INTERPRETAÇÃO INTEGRADA: CONFIRMAÇÃO DA HIPÓTESE E
RELAÇÃO COM OS OBJETIVOS
Considerando a literatura e os documentos examinados, os resultados sustentam a hipótese
do estudo: quando a formação profissional em Educação Física é fundamentada em princípios
inclusivos e articulada às políticas públicas, amplia-se a capacidade de utilizar o esporte como
instrumento de inclusão social; porém, lacunas estruturais e formativas limitam a efetivação dessas
práticas. Isso se evidencia tanto nas barreiras observadas em espaços públicos de esporte e lazer quanto
nas lacunas do trato pedagógico do paradesporto no contexto escolar. (Santos & Pereira, 2023; Fraga
& Silva, 2024).
Do ponto de vista sistêmico, os marcos internacionais e educacionais apontam que inclusão
exige reorganização institucional e superação de obstáculos ao acesso e à participação. Assim, a
inclusão pelo esporte demanda convergência entre infraestrutura acessível, mediação pedagógica
qualificada e políticas públicas consistentes, o que recoloca a formação inicial e continuada como eixo
estruturante para aproximar os discursos normativos das práticas profissionais. (UNESCO, 2019;
UNESCO, 1994; Sassaki, 2009).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A análise desenvolvida ao longo deste estudo permitiu compreender que a relação entre
esporte, inclusão e formação profissional em Educação Física é complexa, multifacetada e
profundamente condicionada por fatores pedagógicos, institucionais e políticos. O objetivo geral da
pesquisa, analisar criticamente essa relação, discutindo limites e potencialidades da formação inicial e
continuada para a construção de práticas esportivas inclusivas, foi plenamente alcançado, uma vez que
a literatura e os documentos examinados evidenciam tanto o potencial transformador do esporte
quanto os entraves que ainda limitam sua efetivação como instrumento de inclusão social.
Os resultados indicam que o esporte, quando compreendido para além do rendimento e da
competição, pode constituir-se como um importante recurso pedagógico e sociocultural, capaz de
promover participação, convivência com a diversidade e desenvolvimento humano. Contudo, essa
potencialidade não se concretiza de forma automática. Ao contrário, ela depende diretamente das
condições em que as práticas esportivas são organizadas, dos valores que orientam sua condução e,
sobretudo, da formação profissional do educador físico responsável por mediar essas experiências.
A pesquisa evidenciou um descompasso persistente entre os marcos legais e conceituais da
educação inclusiva e as práticas esportivas efetivamente desenvolvidas em diferentes contextos
escolares, comunitários e de políticas públicas de esporte e lazer. Embora documentos internacionais
e nacionais afirmem a inclusão como princípio fundamental, a materialização desses pressupostos
encontra obstáculos concretos, como barreiras arquitetônicas, ausência de acessibilidade metodológica,
fragilidades na gestão dos espaços esportivos e limitações na qualificação profissional. Tais entraves
reforçam a compreensão de que a inclusão não se resume à intenção normativa, mas exige ações
sistemáticas e estruturais.
Nesse sentido, a formação profissional em Educação Física emerge como variável central para
explicar por que o esporte, muitas vezes, não alcança seu potencial inclusivo. A formação inicial ainda
apresenta lacunas no trato pedagógico da inclusão, do paradesporto e das adaptações metodológicas
necessárias para garantir a participação de todos. De modo semelhante, a formação continuada nem
sempre é ofertada de forma sistemática e articulada às demandas reais da prática profissional, o que
limita a atualização conceitual e metodológica dos educadores físicos diante da diversidade humana
presente nos diferentes contextos de atuação.
A hipótese da pesquisa, de que a formação em Educação Física, quando fundamentada em
princípios inclusivos, referenciais críticos e articulada às políticas públicas, potencializa o esporte como
instrumento de inclusão social, mas que lacunas formativas limitam essa atuação, foi confirmada pelos
achados do estudo. A literatura analisada demonstra que práticas esportivas inclusivas dependem da
Revista Científica Educ@ção v.11● n.17● jan-dez/2026 ●Demanda contínua.