Contudo, a mudança da cultura docente está para além da conquista de títulos, implica na
condição dos professores olharem-se diante da realidade social, política e cultural, para qualificar-se na
perspectiva de atender significativamente a necessidade do público que está sob a tutoria docente, eis
a razão para não se parar nas buscas, a considerar que são estas que definem o que se necessita conhecer
além da formação inicial.
Nessa perspectiva, Valente (2018) apresenta as metodologias ativas como “alternativas
pedagógicas que colocam o foco do processo de ensino e de aprendizagem no aprendiz, envolvendo-
o na aprendizagem por descoberta, investigação ou resolução de problemas” (p.12). De tal modo, essa
abordagem metodológica contrapõe as metodologias tradicionais centrada na figura do professor e no
ensino verticalizado, distante da realidade dos estudantes.
No contexto da tecnologia digital, os inúmeros recursos mais simples desde os grupos de
WhatsApp, por meio das trocas de mensagens textuais sobre temáticas, aos mais complexos como
exploração de vídeos, criação de blogs para discussão sobre assuntos, curadoria para indicação de sites
para pesquisas, fazem toda diferença, pois no contexto atual, o momento aula já não se resume ao
professor explicar determinado assunto ou expor demonstrações com utilização da lousa ou apenas
textos impressos, mas acima de tudo mediar os estudantes aos conhecimentos.
Partindo desse olhar crítico e reflexivo sobre o fazer pedagógico, entre as situações que
marcaram nas memórias docentes no que tange às andanças formativas, após orientações sobre leitura
e produção de textos para crianças dos anos iniciais, ouvirmos relatos como “Professora, admiro
metodologias com recursos visuais e tecnológicos, mas não consigo perceber avanço com meus alunos
com atividades desse tipo, até passo vídeos, mas de forma pontual, sem sequência didática e sem
avaliação” (Prof. G).
Do mesmo modo, em outra situação, ao dialogarmos com alguns professores sobre a melhoria
do ensino e aprendizagem, ouvimos expressões do tipo: “Embora a gente saiba que os alunos estão
conectados sempre, mas não dá pra ensinar sem desconectar, eles se dispersam muito rápido com a
tecnologia digital” (Prof. I).
Embora o relato da Prof. G evidencie suas limitações em explorar os recursos tecnológicos
para o ensino, nos mostra que parte de sua limitação está no seu contexto formativo, que mesmo com
pouco tempo de formação inicial e ingresso na docência, a formação continuada se faz necessário, e
isso se deve não apenas à sua necessidade pedagógica, mas à própria escola enquanto instituição
responsável pelo ensino oportunizar e oferecer tais conhecimentos, de modo a enriquecer as
metodologias de ensino, que provavelmente não se configurem apenas na prática da referida
professora, mas de outros atuantes na instituição.
Por outro lado, o relato do Prof. I nos incomoda, pois ao mesmo tempo em que admite a
possibilidade de acesso dos alunos à tecnologia, negligência a importância dos conhecimentos dos
alunos sobre ela, além de se negar a oportunizar nas suas práticas pedagógicas o uso e a exploração
dos recursos tecnológicos.
Da mesma forma, Prof. B, com pouco tempo de experiência e Prof. H, com mais de dez anos
de experiência também se limitam a explorar as tecnologias digitais no ensino, segundo eles os alunos
não levam a sério as abordagens com uso da tecnologia, principalmente quando é com o celular, eles
rápido migram para outros espaços e o que eles se propõem a ensinar fica desprezado. Fica evidente
nos relatos que se trata da falta de domínio docente sobre a atividade, o que reflete a necessidade de
um conhecimento específico sobre o uso adequado, um direcionamento para explorar os recursos
tecnológicos com qualidade.
Já os Prof. C, Prof. D, e Prof. E, ambos com mais de dez anos de profissão reconhecem a
riqueza de aulas com tecnologias digitais, confirmaram ser muito presente em suas práticas e que
percebem que a aprendizagem ocorre concomitante com a prática. Consideram que as aulas se tornam
mais prazerosas, participativas, dialógicas e reflexivas. E ainda argumentaram que o tempo curto para
aulas e a falta de um espaço específico para uso desses recursos são insuficientes mediante a
importância da qualidade da aprendizagem com essas metodologias.
De modo geral, se encontram um peso equitativo com relação às práticas e concepções do
colabores memorizados, contudo, é perceptível que num contexto atual em que os estudantes
encontram-se confortáveis em suas realidades tecnológicas, cabe às práticas docentes se adequarem a
Revista Científica Educ@ção v.12● n.18● edição especial/2026.