Dessa forma, a metodologia adotada permitiu sustentar as discussões apresentadas ao longo
do trabalho, contribuindo para uma análise mais ampla e fundamentada sobre o tema investigado.
Resultado e discussões
A Matemática não surgiu pronta, nem de forma abstrata como muitas vezes é apresentada
na escola. Ela nasceu das necessidades humanas mais básicas, ainda nos tempos mais antigos, quando
o homem precisou compreender o mundo ao seu redor. Contar objetos, dividir alimentos, medir
espaços e organizar o tempo foram algumas das primeiras situações que exigiram o desenvolvimento
de ideias matemáticas.
Desde a Pré-História, já era possível perceber formas iniciais desse conhecimento. Mesmo
sem registros escritos formais, o ser humano utilizava marcas, desenhos e outros recursos simples
para representar quantidades e resolver problemas do cotidiano. Aos poucos, essas práticas foram se
aprimorando, acompanhando o desenvolvimento das sociedades
Assim, ao longo das leituras e reflexões realizadas, fica evidente que a Matemática ainda é
vista por muitos alunos como algo difícil, distante e, em alguns casos, até assustador. Isso não
acontece por acaso. Em grande parte, essa visão está ligada à forma como a disciplina é ensinada,
muitas vezes baseada na repetição e na memorização, sem uma ligação clara com a vida real. Como
lembra Maccarini (2010), quando o conteúdo não faz sentido para o aluno, ele acaba perdendo o
interesse e tendo mais dificuldade em aprender.
Mas quando a gente olha para a história da Matemática, percebe que ela nasceu justamente
do contrário: da necessidade. As pessoas precisavam contar, dividir, medir, organizar o tempo... ou
seja, resolver problemas do dia a dia. Os próprios documentos educacionais mostram que a
Matemática foi construída ao longo do tempo para atender às necessidades da vida em sociedade
(Brasil, 2018). Isso já nos faz pensar: por que, então, ela ainda é ensinada de forma tão distante da
realidade dos alunos?
Outro ponto importante é lembrar que a criança não chega à escola sem saber nada. Pelo
contrário, ela já traz consigo várias experiências. Quando brinca, quando divide algo com alguém,
quando participa de jogos, ela já está usando ideias matemáticas, mesmo sem perceber. Piaget (1975)
já explicava que o conhecimento se constrói a partir da interação com o mundo, ou seja, aprender
não é decorar, é construir sentido.
É nesse contexto que a ludicidade ganha força. Trazer o jogo, a brincadeira e o desafio para
dentro da sala de aula não é apenas “deixar a aula mais divertida”, como às vezes se pensa. É criar
um ambiente onde o aluno participa, pensa, testa, erra e tenta de novo. Huizinga (2019) já dizia que
o jogo faz parte da cultura humana, e Kishimoto (2011) reforça que ele pode ser um grande aliado
no processo de aprendizagem.
Além disso, brincar tem um papel muito mais profundo do que parece. Vygotsky (2007, p.
122) destaca que “a criança aprende muito ao brincar”, mostrando que, nesse momento, ela
desenvolve não só o pensamento, mas também suas relações sociais e sua forma de ver o mundo. Ou
seja, o brincar também é coisa séria quando se fala em aprender.
Quando essa ideia chega ao ensino da Matemática, os resultados podem ser bastante
positivos. Atividades lúdicas ajudam o aluno a pensar mais, a se envolver e até a perder aquele medo
que muitos têm da disciplina. Rêgo e Rêgo (2012) mostram que o uso de jogos favorece a troca de
ideias e o desenvolvimento do raciocínio lógico, tornando o aluno mais ativo no processo.
Claro que tudo isso não acontece sozinho. O professor tem um papel fundamental. É ele
quem organiza, propõe, orienta. Moran (2015) chama atenção para a importância de usar diferentes
estratégias de ensino, justamente para tornar a aprendizagem mais significativa. E isso faz todo
sentido, porque cada aluno aprende de um jeito.
Revista Científica Educ@ção v.11● n.17● jan-dez/2026 ●Demanda contínua.