Desse modo, a materialização destas práticas pedagógicas frente ao que é posto pelas DCNEI
(Brasil, 2010), a escola se consolida como um ambiente de mediação cultural, pois os etnométodos
identificados evidenciam que os conhecimentos artísticos são mediados por ações pedagógicas que
favorecem, promovem e asseguram às crianças o contato com diferentes formas de expressões, experiências
estéticas. Cabe ressaltar que, conforme a Base Nacional Comum Curricular (Brasil, BNCC, 2018) Explorar
e Expressar englobam os Direitos de aprendizagem e desenvolvimento na Educação Infantil,
Explorar movimentos, gestos, sons, formas, texturas, cores, palavras, emoções,
transformações, relacionamentos, histórias, objetos, elementos da natureza, na escola e
fora dela, ampliando seus saberes sobre a cultura, em suas diversas modalidades: as artes,
a escrita, a ciência e a tecnologia. Expressar, como sujeito dialógico, criativo e sensível,
suas necessidades, emoções, sentimentos, dúvidas, hipóteses, descobertas, opiniões,
questionamentos, por meio de diferentes linguagens (Brasil, BNCC, 2018, p. 34).
Neste sentido, o fazer pedagógico das professoras está alinhado ao que é prescrito pelos
documentos que orientam o currículo da Educação Infantil, ao proporcionar experiências que permitem à
criança explorar os diferentes movimentos artísticos em que venha ter acesso e possa se expressar-se de
forma crítica e sensível, respeitando suas singularidades e as etapas de seu desenvolvimento. No entanto, a
inserção de referenciais histórico-artísticas possa servir como base e ampliação da bagagem estética e
cultural, a fim de colaborar no processo de contextualização e fruição quanto às expressões artísticas
desenvolvidas, mas, as ações pedagógicas observadas constataram que as professoras colaboradoras tinham
como propósito garantir às crianças desta escola pública municipal o acesso a experiências estéticas diante
da exploração e disponibilidade de materiais, recursos e superfícies diversas que vão além de uma folha de
papel e lápis de cores. Portanto, diante de um contexto com pouca infraestrutura e que, muitas vezes, não
há acesso à internet, impressões regulares, projetores, é evidente que há um esforço destas profissionais em
fazer da escola uma porta de acesso à cultura, onde muitas nunca estiveram em um museu, em um ateliê,
em um cinema ou teatro. E isto ganha potência quando este ensino é de qualidade, visto que as propostas
pedagógicas desenvolvidas viabilizaram que estas crianças estabelecessem relações entre suas produções
criativas, suas ações cotidianas e a maneira como percebem seus contextos (Produção, Fruição e Contexto),
fazendo, assim, a escola como um ambiente de mediação cultural.
Nesse sentido, ao longo desse período de observação no campo escolar, compreendi que a
intencionalidade pedagógica que abrange a práxis das colaboradoras não se mantém apenas pelo anseio em
oportunizar às crianças o acesso à arte e cultura através da educação. De mesmo modo, captei que o papel
da coordenação pedagógica se mostra fundante para a promoção dos conhecimentos artísticos e formação
continuada das docentes, assim como é citado por Cunha, Ometto e Prado (2013, p. 172), ao afirmarem que
“os coordenadores pedagógicos são os interlocutores privilegiados entre os professores em suas reflexões
sobre a prática e responsáveis por promover a formação continuada no cotidiano da escola”.
Assim, percebi que a coordenação pedagógica tem como propósito fazer da escola um espaço de
formação continuada para as professoras que estão em serviço, adaptado à realidade e ao cotidiano, sendo
realizado em momento de atividade complementar interna delas. Esses momentos formativos eram
mediados pela coordenadora como uma maneira de construção coletiva, reflexões e escutas sensíveis quanto
ao seu dia a dia junto às crianças, trazendo à tona diálogos que mostram a complexidade das demandas que
emergem no cotidiano da Educação Infantil, no intuito de trazer suas percepções, até como uma
autoavaliação das práticas que são desenvolvidas. Quanto a isto, Nóvoa (2002, p. 57) reitera que “a formação
não se constrói por acumulação (de cursos, de conhecimentos ou técnicas), mas sim através de um trabalho
de reflexividade crítica sobre as práticas e de (re)construção permanente de uma identidade pessoal”.
Nesse sentido, Geglio (2010) aborda que a dimensão do papel profissional da coordenação
pedagógica como um formador se dá em razão à sua atribuição como mediador do processo de ensino-
aprendizagem na escola, por exigir que sua práxis se efetive no próprio território escolar. Assim, é notório
que as educadoras da escola investigada enxergam os conhecimentos artísticos como essenciais no Currículo
da Educação Infantil, se esforçando para que ele possa permear o contexto escolar, sem o diminuir como
Revista Científica Educ@ção v.11● n.17● jan-dez/2026 ●Demanda contínua.