ESCOLA COMO UM AMBIENTE DE MEDIAÇÃO CULTURAL  
NA EDUCAÇÃO INFANTIL: relato de experiência de uma mestranda  
no campo de pesquisa  
Resumo  
O presente relato de experiência busca promover discussões e reflexões que surgiram a partir das ações  
investigativas realizadas durante o período de imersão de uma mestranda no campo de pesquisa ao longo  
de três meses, vinculada a uma pesquisa de mestrado em desenvolvimento, tendo como finalidade  
descrever as vivências, observações e implicações enquanto pesquisadora no âmbito escolar. Portanto, o  
objetivo, desta etapa da pesquisa, foi compreender se a escola é um ambiente de mediação cultural no  
âmbito da Educação Infantil a partir da promoção dos conhecimentos artísticos mediante as práticas  
pedagógicas. A opção metodológica foi pela abordagem qualitativa, de dimensão epistemológica na  
Etnometodologia, tendo como método a Etnopesquisa Crítica e Multirreferencial (Macedo, 2004). A  
fundamentação teórica que embasa este texto está firmada nos estudos de autores como Barbosa (2003;  
2009; 2014; 2024); Coulon (2017); Macedo (2004); Leite (2004); Iavelberg (2022); Pillar (2003); Nóvoa  
(2002); Ayres, Lopes e Conceição (2025); dentre outros. Os resultados das discussões levantadas  
constataram que as práticas pedagógicas das professoras colaboradoras, observadas, favorecem a  
promoção dos conhecimentos artísticos serem integrados às experiências cotidianas que auxiliam nas  
manifestações artísticas e na exploração do fazer criativo das crianças, concebendo a escola como um  
ambiente de mediação cultural por viabilizar o acesso à arte e cultura em território educativo. Desta forma,  
este relato de experiência reafirma a importância do olhar crítico para a escola como espaço que  
proporciona o contato e a valorização dos conhecimentos artísticos na Educação Infantil.  
Palavras-chave: Mediação cultural; Práticas pedagógicas; Conhecimentos Artísticos; Educação Infantil.  
THE SCHOOL AS A CULTURAL MEDIATION ENVIRONMET  
IN EARLY CHILDHOOD EDUCATION: an experience report from  
a master’s student in the field of research  
Abstract  
This experience report seeks to promote discussions and reflections arising from investigative actions carried  
out during a master's student's three-month immersion in the research field. Linked to an ongoing master's  
thesis, it aims to describe the experiences, observations, and implications of being a researcher within the  
school environment. Therefore, the objective of this research stage was to understand whether the school  
serves as an environment for cultural mediation in Early Childhood Education through the promotion of  
artistic knowledge within pedagogical practices. The methodological choice followed a qualitative approach  
with an epistemological dimension in Ethnomethodology, utilizing Critical and Multireferential  
Ethnoresearch (Macedo, 2004) as the method. The theoretical framework supporting this text is grounded  
in studies by authors such as Barbosa (2003; 2009; 2014; 2024); Coulon (2017); Macedo (2004); Leite (2004);  
Iavelberg (2022); Pillar (2003); Nóvoa (2002); Ayres, Lopes, and Conceição (2025); among others. The  
results of the discussions revealed that the observed pedagogical practices of the collaborating teachers favor  
the integration of artistic knowledge into daily experiences. These practices support children's artistic  
expressions and the exploration of their creative process, establishing the school as a cultural mediation  
environment by facilitating access to art and culture within the educational territory. Thus, this experience  
report reaffirms the importance of a critical perspective toward the school as a space that provides contact  
with  
and  
appreciation  
of  
artistic  
knowledge  
in  
Early  
Childhood  
Education.  
Keywords: Cultural mediation; Pedagogical practices; Artistic knowledge; Early Childhood Education.  
Revista Científica Educ@ção v.11● n.17● jan-dez/2026 ●Demanda contínua.  
LA ESCUELA COMO UN AMBIENTE DE MEDIACIÓN  
CULTURAL EN LA EDUCACIÓN INFANTIL: relato de  
experiencia de una maestranda en el campo de investigación  
Resumen  
El presente relato de experiencia busca promover discusiones y reflexiones surgidas a partir de las acciones  
investigativas realizadas durante el período de inmersión de una estudiante de maestría en el campo de  
investigación a lo largo de tres meses. Vinculado a una investigación de maestría en desarrollo, el trabajo  
tiene como finalidad describir las vivencias, observaciones e implicaciones como investigadora en el ámbito  
escolar. Por lo tanto, el objetivo de esta etapa de la investigación fue comprender si la escuela es un ambiente  
de mediación cultural en el ámbito de la Educación Infantil a partir de la promoción de los conocimientos  
artísticos mediante las prácticas pedagógicas. La opción metodológica consistió en un enfoque cualitativo,  
de dimensión epistemológica en la Etnometodología, teniendo como método la Etnopesquisa Crítica y  
Multirreferencial (Macedo, 2004). El marco teórico que fundamenta este texto se basa en estudios de autores  
como Barbosa (2003; 2009; 2014; 2024); Coulon (2017); Macedo (2004); Leite (2004); Iavelberg (2022); Pillar  
(2003); Nóvoa (2002); Ayres, Lopes y Conceição (2025); entre otros. Los resultados de las discusiones  
planteadas constataron que las prácticas pedagógicas de las profesoras colaboradoras observadas favorecen  
que la promoción de los conocimientos artísticos se integre a las experiencias cotidianas, las cuales auxilian  
en las manifestaciones artísticas y en la exploración del quehacer creativo de los niños, concibiendo a la  
escuela como un ambiente de mediación cultural al viabilizar el acceso al arte y la cultura en el territorio  
educativo. De esta forma, este relato de experiencia reafirma la importancia de una mirada crítica hacia la  
escuela como un espacio que proporciona el contacto y la valoración de los conocimientos artísticos en la  
Educación  
Infantil.  
Palabras clave: Mediación cultural; Prácticas pedagógicas; Conocimientos artísticos; Educación Infantil.  
INTRODUÇÃO  
O presente relato de experiência tem como finalidade fomentar discussões e reflexões que  
emergiram diante das ações investigativas nas imersões ao campo de pesquisa, no qual marcam o itinerário  
de autoconstrução de uma pesquisadora no processo de mestrado, tendo como objetivo compreender a  
escola como um ambiente de mediação cultural no âmbito da Educação Infantil a partir da promoção dos  
conhecimentos artísticos mediante as práticas pedagógicas. Portanto, o anseio em redigir esse relato surge a  
partir das observações em campo em uma escola pública municipal da cidade de Salvador/BA, a fim de  
entender de que como os conhecimentos artísticos estão presentes nas práticas pedagógicas cotidianas das  
professoras de Educação Infantil em serviço. Contudo, a imersão fez com que eu percebesse o lócus da  
pesquisa como um espaço dinâmico, pois, conforme Macedo (2004), o trabalho de campo exige um processo  
contínuo de reflexão que permite ao pesquisador flexibilizar seus objetivos iniciais para compreender a  
dinâmica daquele contexto, permitindo que o olhar do pesquisador seja direcionado para outros  
movimentos.  
Dessa forma, este relato, como mestranda, está vinculado à uma pesquisa de mestrado em  
desenvolvimento filiada ao Programa de Pós-Graduação em Educação e Contemporaneidade da  
Universidade do Estado da Bahia (PPGEduC/UNEB), associada à linha de pesquisa “Educação, Práxis  
Pedagógica e Formação do Educador”, contando com o fomento da bolsa de estudos da Coordenação de  
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), cuja aprovação foi validada pelo Comitê de Ética  
de Pesquisa da Universidade do Estado da Bahia (CEP/UNEB)1, estando autorizada para ir à campo e,  
1
Pesquisa submetida ao Comitê de ética em pesquisa com seres humanos da Universidade do estado da Bahia,  
aprovado  
sob  
número  
de  
parecer  
7.447.629,  
em  
18/03/2025,  
consulta  
disponível  
no  
link:  
Revista Científica Educ@ção v.11● n.17● jan-dez/2026 ●Demanda contínua.  
 
sobretudo, respaldada pela segurança de sua credibilidade e desenvolvimento. Nesse sentido, os sujeitos que  
colaboraram com a construção desta pesquisa, bem como o lócus em que ela foi realizada, tiveram todos os  
preceitos éticos resguardados pelo parecer do CEP/UNEB e o Termo de Consentimento Livre Esclarecido  
(TCLE), garantindo seus anonimatos, assim como é determinado pela Resolução nº 466, de 12 de dezembro  
de 2012, pelo Conselho Nacional de Saúde do Ministério da Saúde (CNS/MS).  
Sendo assim, tendo em vista que o papel do pesquisador em educação, no cenário contemporâneo  
da Educação Infantil envolve, como afirma Agamben (2009), manter uma relação crítica com o tempo  
presente, mas distanciando-se com o intuito de redirecionar o olhar e intervir de maneira crítica e reflexiva.  
Logo, esse deslocamento possibilita o entendimento da criança como um ser histórico, social e produtor de  
cultura, considerando suas subjetividades, seu contexto e bagagem social, dado que, para Kramer (1999, p.  
271), "as visões sobre crianças são social e historicamente construídas: a inserção concreta das crianças e os  
papéis que desempenham variam com as formas de organização social". Estas influências permeiam os  
fazeres docentes e refletem na construção de uma práxis que foi concebida a partir das novas concepções  
de infância, pois, fundamentado em Formosinho (2007), a pedagogia organiza-se mediante uma triangulação  
praxiológica entre Crenças e Valores; Ações Práticas; Saberes e Teorias que visam ressignificar e aprimorar  
as ações pedagógicas, para que estas não sejam marcadas pela concepção de uma educação infantil voltada  
para o tradicionalismo.  
Em suma, pensar em uma educação infantil voltada para as crianças dos tempos de hoje, é repensar  
em uma prática docente que tenha como preceito o respeito, acolhimento e sensibilidade quanto ao  
reconhecimento da criança como protagonista, no qual é garantido a ela o direito de ter vez no espaço  
escolar, mas, sobretudo, que ela tenha voz. A percepção quanto à isto não está somente no papel do  
professor em acolher e escutar o que a criança revela por intermédio de sua linguagem verbal, mas que ela  
se manifesta de múltiplas formas, inclusive não-verbais, como o seu fazer criativo. Diante desse viés, Barbosa  
(2003) discorre que o papel pedagógico da arte na educação não se limita em desenvolver apenas a percepção  
sensível, mas contribuir na formação cultural do aluno por intermédio da práxis do educador. A autora ainda  
complementa que:  
A arte na educação como expressão pessoal e como cultura é um importante instrumento  
para a identificação cultural e o desenvolvimento individual. Por meio da arte é possível  
desenvolver a percepção e a imaginação, apreender a realidade do meio ambiente,  
desenvolver a capacidade crítica, permitindo ao indivíduo analisar a realidade percebida e  
desenvolver a criatividade de maneira a mudar a realidade que foi analisada (Barbosa, 2003,  
p. 18).  
Portanto, ao reconhecer a importância da arte na educação para a promoção da expressão pessoal  
de modo que auxilie na ampliação de repertório cultural e leitura crítica de mundo, é fundamental que as  
práticas pedagógicas na educação infantil favoreçam experiências estéticas que possibilitem a criança  
explorar distintos modos de criar, perceber e interpretar o mundo que a cerca. Assim, partindo da  
compreensão de que a criança é um sujeito de direitos que está em processo de construção de sua identidade,  
que se expressa de múltiplas maneiras, é produtora de cultura e precisa ser percebida como protagonista do  
seu próprio saber, então, faz-se necessário que as ações docentes tenham uma intencionalidade pedagógica  
refletindo um currículo que assegura a escola como um ambiente vivo de experiências significativas que  
respeitam e valorizam as manifestações artísticas na infância.  
Desta maneira, as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (Brasil, DCNEI, 2010,  
p.12) destacam que o currículo escolar para a primeira infância deve constar com um “conjunto de práticas  
que buscam articular as experiências e os saberes das crianças com os conhecimentos que fazem parte do  
patrimônio cultural, artístico, ambiental, científico e tecnológico, de modo a promover o desenvolvimento  
integral de crianças de 0 a 5 anos de idade”. Tal qual a Base Nacional Comum Curricular enfatiza ao  
estabelecer:  
Conviver com diferentes manifestações artísticas, culturais e científicas, locais e  
universais, no cotidiano da instituição escolar, possibilita às crianças, por meio de  
Revista Científica Educ@ção v.11● n.17● jan-dez/2026 ●Demanda contínua.  
experiências diversificadas, vivenciar diversas formas de expressão e linguagens, como as  
artes visuais (pintura, modelagem, colagem, fotografia etc.), a música, o teatro, a dança e  
o audiovisual, entre outras [...] (Brasil, BNCC, 2018, p. 37).  
Sendo assim, estes documentos normativos evidenciam que o currículo para a Educação Infantil  
deve ser concebido a partir de práticas que assegurem o contato das crianças com diferentes manifestações  
artísticas, atreladas ao cotidiano do contexto escolar. Ao fortalecer esta concepção, Pillar (2003) aponta que  
o ensino da arte na visão contemporânea tem como propósito possibilitar experiências estéticas que sejam  
compreensíveis à criança por estarem adequadas ao seu processo de leitura de mundo. Logo, ao fortalecer  
a possibilidade de tais experiências em contexto escolar, percebe-se que os conhecimentos artísticos devem  
ser contemplados como um processo de capacitação crítica através da arte e o acesso democrático a ela  
através de sua fruição.  
Nessa perspectiva, para Barbosa (2009), a mediação cultural se constitui de maneira social e exige  
esforço significativo para ampliar o contato, discernimento e o prazer da população com a cultura que a  
cerca, resultando em benefícios sociais. A autora (Barbosa, 2009, p. 21) ainda ressalta que “por meio da arte,  
é possível desenvolver a percepção e a imaginação para apreender a realidade do meio ambiente, desenvolver  
capacidade crítica, permitindo analisar a realidade percebida e desenvolver a criatividade de maneira a mudar  
a realidade que foi analisada”. Logo, Iavelberg (2022) afirma que a liberdade de manifestação e construção  
das crianças está relacionada às orientações didáticas adequadas que possam proporcionar viver a arte na  
escola de forma autoral, respeitando as necessidades e possibilidades criativas. Então, entende-se a escola  
como um território educativo de mediação cultural ao garantir o contato das crianças com conhecimentos  
artísticos que se materializam por meio de saberes, experiências e aprendizagens que impulsionam o seu  
desenvolvimento integral, favorecendo o acesso a diferentes movimentos artísticos e agregam no repertório  
estético e cultural.  
Entretanto, Cunha (2022) levanta como questão que as concepções sobre arte foram, e ainda são  
construídas em um contexto cultural elitista que acabam por distanciar esse campo do conhecimento de  
ações educativas que venham a estar atreladas a uma visão de arte contemporânea que entende o criar na  
infância como um processo que é inerente à criança. Pensar na Educação Infantil na contemporaneidade  
implica também refletir quanto aos movimentos artísticos que se caracterizam por uma postura exploratória  
e crítica, que estabelece certa aproximação quanto à maneira que a criança se expressa, cria, explora,  
questiona e enxerga na arte um modo de manifestar suas vivências cotidianas.  
À vista disso, este relato traz como questionamento: é possível reconhecer a escola como um  
ambiente de mediação cultural a partir da promoção dos conhecimentos artísticos perante a prática docente?  
Posto isto, as reflexões evidenciadas neste texto buscam expor as experiências de uma pedagoga mestranda  
em educação que percebeu que a imersão no lócus da pesquisa ampliou o meu olhar como investigadora e  
o redirecionou para novas percepções, para além de buscar apreender de que modo às práticas pedagógicas  
das professoras, naquele contexto escolar, proporcionavam que os conhecimentos artísticos fossem  
assegurados para aquelas crianças no cotidiano da instituição. Mas, compreender que, ao oportunizar a  
exploração destes conhecimentos, em que há um desejo do grupo de educadoras observado em aprofundar  
o repertório cultural destas crianças, e que a escola seja um meio de acesso ao campo das artes, evidencia-se  
que ela é entendida como um ambiente de mediação cultural, e isto se tornam ainda mais potente quando  
se trata de uma instituição educacional pública municipal para Educação Infantil.  
METODOLOGIA  
Por se tratar de um relato de experiência de uma pesquisa de mestrado em andamento, a imersão  
no lócus se deu no período de 3 meses, mas dividido em 2 etapas, em uma escola pública municipal na  
região do Subúrbio de Salvador/BA. A primeira etapa, dedicou-se a articular as ações com a gestão da escola  
e Gerenciamento Regional de Educação em Abril, contudo, precisou ser interrompida em razão dos  
professores efetivos da rede municipal de Salvador/BA entrarem em greve em 06 de Maio de 2025, decisão  
Revista Científica Educ@ção v.11● n.17● jan-dez/2026 ●Demanda contínua.  
esta que foi motivada pela insatisfação da categoria pela falta de condições adequadas de trabalho, a negação  
da prefeitura em pagar o piso salarial nacional do magistério público da educação básica, a falta de material  
pedagógico e a exigência em melhoria das estruturas do ambiente escolar. Com a finalização da greve em  
julho, a segunda etapa foi o retorno à escola neste período para proceder com pesquisa bibliográfica dos  
documentos que norteiam a instituição, mas apenas em agosto voltei ao campo como período fixo até o  
mês de outubro de 2025, para realizar as entrevistas semiestruturadas e observações com as colaboradoras  
da pesquisa, sendo três professoras e uma coordenadora pedagógica.  
Sendo assim, penso que seja necessário trazer à tona o campo metodológico que tem me orientado  
ao longo deste processo e que, consequentemente, influenciou de forma direta nos meios que  
fundamentaram minha imersão, nas informações colhidas e saberes compartilhados a fim de redigir e expor  
as vivências e observações no lócus, assim como versa Freire (1996, p. 32): “pesquiso para conhecer o que  
ainda não conheço e comunicar ou anunciar a novidade”. Considerando que o ato de pesquisar requer ética,  
responsabilidade, compromisso e, sobretudo, humanidade, este relato emerge de uma pesquisa de  
abordagem qualitativa (Bogdan; Biklen, 1994), cuja dimensão epistemológica está na Etnometodologia  
(Coulon, 2017), em razão de ser uma ciência que legitima, analisa e dá visibilidade científica às práticas  
cotidianas que indivíduos utilizam para conceber um determinado contexto, nomeando essas ações como  
etnométodos.  
Segundo Coulon (2017),  
A originalidade da etnometodologia está em sua concepção teórica dos fenômenos  
sociais. O projeto científico da etnometodologia é analisar os métodos ou os  
procedimentos que os indivíduos utilizam para concretizar diferentes ações que realizam  
na sua vida cotidiana. É a análise ‘das maneiras de fazer’ triviais que os atores sociais  
comuns mobilizam a fim de realizar as suas ações frequentes. Essa metodologia do senso  
comum - constituída pelo conjunto do que chamaremos de etnométodos - que os  
membros de uma sociedade ou de um grupo social utilizam de maneira banal, mas  
engenhosa para viver juntos, constitui o corpus da investigação etnometodológica  
(Coulon, 2017, p. 21).  
Dessa forma, por entender que é uma pesquisa que implica em analisar o fazer docente dos atores  
sociais que compõem aquele corpo escolar, no qual são seus etnométodos que constituem e constroem  
aqueles contextos baseados nas demandas que surgem no cotidiano, a Etnometodologia foi a que maior  
apresentou afinidade epistemológica.  
No que tange ao método, a pesquisa está embasada na Etnopesquisa Crítica Multirreferencial  
(Macedo, 2004), que enxerga valor na cotidianidade, pois é através dele que o pesquisador nas  
particularidades que formam o lócus investigado, conforme o autor (Macedo, 2004, p. 63) “A valorização  
do cotidiano possui uma certa sabedoria que se consubstancia na crença de que, para que uma mudança seja  
profunda, é necessário partir da intimidade das coisas; para entrar na intimidade das coisas, é preciso partir  
delas, conviver com elas; [...]”, logo, percebe-se que este método está atrelado às investigações das ações  
cotidianas de um dado ambiente. Assim, a escola é um território educativo constituído por identidades  
multifacetadas, movimentado pelos atores sociais que a concebem por intermédio de suas práticas  
pedagógicas. Para Macedo (2004), é preciso que o pesquisador atue naquele espaço como um observador  
participante, pois não há como discutir a práxis sem apreender a realidade de atuação dos professores e não  
ter sensibilidade para escutá-los.  
Contudo, ainda que a pesquisa esteja ancorada no método da etnopesquisa crítica multirreferencial  
(Macedo, 2004), a análise das práticas desenvolvidas pelas professoras colaboradoras se sustenta pelo viés  
da abordagem triangular (Barbosa, 2014), no que se refere ao diálogo de três ações que auxiliam e orientam  
na alfabetização cultural, sendo elas: Produção, Fruição e Contextualização; entendidas como dimensões  
indissociáveis para a promoção de experiências estéticas. Logo, Barbosa (2024) ressalta que não há uma  
Revista Científica Educ@ção v.11● n.17● jan-dez/2026 ●Demanda contínua.  
hierarquia no modo como estas dimensões se relacionam entre si, mas que estes três pilares devem ser  
trabalhados de maneira integrada, que são descritas pela autora como:  
O fazer arte como construção pessoal para desenvolver a criatividade e a imaginação; A  
leitura da imagem, da obra ou do campo do sentido da arte para desenvolver a percepção  
visual e a capacidade crítica; A contextualização do que você faz e do que você vê, como  
um meio de ler a si mesmo e o mundo ao seu redor (Barbosa, 2024, p. 19).  
Portanto, a abordagem triangular constitui-se, neste relato, como um referencial teórico estético  
para análise das práticas pedagógicas observadas, tendo como propósito identificar de que modo suas  
dimensões se fazem presentes nas experiências artísticas propostas às crianças, contribuindo para os  
processos de alfabetização e mediação cultural na educação infantil, evidenciando, assim, a relação entre as  
intencionalidades pedagógicas e as vivências estéticas concebidas pelas professoras colaboradoras.  
Nesse sentido, com o objetivo de descrever as vivências, observações e implicações enquanto  
pesquisadora em campo, a escolha pelo relato de experiência se dá em razão de percebê-lo como uma  
modalidade de escrita científica que, como declaram Mussi, Flores e Almeida (2021), apresenta e discute  
vivências acadêmicas e profissionais não apenas como único propósito descritivo, mas uma escrita que  
reflete o tripé da universidade: Ensino, Pesquisa e Extensão; que, segundo Lopes e Conceição (2004), este  
tripé representa a formação, e estabelece a relação de construção e socialização de conhecimentos entre  
universidade e comunidade interna e externa. Assim, em relação a pesquisa bibliográfica, esta subsidia este  
relato de experiência, conferindo-lhe o embasamento teórico necessário para fundamentar as discussões e  
reflexões críticas aqui propostas, garantindo assim o rigor metodológico entre a teoria e a prática observada  
em campo, “na realização da pesquisa bibliográfica o pesquisador tem que ler, refletir e escrever o sobre o  
que estudou, se dedicar ao estudo para reconstruir a teoria e aprimorar os fundamentos teóricos (Sousa;  
Oliveira; Alvez, 2021, p. 66)”.  
Em vista disso, o relato de experiência retrata a narrativa de uma imersão acadêmico-científica com  
o intuito de corroborar com reflexões acerca das práticas, formações acadêmicas e socialização de saberes  
apreendidos. A seguir apresento as descrições das minhas vivências e discussões que me fizeram redirecionar  
o olhar para a escola sob a perspectiva de que, para além de um território educativo, esta pode se caracterizar  
como um ambiente de viabilização do contato da criança ao acesso à arte e a cultura, mediante o esforço do  
corpo escolar em promover práticas que compreendam os conhecimentos artísticos como aliados do  
protagonismo infantil.  
ANÁLISE DAS VIVÊNCIAS E DISCUSSÕES: REPENSANDO A ESCOLA COMO UM  
AMBIENTE DE MEDIAÇÃO CULTURAL  
O meu contato com essa escola se deu em uma disciplina do mestrado, em um diálogo sobre  
abordagens pedagógicas, uma das alunas da disciplina mencionou que a escola em que atuava como  
coordenadora municipal era referência na abordagem Reggio Emilia, idealizada por Malaguzzi (2016) que  
percebe a criança como indivíduo rico em múltiplas linguagens que devem ser exploradas e desenvolvidas.  
Essa informação foi uma surpresa para mim, pois não imaginava que na cidade de Salvador, na região do  
Subúrbio Ferroviário, haveria uma escola pública que é referência nesta abordagem, então, escutando o seu  
relato, senti a necessidade em conhecer a instituição, em específico o corpo escolar que a compõem, visto  
que não há como uma escola se manter viva e pulsante sem os profissionais que constroem aquele contexto,  
pois, como afirma André (2010):  
Conhecer a escola mais de perto significa colocar uma lente de aumento na dinâmica das  
relações e interações que constituem o seu dia a dia, apreendendo as forças que a  
impulsionam ou retêm, identificando as estruturas de poder e os modos de organização  
do trabalho pedagógico e compreendendo o papel de cada sujeito nesse complexo  
Revista Científica Educ@ção v.11● n.17● jan-dez/2026 ●Demanda contínua.  
interacional em que ações são - ou não - implementadas e relações são estabelecidas e  
modificadas (André, 2010, p. 15).  
Portanto, ao entender que a realidade escolar envolve observar com atenção as dinâmicas cotidianas  
que organizam e estruturam o trabalho pedagógico, as quais influenciam na práxis dos sujeitos que as  
estabelecem, estar como pesquisadora investigando a presença dos conhecimentos artísticos na Educação  
Infantil é enxergar as ações pedagógicas como um conjunto de esforços de uma equipe que busca  
contemplar o campo das artes na educação. Diante desta perspectiva, os conhecimentos artísticos não  
podem ser considerados como meros recursos recreativos que são lembrados apenas em épocas festivas,  
sendo diminuídos como artifícios decorativos.  
Dessa forma, adentrar nesta escola e perceber que, em cada canto, haviam produções das crianças  
foi um sentimento de espanto misturado com felicidade. Isto se dá porque, enquanto pedagoga estive em  
outros locais como estagiária e professora substituta e era visível que não havia espaço para se pensar no  
campo da arte na escola, ela se fazia presente apenas em momentos de lazer na sala de aula, estando sempre  
representada por uma folha de papel em branco e um copo com variados lápis de cor, mas, nesta escola, ela  
se estendia para além das paredes da sala de aula. Essas produções expostas representam um meio de  
documentação e exposição das manifestações artísticas das crianças, entretanto, não estavam sendo exposto  
de forma exclusiva para fins de apreciação da comunidade interna e externa, mas para que as crianças  
pudessem contemplar suas expressões artísticas como as de seus colegas, com o propósito de se sentirem  
pertencentes àquele espaço. Para Leite (2004), a possibilidade da criança se expressar e se ver documentada  
nas suas ações cotidianas significa a certeza da valorização de suas produções culturais e, do mesmo modo,  
o respeito às suas subjetividades; mas, para além disto, este contato representa a possibilidade de fruição  
estética das produções, visto que as crianças passam a observar, realizar novas leituras e dialogar sobre suas  
manifestações junto à professora e seus colegas a fim de contextualizar com suas ações cotidianas no âmbito  
escolar (Barbosa, 2014; 2024).  
Ao longo do período de vivência no lócus, observando o cotidiano desta escola municipal,  
questionava-me como a instituição conseguia proporcionar às crianças uma educação que reconhece o  
campo artístico como eixo estruturante necessário para o desenvolvimento na primeira infância e, ainda que  
diante de poucos recursos, dispõe de salas com contextos propositivos, como sala de contexto gráfico e  
construção, além de instalações artísticas, espaços estes que são pensados para que as crianças tenham  
contato e acesso à arte. Então, para isto, observei três professoras em serviço, uma atuava na creche com o  
Grupo 03 (03-04 anos), e duas na pré-escola com Grupo 04 (04-05 anos) e Grupo 05 (05-06 anos). A  
observação das práticas docentes foi essencial para entender como a escola se constitui como um ambiente  
de mediação cultural, visto que as percepções das professoras sobre os conhecimentos artísticos é parte  
fundamental para compreender como estes devem ser integrados ao cotidiano das crianças e assim na  
promoção de seus saberes. Quanto a isto, Iavelberg (2022) discorre que,  
Cabe aos professores de Educação Infantil acreditar no potencial criativo das crianças.  
Ao invés de observar o desenvolvimento artístico espontâneo, é preciso alimentar sua  
gênese, ou seja, conhecer como a criança passa de um momento do seu saber artístico  
para outro mais avançado. Em outras palavras, os professores precisam considerar a  
relação entre ensino e aprendizagem para planejar as interações que promovam o  
potencial de criação artística dos alunos (Iavelberg, 2022, p.121).  
Sendo assim, ao estar imersa no cotidiano dessas turmas foi possível constatar que, embora cada  
uma das professoras tenham suas particularidades e demandas que emergem no dia a dia junto às crianças,  
todas buscavam garantir que as crianças tivessem acesso aos conhecimentos artísticos a partir da garantia de  
experiências que respeitassem suas subjetividades diante das dimensões da abordagem triangular através da  
contextualização, produção e fruição (Barbosa, 2014; 2024) na qual constituem os aspectos que abrangem  
o desenvolvimento integral na primeira infância e asseguram o direito de se expressarem (Brasil, BNCC,  
2018). À vista disso, como uma maneira de sistematizar as observações realizadas e tornar visíveis os  
etnométodos das professoras, que se configuram como ações que ressignificam e concebem o contexto  
Revista Científica Educ@ção v.11● n.17● jan-dez/2026 ●Demanda contínua.  
escolar mediante o incentivo da arte, foi elaborada uma tabela que têm por finalidade identificar a promoção  
dos conhecimentos artísticos a partir da prática pedagógica dessas professoras observadas - acolhidas como  
P1 (Grupo 03), P2 (Grupo 04) e P3 (Grupo 05), e que contribuem na concretização da escola como um  
ambiente de mediação cultural.  
Tabela 1: Identificação dos etnométodos das professoras para promoção dos conhecimentos  
artísticos na Educação Infantil.  
Professoras  
colaboradoras  
Etnométodos  
identificados/Conhecimentos  
artísticos explorados e  
Dimensões pedagógicas  
desenvolvidas  
Produção das crianças  
mediados pelas professoras  
Promoção dos conhecimentos  
artísticos a partir da organização  
e construção de contextos  
propositivos com materiais  
orgânicos e não estruturados,  
visando contato com culturas  
afro-indígenas.  
- Pintura coletiva brincadeiras na  
aldeia indígena: Foi construído um  
painel a partir de uma pintura coletiva que  
retrata crianças indígenas brincando em  
sua aldeia. Essa produção artística foi  
desenvolvida com base no contato das  
crianças com brincadeiras indígenas, que  
estavam sendo integradas ao cotidiano  
por meio de contextos propositivos  
vinculados à cultura indígena, elaborados  
pela professora junto às crianças. Ao  
realizarem leituras quanto à cultura  
indígena e as releituras individuais que já  
haviam produzido, estas brincadeiras  
foram expressadas pelas próprias crianças  
em um painel com materiais orgânicos,  
tintas de cores variadas, pincéis e  
Estímulo da atividade  
criadora, cognitiva,  
psicomotora a partir de  
experiências promovidas  
pelo jogo simbólico,  
exploração estética  
mediante manifestações  
artísticas através de  
ações lúdicas,  
auxiliando na formação  
da identidade da criança.  
Atividades Pedagógicas  
desenvolvidas:  
- Pintura coletiva brincadeiras  
na aldeia indígena;  
- Modelagem com cerâmica.  
P1 (Grupo 03 -  
Creche)  
massinha de modelar.  
- Modelagem com cerâmica: A  
professora já vinha explorando com as  
crianças elementos da cerâmica marajoara.  
A professora apresentou-lhes a argila  
ainda crua e as conduziu para o quintal,  
organizando um contexto propositivo de  
casinha para que as crianças para que o  
processo de modelagem da cerâmica  
ocorresse de forma espontânea a partir do  
seu envolvimento lúdico com o contexto.  
A professora as orientou em como  
modelar a argila e elas produziram peças  
como: colheres, pratos, panelas e  
alimentos. Essas produções foram  
integradas ao cotidiano das crianças.  
Revista Científica Educ@ção v.11● n.17● jan-dez/2026 ●Demanda contínua.  
Promoção dos conhecimentos  
artísticos mediante experiências  
cotidianas que emergem diante  
da curiosidade e interesse das  
crianças no contexto escolar,  
fazendo uso de materiais  
- Pintura com suco da fruta da amora:  
A professora levou para a sala algumas  
amoras colhidas do chão do quintal da  
escola e entregou lupas de aumento para  
que as crianças observassem atentamente  
e às investigassem. Em seguida, ela  
recapitulou o processo que vinha sendo  
desenvolvido e fez uma pergunta  
Estímulo da atividade  
criadora, cognitiva,  
psicomotora; fomento  
do pensamento  
P2 (Grupo 04 -  
Pré-escola)  
investigativo e do  
protagonismo infantil  
através da exploração  
estética mediante  
orgânicos contextualizados às  
suas vivências.  
norteadora: “O que podemos fazer com a  
amora?”, uma das crianças respondeu  
suco. A professora então pegou um  
batedor de madeira, colocou algumas  
amoras no recipiente e começou a  
manifestações artísticas  
das crianças.  
Atividades Pedagógicas  
desenvolvidas:  
- Pintura com suco da fruta da  
amora;  
- Desenho de observação com a  
fruta da amora.  
espremê-las para extrair o suco,  
orientando que as crianças também  
realizassem o mesmo procedimento. Após  
toda a extração, a professora explicou que  
o suco não poderia ser consumido pois as  
frutas haviam sido colhidas do chão, mas  
que seriam utilizadas para produção de  
tinta. A receita foi elaborada de forma  
coletiva entre a professora e as crianças e,  
ao estar finalizada, puderam utilizá-la para  
realizarem pinturas, se expressando de  
maneira espontânea.  
- Desenho de observação com a fruta  
da amora: Ainda fazendo uso da amora,  
a professora organizou algumas mesas  
com recipientes com amoras maduras e  
verdes, e lupas de aumento. Solicitou que  
as crianças a olhassem com cuidado,  
sentissem sua textura e explicou que iriam  
fazer um desenho daquelas amoras  
colhidas. Entregou canetinhas  
Ambas as atividades  
desenvolvidas emergiram a  
partir de um processo  
pedagógico investigativo sobre  
ninhos de pássaros e questões  
norteadoras trazidas pelas  
crianças após encontrarem um  
ninho de pássaro caído no chão  
do quintal da escola. Dentre  
tantas questões norteadoras  
trazidas pelas crianças, uma  
delas sugeriu alimentar os  
pássaros com suco de amora da  
árvore do quintal da escola.  
Diante disso, foram  
desenvolvidas atividades  
pedagógicas que se destacam  
pela manifestação dos  
conhecimentos artísticos no  
cotidiano da prática pedagógica  
da professora junto às crianças.  
hidrográficas de cores variadas e folhas de  
ofício branca para que as representassem.  
A professora explicou que a proposta da  
atividade pedagógica tinha como objetivo  
analisar suas percepções de longe, perto,  
grande, menor e seu desenvolvimento  
motor.  
Promoção dos conhecimentos  
dos artísticos mediante sua  
integração à outros campos de  
experiência, podendo auxiliar na  
execução de outros saberes,  
fazendo uso de materiais  
orgânicos.  
- Colagem com formas geométricas: A  
atividade resultou na produção de  
colagens elaboradas a partir de formas  
geométricas, que deram origem a  
Estímulo da atividade  
criadora, cognitiva,  
psicomotora e social  
mediante o  
conhecimento e  
exploração de outros  
saberes.  
P3 (Grupo 05 -  
Pré-escola)  
diferentes composições, como: casas,  
foguetes, uma menina, dentre outras que  
foram nomeadas pelas crianças e expostas  
na sala de aula. Esse processo iniciou-se a  
partir da exploração das formas  
geométricas, a professora levou as  
crianças para interagirem com o espaço  
escolar, realizando um percurso para  
identificar as formas geométricas no  
ambiente. Em seguida contornaram as  
formas geométricas, pintaram, recortaram  
e criaram composições livres.  
Atividades Pedagógicas  
desenvolvidas:  
- Colagem com formas  
geométricas;  
- Modelagem metamorfose da  
borboleta.  
Revista Científica Educ@ção v.11● n.17● jan-dez/2026 ●Demanda contínua.  
-Modelagem da metamorfose da  
borboleta: A atividade pedagógica  
desenvolvida teve como resultado a  
modelagem do ciclo de vida da borboleta:  
ovo, lagarta, pupa (casulo) e borboleta;  
utilizando massinha de modelar e  
materiais orgânicos, como folhas, galhos e  
flores, coletados no quintal da escola. A  
proposta surgiu a partir do interesse das  
crianças ao encontrarem uma borboleta  
no quintal, o que despertou  
questionamentos e investigações sobre  
sua metamorfose. Após a retomada do  
tema, a professora organizou a exploração  
do espaço externo e orientou a  
modelagem das etapas do ciclo, realizada  
no quiosque do quintal.  
Fonte: Elaborado pela pesquisadora.  
Ao observar os etnométodos identificados e sistematizados na tabela acima, percebe-se que as  
práticas pedagógicas das professoras colaboradoras podem ser entendidas a partir da abordagem triangular  
(Barbosa, 2014; 2024), embora a dimensão que corresponda a Produção/Fazer artístico da criança se  
destaque, foram também constatados momentos de Fruição/Leitura e Contextualização, esta última é  
apresentada na tabela por ser um dos principais condutores das ações desenvolvidas. Entretanto, as  
observações em campo evidenciaram que a mediação pedagógica possibilitava que houvesse interações que  
não se limitavam ao fazer criativo, mas englobavam momentos de fruição individual e coletiva no decorrer  
das produções, manifestados nas apreciações quanto as produções de seus colegas, nos questionamentos  
das professoras, e na realização de novas leituras das obras que serviriam como gancho para outras atividades  
artísticas que seriam desenvolvidas. Dessa forma, a Fruição/Leitura quando trabalhada na Educação  
Infantil, segundo Barbosa (2024), ela ocorre de maneira interativa ao longo do processo de construção  
criativa da criança, ao incentivar se expressem suas percepções de mundo e, com base nisso, desenvolverem  
um olhar crítico. Contudo, para Pillar (2003, p. 74), essa dimensão está intrinsecamente ligada à  
Contextualização, ao evidenciar que “o sentido vai ser dado pelo contexto e pelas informações que o leitor  
possui. Ao ver, estamos entrelaçando informações do leitor, seus conhecimentos, suas inferências, sua  
imaginação. Assim, o que é descrito não é a situação, o fato, mas a interpretação que lhe conferiu, [...]”.  
Portanto, compreende-se que as práticas pedagógicas das professoras colaboradoras da pesquisa  
possibilitam que a escola seja percebida como um ambiente de mediação cultural, uma vez que as  
experiências artísticas ali desenvolvidas asseguram que a criança tenha contato direto com diferentes  
vivências que permitem que ela se expresse de forma genuína. Estes etnométodos selecionados demonstram  
uma práxis que está em consonância com o que é estabelecido e orientado pelas Diretrizes Curriculares  
Nacionais para a Educação Infantil (Brasil, DCNEI, 2010), na qual estabelece 13 experiências que precisam  
ser garantidas perante práticas que devem ter como eixos norteadores, as Interações e Brincadeiras,  
integrados às ações cotidianas na escola, entre elas, há três que se destacam por abranger o campo das artes,  
são:  
Favoreçam a imersão das crianças nas diferentes linguagens e o progressivo domínio por  
elas de vários gêneros e formas de expressão: gestual, verbal, plástica, dramática e musical;  
Possibilitem vivências éticas e estéticas com outras crianças e grupos culturais, que  
alarguem seus padrões de referência e de identidades no diálogo e conhecimento da  
diversidade; Promovam o relacionamento e a interação das crianças com diversificadas  
manifestações de música, artes plásticas e gráficas, cinema, fotografia, dança, teatro,  
poesia e literatura (Brasil, DCNEI, 2010, p. 25-26).  
Revista Científica Educ@ção v.11● n.17● jan-dez/2026 ●Demanda contínua.  
Desse modo, a materialização destas práticas pedagógicas frente ao que é posto pelas DCNEI  
(Brasil, 2010), a escola se consolida como um ambiente de mediação cultural, pois os etnométodos  
identificados evidenciam que os conhecimentos artísticos são mediados por ações pedagógicas que  
favorecem, promovem e asseguram às crianças o contato com diferentes formas de expressões, experiências  
estéticas. Cabe ressaltar que, conforme a Base Nacional Comum Curricular (Brasil, BNCC, 2018) Explorar  
e Expressar englobam os Direitos de aprendizagem e desenvolvimento na Educação Infantil,  
Explorar movimentos, gestos, sons, formas, texturas, cores, palavras, emoções,  
transformações, relacionamentos, histórias, objetos, elementos da natureza, na escola e  
fora dela, ampliando seus saberes sobre a cultura, em suas diversas modalidades: as artes,  
a escrita, a ciência e a tecnologia. Expressar, como sujeito dialógico, criativo e sensível,  
suas necessidades, emoções, sentimentos, dúvidas, hipóteses, descobertas, opiniões,  
questionamentos, por meio de diferentes linguagens (Brasil, BNCC, 2018, p. 34).  
Neste sentido, o fazer pedagógico das professoras está alinhado ao que é prescrito pelos  
documentos que orientam o currículo da Educação Infantil, ao proporcionar experiências que permitem à  
criança explorar os diferentes movimentos artísticos em que venha ter acesso e possa se expressar-se de  
forma crítica e sensível, respeitando suas singularidades e as etapas de seu desenvolvimento. No entanto, a  
inserção de referenciais histórico-artísticas possa servir como base e ampliação da bagagem estética e  
cultural, a fim de colaborar no processo de contextualização e fruição quanto às expressões artísticas  
desenvolvidas, mas, as ações pedagógicas observadas constataram que as professoras colaboradoras tinham  
como propósito garantir às crianças desta escola pública municipal o acesso a experiências estéticas diante  
da exploração e disponibilidade de materiais, recursos e superfícies diversas que vão além de uma folha de  
papel e lápis de cores. Portanto, diante de um contexto com pouca infraestrutura e que, muitas vezes, não  
há acesso à internet, impressões regulares, projetores, é evidente que há um esforço destas profissionais em  
fazer da escola uma porta de acesso à cultura, onde muitas nunca estiveram em um museu, em um ateliê,  
em um cinema ou teatro. E isto ganha potência quando este ensino é de qualidade, visto que as propostas  
pedagógicas desenvolvidas viabilizaram que estas crianças estabelecessem relações entre suas produções  
criativas, suas ações cotidianas e a maneira como percebem seus contextos (Produção, Fruição e Contexto),  
fazendo, assim, a escola como um ambiente de mediação cultural.  
Nesse sentido, ao longo desse período de observação no campo escolar, compreendi que a  
intencionalidade pedagógica que abrange a práxis das colaboradoras não se mantém apenas pelo anseio em  
oportunizar às crianças o acesso à arte e cultura através da educação. De mesmo modo, captei que o papel  
da coordenação pedagógica se mostra fundante para a promoção dos conhecimentos artísticos e formação  
continuada das docentes, assim como é citado por Cunha, Ometto e Prado (2013, p. 172), ao afirmarem que  
“os coordenadores pedagógicos são os interlocutores privilegiados entre os professores em suas reflexões  
sobre a prática e responsáveis por promover a formação continuada no cotidiano da escola”.  
Assim, percebi que a coordenação pedagógica tem como propósito fazer da escola um espaço de  
formação continuada para as professoras que estão em serviço, adaptado à realidade e ao cotidiano, sendo  
realizado em momento de atividade complementar interna delas. Esses momentos formativos eram  
mediados pela coordenadora como uma maneira de construção coletiva, reflexões e escutas sensíveis quanto  
ao seu dia a dia junto às crianças, trazendo à tona diálogos que mostram a complexidade das demandas que  
emergem no cotidiano da Educação Infantil, no intuito de trazer suas percepções, até como uma  
autoavaliação das práticas que são desenvolvidas. Quanto a isto, Nóvoa (2002, p. 57) reitera que “a formação  
não se constrói por acumulação (de cursos, de conhecimentos ou técnicas), mas sim através de um trabalho  
de reflexividade crítica sobre as práticas e de (re)construção permanente de uma identidade pessoal”.  
Nesse sentido, Geglio (2010) aborda que a dimensão do papel profissional da coordenação  
pedagógica como um formador se dá em razão à sua atribuição como mediador do processo de ensino-  
aprendizagem na escola, por exigir que sua práxis se efetive no próprio território escolar. Assim, é notório  
que as educadoras da escola investigada enxergam os conhecimentos artísticos como essenciais no Currículo  
da Educação Infantil, se esforçando para que ele possa permear o contexto escolar, sem o diminuir como  
Revista Científica Educ@ção v.11● n.17● jan-dez/2026 ●Demanda contínua.  
produção de saber, por entender que “a formação continuada e a prática investigativa mostraram-se potentes  
na sensibilização das docentes para a escuta das infâncias e para a articulação entre educação, saberes, arte  
e cultura (Ayres; Lopes; Conceição, 2025, p. 6)”.  
Diante das discussões apresentadas, constatou-se que as práticas das professoras colaboradoras  
observadas promovem a integração dos conhecimentos artísticos às experiências cotidianas que auxiliam na  
promoção das manifestações artísticas e na exploração do fazer criativo da criança, favorecendo assim a  
concepção da escola como um ambiente de mediação cultural em território educativo. Ao evidenciar que o  
campo das artes não deve ser desenvolvido somente em ocasiões específicas e em momentos festivos como  
um conhecimento estagnado, ao contrário, mas que ele seja incorporado ao dia a dia das crianças na  
instituição através de ações educativas que valorizem e respeitem as múltiplas formas de expressão da  
infância.  
CONSIDERAÇÕES FINAIS  
Este relato de experiência buscou descrever as vivências de uma pesquisadora imersa no campo  
escolar que, através do olhar e escuta sensível quanto à promoção das práticas pedagógicas das professoras  
colaboradoras ao compreender que elas auxiliam na constituição da escola como um ambiente de mediação  
cultural, ao identificar que em seus etnométodos há uma intencionalidade pedagógica ao proporcionarem  
às crianças experiências artísticas que estão integradas às dimensões que contemplam a abordagem triangular  
no decorrer das vivências no cotidiano. Nesse sentido, Barbosa (2009) declara que a educação é um meio  
de incentivar o reconhecimento e valorização da arte e cultura, ao oportunizar experiências que fomentem  
a capacidade crítica e reflexiva quanto à valorização dos variados códigos culturais que são apresentados ao  
outro.  
Dessa forma, ao longo do período no lócus percebeu-se que há o comprometimento do grupo de  
educadoras observadas com as crianças que vivenciam esse contexto, visto que ainda que hajam dificuldades  
em razão da falta de financiamento público, o empenho dos educadores que a compõem demonstrou que  
é possível realizar um ensino público de qualidade que reconheça o campo das artes como um conhecimento  
legítimo assegurando o que é determinado pelos documentos normativos que orientam o Currículo da  
Educação Infantil. Portanto, este relato de experiência não apenas descreve as práticas vivenciadas pela  
pesquisadora, mas teve como propósito levantar reflexões que reafirmam um olhar crítico quanto à escola  
como espaço que proporciona o contato e acesso à cultura desde a Educação Infantil, a compreendendo  
como dimensão essencial para o desenvolvimento crítico.  
REFERÊNCIAS  
AGAMBEN, Giorgio. O que é contemporâneo? E outros ensaios. Chapecó, SC: Argos, 2009.  
AYRES, Anaciara de Souza; LOPES, Aldaci Santos; CONCEIÇÃO, Ana Paula Silva da. Práticas  
Poéticas na Educação Infantil: narrativas e experiências docentes. Poíesis Pedagógica, Catalão, v. 23,  
p.e2025044,  
2025.  
DOI:  
10.69532/2178-4442.v23.75149.  
Disponível  
em:  
2025.  
BARBOSA, Ana Mae. As mutações do conceito e da prática. In: BARBOSA, Ana Mae (org.).  
Inquietações e mudanças no ensino de arte. 2.ed. Cortez Editora: São Paulo, 2003. p. 13-25.  
BARBOSA, Ana Mae. Mediação Cultural é social. In: BARBOSA, Ana Mae; COUTINHO,  
Rejane Galvão (orgs.). Arte/educação como mediação cultural e social. Editora UNESP: São Paulo, 2009.  
p. 13-22.  
Revista Científica Educ@ção v.11● n.17● jan-dez/2026 ●Demanda contínua.  
BARBOSA, Ana Mae. A imagem no ensino da arte: anos 1980 e novos tempos. Perspectiva: São  
Paulo, 2014.  
BARBOSA, Ana Mae. Abordagem triangular: leitura e contexto. In: BARBOSA, Ana Mae; LIMA,  
Sidney Peterson de (orgs.). Artes Visuais na Educação Infantil a partir da Abordagem Triangular. 1ª ed.  
Cortez: São Paulo, 2024. p. 19-26.  
BOGDAN, Roberto C.; BIKLEN, Sari Knopp. Investigação qualitativa em educação: uma introdução  
à teoria e aos métodos. Porto Editora: Portugal. 1994.  
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Diretrizes curriculares nacionais para  
a
Educação  
Infantil.  
Brasília,  
2010.  
Disponível  
nov. 2025.  
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, 2018. Disponível  
integral/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal.pdf>. Acesso em 10 nov. 2025.  
COULON, Alain. Etnometodologia e Educação. Editora Cortez: São Paulo. 2017.  
CUNHA, Susana Rangel Vieira da. Uma arte do nosso tempo para as crianças de hoje. In:  
CUNHA, Susana Rangel Vieira da; CARVALHO, Rodrigo Saballa de (orgs.). Arte Contemporânea  
e Educação Infantil: crianças observando, descobrindo e criando. Editora Zouk, 2ª ed. rev. e ampl.  
Porto Alegre, 2022. p. 55 - 75.  
CUNHA, Renata Cristina Oliveira Barrichelo; OMETTO, Cláudia Beatriz de Castro Nascimento;  
PRADO, Guilherme do Val Toledo. Trabalho docente coletivo e coordenação pedagógica: entre  
a heterogeneidade do cotidiano e um projeto de formação de professores. Educ. Puc., Campinas ,  
v.  
18,  
n.  
02,  
p.  
171-180,  
dez.  
2013  
.
Disponível  
em:  
39932013000200005&lng=pt&nrm=iso>. acessos em 12 nov. 2025.  
FORMOSINHO, Júlia Oliveira. Pedagogia(s) da infância: reconstruindo uma práxis de participação.  
Porto Alegre: Artmed. 2007.  
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e  
Terra, 1996.  
GEGLIO, Paulo César. O papel do coordenador pedagógico na formação do professor em  
serviço. In: PLACCO, Vera, Maria Nigro de Souza; ALMEIDA, Laurinda Ramalho de (orgs.). O  
coordenador pedagógico e o cotidiano da escola. Edições Loyola: São Paulo, 2010.  
IAVELBERG, Rosa. Arte, infância, formação docente e cultura na escola. In: CUNHA, Susana  
Rangel Vieira da; CARVALHO, Rodrigo Saballa de (org.). Arte Contemporânea e Educação Infantil:  
crianças observando, descobrindo e criando. Editora Zouk, 2ª ed. rev. e ampl. Porto Alegre, 2022.  
p. 115-124.  
Revista Científica Educ@ção v.11● n.17● jan-dez/2026 ●Demanda contínua.  
KRAMER, Sonia. Infância e Educação: o necessário caminho de trabalhar contra a barbárie. In:  
KRAMER, Sonia; et al (org.). Infância e educação infantil. Papirus Editora, 2ª ed., Campinas, SP,  
1999. p. 269-280.  
LEITE, Maria Isabel. Linguagens e autoria: registro, cotidiano e expressão. In: OSTETTO,  
Luciana Esmeralda; LEITE, Maria Isabel. Arte, infância e formação de professores: Autoria e transgressão.  
Papirus Editora. SP: Campinas, 2004. p. 25-39.  
LOPES, Aldaci Santos; CONCEIÇÃO, Ana Paula Silva da. Ateliê (auto)biográfico na  
escola doutoral: narrativas (auto)biográficas e memórias formativas. In: X Congresso Internacional de  
Pesquisa (Auto)biográfica, 2024, Salvador/BA, Anais do x congresso internacional de pesquisa  
(auto)biográfica. Universidade do Estado da Bahia (UNEB), 2024. p. 1-4. Disponível em:  
2025.  
MACEDO, Roberto S. A Etnopesquisa crítica e multirreferencial nas ciências humanas e na educação. 2.ed.  
Salvador: EDUFBA, 2004.  
MUSSI, Ricardo Franklin de Freitas; FLORES, Fábio Fernandes; ALMEIDA, Claudio Bispo de.  
Pressupostos para a elaboração de relato de experiência como conhecimento científico. Práx.  
Educ.,  
Vitória da Conquista ,  
v. 17, n. 48, p. 60-77,  
out.  
2021 .  
Disponível em  
26792021000500060&lng=pt&nrm=iso>. acessos em 10 nov. 2025. Epub 25-Nov-2021.  
NÓVOA, Antonio. Formação de professores e trabalho pedagógico. Educa. Lisboa, 2002.  
PILLAR, Analice Dutra. A educação do olhar no ensino da arte. In: BARBOSA, Ana Mae (org.).  
Inquietações e mudanças no ensino de arte. 2.ed. Cortez Editora: São Paulo, 2003. p. 71 - 82.  
SOUSA, Angélica Silva de; OLIVEIRA, Guilherme Saramago de; ALVES, Laís Hilário. A  
pesquisa bibliográfica: princípios e fundamentos. Cadernos da FUCAMP, Minas Gerais, v. 20, n.  
43,  
p.  
64-83,  
mar.  
2021.  
Disponível  
em:  
2025.  
Submetido em dezembro de 2025  
Aprovado em abril de 2026  
Informações do(a)(s) autor(a)(es)  
Nome do autor: Laura Soares Macedo dos Santos  
Grau de escolaridade: Mestra  
Afiliação institucional: Programa de Pós-Graduação em Educação e Contemporaneidade da Universidade do  
Estado da Bahia (PPGEduC/UNEB)  
Revista Científica Educ@ção v.11● n.17● jan-dez/2026 ●Demanda contínua.  
Nome do autor: Ana Paula Silva da Conceição  
Grau de escolaridade: Doutora  
Afiliação institucional: Universidade do Estado da Bahia (UNEB)  
Revista Científica Educ@ção v.11● n.17● jan-dez/2026 ●Demanda contínua.