objeto de estudo,  
a partir de fontes secundárias, sem a manipulação de variáveis (Lakatos; Marconi,2003; Gil, 2002).  
O desenvolvimento da pesquisa ocorreu em três etapas: (I) planejamento e delimitação do  
tema, fundamentados no problema de pesquisa e nos objetivos propostos; (II) levantamento e seleção  
dos materiais bibliográficos; e (III) leitura, análise e síntese dos conteúdos. O levantamento das  
produções foi realizado nas bases de dados Google Acadêmico e Repositório Institucional da  
Universidade Federal Tecnológica do Paraná. As bases foram escolhidas por sua abrangência e  
relevância no contexto acadêmico, possibilitando o acesso a estudos científicos consolidados. Ademais  
foram consultados sites Institucionais oficiais como: da Plataforma Matific, da Secretaria Estadual de  
Educação do Paraná, Computacional, dentre outros, além dos federais, além da utilização de autores  
clássicos das temáticas discutidas.  
Para a busca dos materiais, foram utilizados os seguintes descritores: “inteligência artificial na  
educação”, “gamificação no ensino de matemática”, “Matific no ensino fundamental anos finais”,  
“aprendizagem matemática com tecnologias digitais”; “plataformas educacionais gamificadas”, “rede  
de ensino estadual paranaense”; “rede estadual de ensino fundamental anos finais no paraná”;  
combinados por meio de operadores booleanos (AND/OR), de modo a ampliar e refinar os resultados  
obtidos.  
Como critérios de inclusão, foram considerados: (a) trabalhos publicados em língua  
portuguesa; (b) materiais disponíveis em acesso aberto; (c) artigos científicos, dissertações e teses  
relacionados à temática do estudo; (d) produções que apresentassem contribuições teóricas relevantes  
para a compreensão do uso de tecnologias digitais e plataformas gamificadas no ensino de matemática;  
(e) estudos que abordam o uso do Matific na rede estadual paranaense nos anos finais do ensino  
fundamental. Como critérios de exclusão, foram desconsiderados: (a) estudos duplicados; (b) materiais  
que não apresentassem relação direta com o tema investigado; (c) publicações indisponíveis na íntegra;  
(d) conteúdos que não evidenciassem consistência teórica ou relevância para os objetivos da pesquisa;  
(e) estudos que não abordam o uso do Matific na rede estadual paranaense nos anos finais do ensino  
fundamental.  
Os resultados do processo culminaram na seleção de 201 materiais para o estudo dos quais:  
29 materiais foram encontrados no Repositório Institucional da Universidade Federal Tecnológica do  
Paraná, que após a leitura do título; resumo e palavras-chaves, resultaram na seleção de 2 estudos  
alinhados aos critérios do estudo. Na base do Google Acadêmico foram encontrados 172 materiais,  
que após a leitura do título; resumo e palavras-chaves, resultaram na seleção de 5 estudos alinhados  
aos critérios do estudo. O quadro 1 abaixo, traz uma síntese dos estudos selecionados para pesquisa,  
frutos da revisão de literatura.  
Quadro 1 - Síntese dos estudos selecionados para pesquisa, frutos da revisão de literatura  
Referência  
Estudo  
Escopo do estudo  
Revista Científica Educ@ção v.12● n.18edição especial/2026.  
Huf (2024)  
UEPS no ensino de Matemática: visando a O estudo aborda as dificuldades de  
aprendizagem significativa de frações no 6º ano aprendizagem matemática no 6º ano do  
do Ensino Fundamental.  
Ensino Fundamental, especialmente no  
conteúdo de frações, articulando UEPS e  
o uso da plataforma Matific.  
Marinelli  
(2024)  
Uma proposta de sequência didática para o A pesquisa apresenta uma sequência  
ensino de sólidos geométricos para estudantes didática para ensino de sólidos  
o
do 6º ano  
geométricos no 6º ano, incorporando  
metodologias ativas, jogos e atividades da  
plataforma Matific, como recursos para  
trabalhar  
prismas,  
pirâmides,  
planificações, vértices, arestas e faces.  
Almeida  
(2026)  
Plataformas digitais na educação do Estado do O estudo retrata sob múltiplas facetas a  
Paraná: a percepção dos usuários do Colégio inserção de plataformas digitais como  
Estadual do Campo Castelo Branco e do política  
educacional  
no  
Paraná,  
Colégio Estadual Cívico Militar Nestor Victor mencionando o Matific entre os recursos  
dos Santos de São Miguel do Iguaçu – Paraná  
Explorando conexões matemáticas por meio de  
tarefas gamificadas de geometria dinâmica no 6º analisar o uso da plataforma Matific em  
disponibilizados pela rede estadual.  
O estudo contribui diretamente ao  
Santos;  
Borssoi;  
Alevato  
(2025)  
ano  
tarefas  
gamificadas  
de  
geometria  
dinâmica, com foco na medição de  
perímetros.  
Zanette  
(2023)  
Uma  
jornada  
gamificada  
para  
o
A
dissertação  
contribui  
para  
a
desenvolvimento das competências gerais da fundamentação sobre gamificação no  
Educação Básica em aulas de Matemática no 9º ensino de Matemática nos anos finais do  
ano do Ensino Fundamental  
Ensino Fundamental e menciona o  
Matific no contexto das plataformas  
educacionais disponibilizadas pela rede  
pública estadual do Paraná.  
Rufino  
Carvalho  
(2025)  
e
Uso da Plataforma Matific no Ensino de O artigo investiga o uso da Matific com  
matemática: experiência com estudantes do estudantes do 6º ano do Ensino  
ensino fundamental  
Fundamental em escola pública do  
Paraná.  
Rodrigues  
(2024)  
Recomposição da aprendizagem matemática pós  
pandemia no 6º ano do ensino fundamental: plataforma Matific na recomposição da  
relato de experiência do uso da plataforma aprendizagem matemática de estudantes  
O
estudo aborda  
a
utilização da  
digital Matific  
do 6º ano após a pandemia.  
Fonte: Elaborado pela autora (2026)  
RESULTADOS E DISCUSSÃO  
A educação contemporânea tem sido fortemente influenciada pelas Tecnologias Digitais da  
Informação e Comunicação (TDIC), que oferecem recursos midiáticos integrando linguagem oral,  
escrita, som, imagem e movimento. Essas tecnologias ampliam as possibilidades pedagógicas,  
especialmente no ensino da Matemática, ao permitir abordagens que superam os limites das  
ferramentas tradicionais como lousa e papel. A inserção das TDIC no âmbito da educação proporciona  
novas formas de representação e compreensão dos conteúdos, tornando o processo de ensino  
aprendizagem mais dinâmico, interativo e acessível (Kenski, 2007).  
Segundo Lévy (1999), o ciberespaço configura-se como um ambiente virtual em que a  
informação, o conhecimento e a comunicação se entrelaçam de maneira dinâmica e interativa,  
promovendo novas formas de sociabilidade e de aprendizagem. Nesse espaço, as barreiras físicas e  
temporais são transcendidas, permitindo que indivíduos e grupos compartilhem saberes, colaborem  
em projetos e construam coletivamente conhecimentos. O conceito de ciberespaço evidência, assim,  
a potencialidade das tecnologias digitais não apenas como ferramentas de acesso à informação, mas  
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como mediadoras de experiências cognitivas e sociais que transformam a maneira como aprendemos,  
comunicamos e interagimos no mundo contemporâneo.  
Neste cenário, as crianças estão inseridas em um contexto profundamente marcado pelas  
tecnologias digitais, sendo reconhecidas por Prensky (2001) como nativos digitais. Diferentemente das  
gerações anteriores, elas cresceram rodeadas por computadores, videogames, celulares, internet e redes  
sociais, incorporando tais recursos de forma natural em seu cotidiano. Essa imersão tecnológica não  
apenas modifica seus hábitos de lazer e comunicação, mas também influencia seus modos de aprender,  
processar informações e interagir com o mundo.  
Em seu estudo, Oliveira (2013) enfatiza que os desafios de educar a geração nascida na era  
digital estão diretamente relacionados às transformações provocadas pela presença constante das  
tecnologias no cotidiano das crianças e jovens. Nesse contexto, a escola enfrenta a necessidade de  
repensar suas práticas pedagógicas, superando modelos tradicionais e incorporando metodologias mais  
dinâmicas e interativas, capazes de dialogar com os interesses e formas de aprendizagem dessa geração.  
Além disso, torna-se essencial promover o uso crítico e consciente das tecnologias, considerando seus  
impactos no desenvolvimento cognitivo, social e emocional. Nesse universo, o papel da escola amplia-  
se, exigindo uma atuação mediadora que integre as tecnologias ao processo educativo de maneira  
significativa e formativa.  
No âmbito legislativo, a Política Nacional de Educação Digital (PNED), instituída pela Lei nº  
14.533/2023, configura-se como uma estratégia abrangente voltada à promoção da inclusão digital e à  
integração pedagógica das tecnologias no contexto educacional brasileiro. Diferentemente de  
iniciativas restritas à infraestrutura, a PNED propõe o desenvolvimento de competências digitais em  
estudantes e professores, articulando formação, acesso e uso crítico das tecnologias. Nesse sentido, a  
política busca fomentar práticas pedagógicas inovadoras, ampliar o letramento digital e consolidar a  
computação como componente curricular, contribuindo para a formação de cidadãos aptos a atuar de  
forma crítica, ética e produtiva na sociedade contemporânea (Brasil, 2025).  
O Referencial Curricular em Inteligência Artificial na Educação Básica emerge em um  
contexto de intensas transformações provocadas pelas tecnologias digitais, que impactam não apenas  
a comunicação e o trabalho, mas também a própria organização social e educacional. As dimensões  
propostas pelo referencial, estabelecem seis dimensões fundamentais para o ensino de Inteligência  
Artificial, garantindo uma abordagem que contempla tanto seus benefícios quanto seus riscos. Essas  
dimensões organizam o ensino de forma estruturada e integrada (Computacional, 2024).  
A dimensão Interação Humano-IA aborda a relação entre os sujeitos e os sistemas inteligentes,  
considerando aspectos de comunicação, colaboração e mediação tecnológica. A dimensão Percepção  
refere-se à coleta e organização de dados provenientes do mundo real ou de bases computacionais. Já  
a dimensão Representação e Raciocínio envolve os processos de classificação, organização e  
transformação desses dados em conhecimento, por meio de algoritmos e raciocínio lógico-matemático.  
A dimensão Aprendizado de Máquina trata da capacidade dos sistemas de aprender a partir de dados,  
utilizando diferentes abordagens, como aprendizado supervisionado, não supervisionado e por  
reforço. A dimensão Impacto Social discute as implicações da IA na sociedade, incluindo aspectos  
relacionados ao trabalho, à privacidade e às desigualdades. Por fim, a dimensão Ética, de caráter  
transversal, permeia todas as demais, promovendo reflexões sobre responsabilidade, transparência e  
uso justo das tecnologias (Computacional, 2024).  
A BNCC Computação constitui um documento complementar que orienta a inserção da  
computação na Educação Básica brasileira, com o objetivo de desenvolver competências digitais  
essenciais para a formação integral dos estudantes (Brasil, 2022). Segundo Brackmann, a Computação  
na Educação Básica está estruturada em três eixos: Cultura Digital, Mundo Digital e Pensamento  
Computacional. Esses eixos evidenciam que a computação envolve tanto o uso crítico e ético das  
tecnologias quanto a compreensão de seu funcionamento e o desenvolvimento de habilidades para  
resolução de problemas de forma lógica e sistemática (Computacional, 2026).  
E diante das normas, currículos, legislações, e estudos científicos, emerge o professor, no  
contexto da integração das tecnologias na educação, assumindo um papel fundamental como mediador  
do processo de ensino e aprendizagem, exigindo uma formação ampla que vá além do domínio técnico  
das ferramentas digitais. Nesse cenário, segundo Lima; Rocha (2022) cabe ao educador utilizar as  
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tecnologias de forma pedagógica, articulando-as ao conteúdo e às metodologias de ensino, de modo a  
favorecer a construção do conhecimento. Além disso, é necessário que o docente esteja preparado para  
lidar com novas demandas, como a personalização do ensino, o uso de ambientes virtuais e a adaptação  
às linguagens digitais.  
O ensino de Matemática, embora essencial para a compreensão de situações cotidianas e para  
o desenvolvimento do raciocínio lógico, ainda enfrenta desafios significativos no contexto escolar,  
especialmente em razão do distanciamento entre os conteúdos trabalhados e a realidade dos estudantes.  
Muitas vezes, a abordagem pedagógica prioriza a memorização de regras e procedimentos, em  
detrimento da compreensão conceitual, o que contribui para dificuldades de aprendizagem  
evidenciadas em avaliações nacionais. Ademais, práticas mecanizadas e centradas no professor tendem  
a reduzir o interesse dos alunos, tornando o processo pouco significativo. Nesse cenário, torna-se  
necessário repensar as metodologias de ensino, buscando estratégias que promovam maior  
engajamento e conexão com o cotidiano dos estudantes (Barbosa; Pontes; Castro, 2020).  
Diante dessa necessidade de ressignificação das práticas pedagógicas, a relação entre o  
professor, o saber matemático e o aluno configuram-se como elemento central no processo de ensino  
e aprendizagem da Matemática. Nessa perspectiva, cabe ao docente compreender a Matemática como  
um conhecimento histórico e em constante construção, possibilitando ao estudante uma visão menos  
rígida e mais significativa dos conceitos. Paralelamente, a relação professor-aluno precisa ser revista  
diante das transformações tecnológicas e culturais, exigindo uma postura mais mediadora, dialógica e  
sensível às necessidades dos estudantes. Com isso, o professor deixa de ser apenas transmissor de  
conteúdos e passa a atuar como orientador do processo, promovendo a participação ativa, a construção  
do conhecimento e o desenvolvimento do pensamento crítico (Pereira; Fernandes, 2015).  
No campo curricular, essa reconfiguração do ensino encontra respaldo na BNCC, que oferece  
fundamentos legais e pedagógicos para a integração entre o ensino da Matemática e o uso das TDIC,  
reconhecendo essa articulação como fundamental para a formação dos estudantes no Ensino  
Fundamental. Em especial, a Competência Específica de Matemática nº 5 orienta que os alunos sejam  
capazes de utilizar recursos matemáticos aliados às TDIC para modelar e resolver problemas do  
cotidiano, sociais e de outras áreas do conhecimento. Essa diretriz enfatiza não apenas o domínio  
técnico, mas também o desenvolvimento de habilidades críticas e analíticas, promovendo uma  
aprendizagem significativa, prática e interdisciplinar. Ao legitimar o uso das tecnologias no ensino, a  
BNCC contribui para preparar os alunos para a cultura digital, tornando a Matemática mais acessível,  
contextualizada e alinhada às demandas contemporâneas da sociedade (Brasil, 2018).  
A partir desse respaldo curricular, a incorporação das tecnologias digitais ao currículo de  
Matemática amplia as possibilidades de organização das práticas pedagógicas, uma vez que dispositivos,  
aplicativos, plataformas educacionais e recursos de inteligência artificial passam a compor novos  
modos de ensinar e aprender. Entre essas possibilidades, a gamificação destaca-se como uma estratégia  
capaz de favorecer ambientes mais interativos, pois articula desafios, feedbacks e participação ativa dos  
estudantes. No campo da Educação Matemática, sua presença tem sido recorrente em propostas  
voltadas ao Ensino Fundamental, sobretudo por contribuir para a aproximação dos alunos com  
conteúdos frequentemente percebidos como abstratos ou complexos. Apesar dessas potencialidades,  
sua integração ao currículo exige intencionalidade pedagógica e formação docente para o uso crítico  
desses recursos (Santos; Borssoi; Allevato, 2025).  
Na prática pedagógica da Educação Matemática, a gamificação tem sido mobilizada por meio  
de diferentes tecnologias digitais, como aplicativos, plataformas educacionais, jogos interativos e  
recursos de realidade aumentada. Estudos com ferramentas como Slice it, Euclidea, Khan Academy,  
Matific, Kahoot! Classcraft, Google Forms, Geekie One e GeometriRA evidenciam que esses recursos  
podem favorecer o engajamento, a cooperação, a criatividade e a aprendizagem individualizada,  
especialmente em conteúdos como frações, geometria, potenciação e operações básicas. Tais  
experiências demonstram que os ambientes gamificados tendem a tornar as tarefas matemáticas mais  
atrativas, ao incorporar desafios, pontuações, recompensas, feedbacks e resolução de problemas. Ao  
mesmo tempo, indicam que sua efetividade depende da intencionalidade pedagógica, da mediação  
docente e do tempo de adaptação do professor ao uso dessas estratégias em sala de aula (Zanette,  
2023).  
Revista Científica Educ@ção v.12● n.18edição especial/2026.  
Segundo o site oficial, o Matific é uma plataforma digital inteligente voltada à aprendizagem  
de Matemática, baseada em quatro pilares centrais (imagem 01). A proposta da ferramenta é tornar o  
estudo da Matemática mais envolvente, visual e personalizado, favorecendo tanto a compreensão  
conceitual quanto a prática de habilidades matemáticas (Matific, 2026).  
Imagem 01 Pilares centrais da Matific  
Fonte: Elaborado pela autora (2026) adaptado de Matific (2026)  
A plataforma também oferece recursos para professores, como atribuição de atividades por  
turma, grupo ou aluno, planejamento didático, monitoramento em tempo real, relatórios de  
desempenho e identificação de lacunas de aprendizagem. Além disso, o Matific utiliza avaliações  
diagnósticas e formativas para ajustar as atividades ao nível dos estudantes, incorporando elementos  
gamificados, como metas, conquistas, recompensas, personalização de avatar e desafios, com o  
objetivo de estimular o engajamento e a autonomia no processo de aprendizagem matemática  
(Matific,2026). Ainda segundo o site oficial, a pedagogia da plataforma fundamenta-se em cinco  
princípios centrais (imagem 03).  
Revista Científica Educ@ção v.12● n.18edição especial/2026.  
Imagem 02 Princípios pedagógicos da Matific  
Fonte: Elaborado pela autora (2026) adaptado de Matific (2026)  
A estrutura pedagógica do Matific também foi analisada pela EdTech Tulna2, em relatório  
avaliativo voltado à Matemática dos anos 3 a 5, no qual a plataforma recebeu a classificação “Exemplar”  
nas dimensões de qualidade do conteúdo, alinhamento pedagógico e tecnologia e design. A avaliação  
destaca que o Matific apresenta atividades matemáticas baseadas em jogos, organizadas de forma  
adaptativa conforme o desempenho do estudante, com recursos voltados ao engajamento cognitivo, à  
motivação, ao apoio docente e à construção progressiva dos conceitos. Além disso, o relatório aponta  
que a plataforma se fundamenta em uma abordagem construtivista, favorecendo a resolução de  
problemas, a experimentação, a visualização e o uso de andaimes pedagógicos para apoiar a  
aprendizagem.  
Com o objetivo de sistematizar as contribuições dos estudos selecionados para a compreensão  
do Matific, o quadro 2 a seguir reúne as principais informações identificadas na literatura analisada  
acerca das funcionalidades da plataforma e de seus aspectos pedagógicos.  
Quadro 2 - Funcionalidades e aspectos pedagógicos do Matific segundo os estudos analisados  
Estudo  
Funcionalidades  
Aspectos pedagógicos  
Marinelli  
(2024)  
Plataforma digital para ensino de conteúdos Recurso articulado  
à
gamificação  
e
às  
matemáticos; jogos digitais relacionados a metodologias ativas; favorece uma aprendizagem  
sólidos geométricos, planificação, vértices, mais lúdica, interativa e motivadora; apoia a  
arestas e faces; recurso pedagógico/digital visualização geométrica, a percepção espacial e a  
para atividades de Geometria.  
construção do pensamento geométrico dentro de  
uma sequência didática planejada.  
Huf (2024)  
Plataforma on-line de jogos matemáticos; Recurso  
acervo variado de atividades; atividades Aprendizagem  
complementar  
às  
UEPS  
apoia  
e
à
a
Significativa;  
2
A EdTech Tulna é uma iniciativa de avaliação de soluções educacionais digitais baseada em evidências e  
desenvolvida em parceria com os Institutos Indianos de Tecnologia (IITs). Seu objetivo é analisar a qualidade de  
produtos EdTech a partir de critérios relacionados ao conteúdo, ao alinhamento pedagógico e ao desenho  
tecnológico, oferecendo subsídios para que governos, instituições, investidores e desenvolvedores adotem  
soluções digitais com maior rigor e segurança.  
Revista Científica Educ@ção v.12● n.18edição especial/2026.  
 
organizadas do simples ao complexo; diferenciação  
progressiva  
dos  
conceitos;  
etapas internas com níveis progressivos de favorece a retomada e o aprofundamento de  
dificuldade; sistema de pontuação por conteúdos; contribui para o trabalho com  
estrelas; possibilidade de seleção/atribuição representações visuais e para a construção  
de atividades  
e
acompanhamento do gradual dos conceitos de frações.  
desempenho dos estudantes.  
Almeida  
(2026)  
Plataforma de matemática gamificada Aparece como ferramenta de suporte ao ensino  
vinculada à rede estadual paranaense; jogos de Matemática, associada ao raciocínio lógico, à  
interativos; desafios lúdicos; atividades de ludicidade e à aprendizagem mais dinâmica;  
diferentes conteúdos e níveis; recurso porém, o estudo também problematiza sua  
educacional digital de apoio às atividades inserção no processo de plataformização,  
em sala de aula.  
destacando  
obrigatoriedade,  
sobrecarga,  
limitações técnicas e tensões entre autonomia  
docente e política pública educacional.  
Rodrigues  
(2024)  
Plataforma digital on-line, acessível por Recurso  
computador, notebook, tablet e celular, aprendizagem  
voltado  
à
recomposição  
da  
matemática  
pós-pandemia;  
com uso on-line, off-line ou por aplicativo; fundamentado em gamificação, aprendizagem  
atribuição e gerenciamento de atividades; por jogos e personalização; favorece autonomia,  
relatórios individuais  
e
por turma; protagonismo discente,  
aprendizagem  
no  
monitoramento ao vivo; gerenciamento de próprio ritmo e engajamento, desde que mediado  
turmas; seleção de atividades por tópicos, pelo professor e adequado ao nível de habilidade  
BNCC, currículo do estado ou livro dos estudantes.  
didático; Arena, Zona de Treinamento, Ilha  
da Aventura, avatar, nave, moedas e  
recompensas.  
Rufino  
Carvalho  
(2025)  
e
e
Ambiente digital gamificado; relatórios Recurso associado ao engajamento, desempenho  
com pontuação, tempo de conclusão e acadêmico e desenvolvimento de habilidades  
porcentagem de acertos; acompanhamento cognitivas  
e
socioemocionais;  
favorece  
individual do desempenho; uso integrado a aprendizagem interativa, visual, narrativa e  
monitoramento institucional por dados e contextualizada, mas depende de mediação  
suporte técnico.  
docente,  
adaptação às necessidades dos estudantes.  
com Recurso com potencial para exploração  
ao conceitual, especialmente em geometria;  
intencionalidade  
pedagógica  
e
Santos,  
Borssoi  
Allevato  
(2025)  
Plataforma  
atividades  
digital  
interativas  
gamificada  
alinhadas  
currículo; interface intuitiva em ilhas de favorece conexões matemáticas, visualização,  
aventura; desafios, recompensas, manipulação, persistência, resolução de  
pontuação, feedback imediato, sistema de problemas, contagem, medição e articulação  
tentativa e erro, relatórios com tentativas, entre geometria e aritmética.  
tempo gasto e percentual de acerto; tarefas  
com  
quadriculada e medição.  
Plataforma paga,  
gratuitamente aos estudantes paranaenses “aprenda fazendo”; aproxima os estudantes da  
por convênio; voltada aos 6º e 7º anos na Matemática por meio de desafios, mas o autor  
rede estadual; mundo de fantasia com ressalta que, naquele momento, ainda não era  
manipulação  
visual,  
malha  
Zanette  
(2023)  
disponibilizada Associada à gamificação de conteúdo e ao  
desafios matemáticos; gamificação de possível  
afirmar  
impacto  
efetivo  
na  
exercícios; atividades sem aulas expositivas, aprendizagem e aponta fragilidade na formação  
centradas em desafios.  
Fonte: Elaborado pela autora (2026).  
docente, por ser prática  
aprofundamento teórico.  
e
breve, sem  
Diante das discussões apresentadas, compreende-se que o Matific se configura como um  
recurso pedagógico digital com potencial para ampliar as possibilidades de ensino e aprendizagem da  
Matemática, especialmente por articular gamificação, atividades interativas, feedbacks, personalização e  
acompanhamento do desempenho discente. Os estudos analisados indicam que a plataforma pode  
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favorecer o engajamento, a visualização de conceitos, a resolução de problemas e a construção gradual  
do conhecimento matemático.  
A implementação do Matific na rede estadual do Paraná ocorreu em um contexto de retorno  
às aulas presenciais, marcado pelo diagnóstico de ampliação das defasagens em Matemática após o  
período pandêmico3, sendo que entre 2020 e 2021,o Estado já tinha iniciado um projeto piloto com a  
plataforma em algumas escolas; e posteriormente, em 2022, firmou parceria com a empresa e  
disponibilizou acesso gratuito a todos os estudantes do 6º ano da rede pública estadual, com a  
finalidade de contribuir para a recomposição da aprendizagem matemática, pedagógica, e em 2023,  
ampliou para os estudantes do 7º ano. A escolha da plataforma esteve relacionada à necessidade de  
flexibilizar o currículo, atender às individualidades dos estudantes, promover um ambiente mais  
acolhedor e dialogar com a realidade digital dos alunos. Entretanto, a formação dos professores  
ocorreu apenas após a implementação da ferramenta, o que gerou dificuldades iniciais para sua  
utilização (Rodrigues, 2024).  
Rufino e Carvalho (2025) apontam que, na rede estadual do Paraná, o uso do Matific foi  
instituído de forma obrigatória, com definição de metas semanais para professores e estudantes, com  
o acompanhamento dessas metas por meio de ferramentas de monitoramento, como o Power BI, além  
do suporte técnico contínuo oferecido pelos chamados “embaixadores da educação matemática”. Esse  
processo evidencia que a incorporação da plataforma não se limita à disponibilização de um recurso  
digital, mas integra uma política educacional orientada por dados, acompanhamento sistemático e  
controle do uso pedagógico das tecnologias. Dessa forma, a inserção do Matific também revela  
mudanças na organização escolar, nas atribuições docentes e nos modos de gestão do ensino de  
Matemática no contexto pós-pandêmico.  
Segundo dados divulgados pela própria plataforma Matific (2023), a parceria estabelecida com  
o governo do Paraná teria apresentado resultados positivos no desempenho dos estudantes em  
Matemática. De acordo com a empresa, a ferramenta foi implantada na grade curricular de  
aproximadamente 130 mil estudantes do 6º ano da rede pública estadual, e a média de desempenho na  
Prova Paraná teria passado de 46,2%, em 2021, para 55,5%, em 2022. A plataforma também informa  
atender 5,1 mil turmas, 2,7 mil professores, 399 municípios, 32 Núcleos Regionais de Educação e 35  
técnicos pedagógicos. Esses dados indicam a amplitude da implementação no estado; contudo, por se  
tratar de informações institucionais divulgadas pela própria empresa, devem ser interpretados com  
cautela, especialmente quanto à atribuição direta de causalidade entre o uso do Matific e a melhoria  
dos resultados avaliativos.  
O Secretário de Educação do Estado do Paraná, Roni Miranda Vieira, destacou os avanços  
significativos no desempenho dos estudantes em Matemática após a implantação da plataforma  
educacional no 6º ano do Ensino Fundamental. Segundo ele, os resultados da última edição da Prova  
Paraná evidenciam uma melhora expressiva na proficiência dos alunos, reflexo direto da utilização da  
ferramenta (Matific, 2023).  
Após compreender como a plataforma Matific foi implementada na rede estadual paranaense  
e reconhecer suas múltiplas facetas, torna-se necessário observar como esse recurso tem sido  
mobilizado nas práticas pedagógicas dos professores de Matemática. Nesse sentido, os estudos  
analisados permitem identificar diferentes formas de utilização da plataforma com estudantes dos anos  
finais do Ensino Fundamental, bem como os resultados e percepções decorrentes dessas experiências.  
O quadro 3 a seguir sistematiza essas contribuições, evidenciando tanto as possibilidades pedagógicas  
associadas ao uso do Matific quanto os desafios e limites observados em sua implementação no  
contexto escolar.  
Quadro 3 - Uso do Matific na rede estadual paranaense: práticas, resultados e percepções  
Estudo  
Como o Matific é utilizado  
Resultados/percepções  
3 O período pandêmico refere-se à pandemia de COVID-19, doença causada pelo vírus SARS-CoV-2, declarada  
pela Organização Mundial da Saúde em março de 2020. Na educação brasileira, esse contexto provocou a  
interrupção das aulas presenciais e a implementação de estratégias de ensino remoto durante os anos de 2020 e  
2021, gerando impactos significativos nos processos de ensino e aprendizagem.  
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Rodrigues  
(2024)  
Uso com turmas de 6º ano da rede estadual do Utilizado  
Paraná, no contexto de recomposição da aprendizagem, flexibilização curricular e  
aprendizagem matemática pós-pandemia, atendimento às individualidades dos  
para  
recomposição  
da  
posteriormente sendo ampliada ao 7º ano em 2023. estudantes. A formação docente tardia  
dificultou seu uso pedagógico inicial.  
Rufino  
Carvalho  
(2025)  
e
e
Uso em turma de 6º ano de escola pública estadual Atividades  
do Paraná, com atividades voltadas a operações, favoreceram  
visuais  
e
narrativas  
o
engajamento  
e
a
múltiplos, divisores e raciocínio lógico.  
aprendizagem, enquanto conteúdos mais  
abstratos exigiram maior mediação  
docente.  
O
uso da plataforma foi  
acompanhado por metas, monitoramento  
e suporte técnico.  
Santos,  
Borssoi  
Allevato  
(2025)  
Uso com estudantes do 6º ano em tarefas de  
O
uso  
da  
plataforma  
favoreceu  
perímetro, envolvendo geometria dinâmica, envolvimento, persistência, resolução de  
elementos gamificados e análise de relatórios da problemas e conexões entre geometria e  
plataforma.  
aritmética, mobilizando estratégias de  
visualização, contagem e medição.  
Huf (2024)  
Uso do Matific articulado a Unidades de Ensino Favoreceu a retomada de conteúdos e o  
Potencialmente Significativas, com foco em atendimento diferentes níveis de  
frações recomposição/aprofundamento de aprendizagem, embora tenha ampliado os  
conceitos.  
a
e
desafios do trabalho docente diante das  
demandas institucionais.  
Almeida  
(2026)  
Analisa a política de plataformas digitais na rede A plataforma é percebida como recurso  
pública paranaense, incluindo o Matific entre os que favorece o interesse e a aprendizagem  
recursos utilizados.  
dos  
estudantes,  
embora  
suscite  
preocupações sobre autonomia docente e  
intensificação do trabalho escolar.  
Zanette  
(2023)  
Menciona o Matific no conjunto de plataformas O autor observa que, no Paraná, o uso de  
gamificadas utilizadas institucionalmente na plataformas como Matific Khan  
e
Matemática da rede estadual.  
Academy não aparece apenas como  
possibilidade, mas como obrigação  
docente. Também ressalta fragilidades na  
formação para uso dessas ferramentas.  
Marinelli  
(2024)  
O estudo propõe uma sequência didática para o Como se trata de uma proposta de  
ensino de sólidos geométricos no 6º ano do Ensino sequência didática, não de uma  
e
Fundamental, fundamentada nos níveis de Van aplicação empírica, o estudo não descreve  
Hiele e em metodologias ativas, especialmente interações reais dos estudantes com a  
gamificação e modelagem matemática. O Matific plataforma. Ainda assim, a proposta  
aparece como recurso gamificado dentro da pressupõe que os alunos utilizem os jogos  
sequência, por meio dos jogos “Combine as faces do Matific para explorar visualmente os  
dos prismas” e “A figura chave”, voltados à sólidos geométricos, reconhecer suas  
planificação de sólidos e à identificação de vértices, faces, quantificar elementos e avançar do  
arestas e faces.  
reconhecimento visual para níveis mais  
analíticos do pensamento geométrico.  
Fonte: Elaborado pela autora (2026)  
A análise realizada permite compreender que o Matific se insere em uma demanda  
contemporânea da educação: a necessidade de incorporar tecnologias digitais às práticas pedagógicas  
de modo mais coerente com os modos de aprender dos estudantes atuais. Em um contexto marcado  
pela cultura digital, pelos chamados nativos digitais e pela ampliação dos recursos de inteligência  
artificial, a escola é convocada a repensar metodologias, linguagens e formas de mediação. Nesse  
sentido, a discussão sobre o Matific não se limita à adoção de uma plataforma, mas envolve um  
movimento mais amplo de transformação educacional, no qual as tecnologias passam a dialogar com  
a personalização da aprendizagem, o acompanhamento de trajetórias e a criação de experiências mais  
interativas.  
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Essa perspectiva se articula às orientações da BNCC, da BNCC Computação e dos referenciais  
sobre Inteligência Artificial na Educação Básica, uma vez que esses documentos apontam para a  
formação de estudantes capazes de compreender, utilizar e refletir criticamente sobre as tecnologias.  
A presença de eixos como pensamento computacional, mundo digital e cultura digital reforça que a  
tecnologia, na escola, não deve ser tratada apenas como recurso operacional, mas como parte da  
formação integral dos sujeitos. No ensino de Matemática, essa integração torna-se especialmente  
relevante, pois pode favorecer a resolução de problemas, o raciocínio lógico, a visualização de  
conceitos e a construção de relações entre diferentes representações matemáticas.  
À luz desse contexto, a análise conjunta dos estudos evidencia importantes convergências  
acerca do uso do Matific no ensino de Matemática. De modo geral, as pesquisas apontam que a  
plataforma favorece o engajamento dos estudantes, amplia a participação nas atividades e contribui  
para a aprendizagem de conteúdos matemáticos por meio de recursos gamificados, desafios interativos  
e feedbacks imediatos. Além disso, os estudos destacam potencialidades relacionadas à visualização de  
conceitos, à resolução de problemas, à retomada de conteúdos e ao atendimento de diferentes ritmos  
de aprendizagem (Rodrigues, 2024; Huf, 2024; Santos; Borssoi; Allevato, 2025; Rufino; Carvalho,  
2025). Dessa forma, observa-se um consenso entre os autores quanto às contribuições pedagógicas da  
plataforma para o ensino e a aprendizagem matemática.  
Entretanto, os estudos também demonstram que tais resultados não decorrem exclusivamente  
da utilização da tecnologia. Huf (2024) e Rufino e Carvalho (2025) ressaltam que a mediação docente  
permanece fundamental para a compreensão de conteúdos mais abstratos e para a integração das  
atividades ao planejamento pedagógico. Além disso, Rodrigues (2024) e Zanette (2023) apontam  
desafios relacionados à formação dos professores para o uso pedagógico das plataformas digitais,  
indicando que a efetiva incorporação dessas ferramentas exige processos formativos contínuos,  
acompanhamento pedagógico e condições adequadas de implementação.  
Por outro lado, as principais divergências identificadas na literatura concentram-se menos na  
eficácia pedagógica do Matific e mais nos efeitos de sua implementação como política educacional.  
Enquanto os estudos que analisam experiências de sala de aula enfatizam benefícios relacionados ao  
engajamento e à aprendizagem (Rodrigues, 2024; Huf, 2024; Santos; Borssoi; Allevato, 2025), pesquisas  
com foco na gestão educacional e na plataformização da educação problematizam aspectos como  
obrigatoriedade de uso, monitoramento por indicadores, redução da autonomia docente e  
intensificação do trabalho escolar (Almeida, 2026; Zanette, 2023; Rufino; Carvalho, 2025). Assim,  
embora exista consenso sobre o potencial pedagógico da plataforma, permanecem em debate as  
implicações de sua utilização institucionalizada no contexto da rede estadual paranaense.  
CONSIDERAÇÕES FINAIS  
A pesquisa permitiu compreender que o Matific vem sendo utilizado na rede estadual  
paranaense como uma plataforma gamificada de apoio à aprendizagem matemática, inserida em um  
contexto mais amplo de incorporação das tecnologias digitais à educação contemporânea. Sua presença  
dialoga com demandas formativas relacionadas à cultura digital, ao pensamento computacional, à  
inteligência artificial e à necessidade de práticas pedagógicas mais interativas para estudantes que já  
vivenciam intensamente o mundo digital.  
Os objetivos específicos propostos também foram contemplados ao longo da investigação.  
Inicialmente, contextualizou-se a inserção das tecnologias na educação contemporânea, evidenciando  
sua relação com a cultura digital, o pensamento computacional e as diretrizes educacionais vigentes.  
Em seguida, foram descritas as características e potencialidades pedagógicas do Matific, destacando  
seus recursos gamificados, adaptativos e de acompanhamento da aprendizagem. Por fim, a análise dos  
estudos selecionados permitiu compreender as múltiplas formas de utilização da plataforma na rede  
estadual paranaense, bem como suas contribuições, desafios e implicações para o ensino e a  
aprendizagem da Matemática.  
Em resposta à problemática do estudo, observa-se que o Matific tem sido utilizado para apoiar  
a retomada de conteúdos, favorecer o engajamento dos estudantes, possibilitar atividades mais visuais  
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e interativas, acompanhar desempenhos por meio de relatórios e oferecer experiências de  
aprendizagem mais personalizadas. No ensino de Matemática, essas características podem contribuir  
para a visualização de conceitos, a resolução de problemas, o raciocínio lógico e a construção gradual  
do conhecimento, especialmente quando a plataforma é integrada a sequências didáticas planejadas e  
mediadas pelo professor.  
Entretanto, a análise também evidencia que a tecnologia não produz aprendizagem de forma  
automática. Sua efetividade depende da formação dos professores, da infraestrutura disponível, do  
tempo pedagógico, da leitura crítica dos dados gerados pela plataforma e da preservação da autonomia  
docente. Como limitação, destaca-se que este estudo se baseou em revisão narrativa de literatura, sem  
coleta direta com professores e estudantes. Dessa forma, recomenda-se que novas pesquisas  
investiguem empiricamente o uso do Matific em diferentes escolas da rede estadual paranaense,  
considerando as percepções dos sujeitos envolvidos, as condições de implementação e seus efeitos  
concretos na aprendizagem matemática.  
Portanto, compreende-se que o Matific contribui para a aprendizagem dos alunos dos anos  
finais do Ensino Fundamental ao possibilitar experiências matemáticas mais interativas, gamificadas e  
personalizadas, favorecendo o engajamento, a visualização de conceitos e o acompanhamento das  
dificuldades. Contudo, essa contribuição se efetiva quando a plataforma é integrada ao planejamento  
pedagógico e mediada pelo professor, articulando tecnologia, intencionalidade didática e aprendizagem  
significativa.  
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Submetido em abril de 2026  
Aprovado em julho de 2026  
Informações do (a) (s) autor(a)(es)  
Revista Científica Educ@ção v.12● n.18edição especial/2026.  
Nome do autor: Luana Fernanda Deoclecio  
Grau de escolaridade: Aluna da Pós-Graduação Latu Sensu em Inovação e Tendências na Educação  
Mestranda no PPGFCET/UTFPR  
Afiliação institucional: Instituto Federal Baiano - Universidade Tecnológica Federal do Paraná  
Informações do (a) (s) autor(a)(es)  
Nome do autor: Társio Ribeiro Cavalcante  
Grau de escolaridade: Doutor em Educação e Contemporaneidade pelo Programa de Pós-Graduação em  
Educação e Contemporaneidade (PPGEduC) da Universidade do Estado da Bahia (UNEB)  
Afiliação institucional: Instituto Federal Baiano  
Revista Científica Educ@ção v.12● n.18edição especial/2026.