incluído, é preciso garantir que o aluno faça parte, interaja, aprenda e se reconheça como sujeito ativo
no ambiente escolar.
Conforme aponta Lazaretti (2020),
É responsabilidade do professor, via seu trabalho pedagógico, criar oportunidades
para que o educando use a criatividade, explorando, testando, montando e
desmontando coisas, tipo blocos e empilhando caixas. No entanto, o escritor
salienta que, a cada etapa do desenvolvimento, surgem características e sucessos
únicos que precisam ser nutridos (LazarettI, 2020, p. 119).
Outro ponto relevante diz respeito à necessidade de compreender a inclusão como um
processo contínuo e em construção. Não se trata de algo que se alcança de forma imediata, mas de um
caminho que exige reflexão constante, avaliação das práticas e disposição para mudanças. Cada avanço,
por menor que pareça, representa uma conquista significativa na construção de uma educação mais
equitativa.
No caso dos estudantes com TEA, essa compreensão é fundamental. O autismo,
caracterizado por diferenças na comunicação, na interação social e no comportamento, manifesta-se
de formas diversas, o que exige um olhar atento e individualizado por parte dos educadores. Cada
aluno apresenta necessidades específicas, e é justamente nesse reconhecimento da diversidade que a
prática pedagógica se fortalece. Não há uma única forma de ensinar, assim como não há uma única
forma de aprender.
A legislação brasileira tem avançado significativamente na garantia do direito à educação
inclusiva. Documentos como a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação
Inclusiva e a Lei Brasileira de Inclusão reforçam o compromisso com uma escola acessível, que ofereça
suporte adequado e promova a equidade. No caso específico do autismo, a Lei nº 12.764/2012
representa um marco importante ao reconhecer a pessoa com TEA como sujeito de direitos,
assegurando sua participação plena na sociedade, inclusive no ambiente escolar. No entanto, apesar
desses avanços legais, ainda existem desafios concretos no cotidiano das escolas, como a falta de
recursos, a necessidade de formação docente e a persistência de barreiras atitudinais. Assim,
A educação, direito de todos, será promovida e incentivada com a colaboração da
sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o
exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho (Brasil, 1988, art. 205).
Diante disso, torna-se essencial que as políticas públicas não apenas existam, mas sejam
efetivamente implementadas. A garantia de recursos, investimentos na formação de professores e
acompanhamento das práticas escolares são fatores fundamentais para que a inclusão deixe de ser
apenas um princípio teórico e se concretize no dia a dia das instituições de ensino.
Nesse cenário, o papel do professor ganha destaque. Ensinar em uma perspectiva inclusiva
implica repensar práticas, flexibilizar o currículo e buscar estratégias que atendam às diferentes formas
de aprendizagem. Metodologias diversificadas, adaptações pedagógicas e o uso de recursos como a
tecnologia assistiva podem favorecer significativamente o processo educativo, ampliando as
possibilidades de participação dos alunos com TEA. Mais do que adaptar conteúdos, trata-se de
construir caminhos que permitam ao estudante aprender de forma significativa, respeitando seu tempo
e suas potencialidades.
É importante ressaltar também que o trabalho docente não deve ocorrer de forma isolada.
A colaboração entre professores, profissionais de apoio e equipe gestora contribui para a construção
de práticas mais eficazes e inclusivas. O compartilhamento de experiências e estratégias fortalece o
processo educativo e amplia as possibilidades de atendimento às necessidades dos alunos.
A tecnologia, nesse contexto, surge como uma aliada importante. Recursos que auxiliam na
comunicação, na organização das atividades e na compreensão de conteúdos podem contribuir para a
autonomia e o engajamento dos alunos. No entanto, é essencial compreender que a tecnologia, por si
só, não garante a inclusão. Ela precisa estar articulada a práticas pedagógicas intencionais e a um
ambiente acolhedor, que valorize o estudante em sua totalidade.
Revista Científica Educ@ção v.11● n.17● jan-dez/2026 ●Demanda contínua.