O ‘TETO INVISÍVEL’ DO SENSO COMUM: REPRESENTAÇÕES  
SOCIAIS, BLOQUEIO DE PERMISSÃO E A CONSTRUÇÃO DA  
IDENTIDADE DO ADULTO CONTEMPORÂNEO  
Resumo  
O presente artigo analisa a construção da identidade do adulto contemporâneo sob a ótica da Teoria  
das Representações Sociais (TRS) de Serge Moscovici, em articulação com a Teoria da Permissão de  
Elton Euler. Investiga-se como o teto invisívelum bloqueio de permissão para o sucesso e bem-  
estar é edificado por meio de processos de ancoragem e objetivação que transformam normas sociais  
em travas subjetivas. A metodologia consistiu em uma análise teórica comparativa, que evidenciou  
que o desenvolvimento humano na atualidade é mediado por um vasto mercado de serviços, o que  
exige discernimento por parte dos usuários, para as necessárias distinções de atuação que  
fundamentem escolhas consistentes. Os resultados sugerem que o bloqueio de permissão não é  
meramente um fenômeno individual, mas está ancorado no sistema central das representações sociais  
de grupo, que prescrevem comportamentos e punem desvios da norma coletiva. Conclui-se que a  
constituição de comunidades que compartilham novos sistemas de significados é essencial para  
romper padrões de estagnação e promover a autonomia e a autorrealização no contexto social atual.  
Palavras-chave: Representações Sociais. Teoria da Permissão. Identidade. Senso Comum.  
Desenvolvimento Humano.  
THE 'INVISIBLE CEILING OF COMMON SENSE': SOCIAL  
REPRESENTATIONS, BLOCKAGE OF PERMISSION, AND THE  
CONSTRUCTION OF CONTEMPORARY ADULT IDENTITY  
Abstract  
This article analyzes the identity construction of contemporary adults through the lens of Serge  
Moscovici's Theory of Social Representations (TSR), in conjunction with Elton Euler's Theory of  
Permission. It investigates how the invisible ceilinga permission block regarding success and well-  
being is built through anchoring and objectification processes that transform social norms into  
subjective barriers. The methodology consisted of a comparative theoretical analysis, which  
highlighted that modern human development is mediated by a vast market of services, requiring  
discernment from users to make necessary distinctions in professional scopes that support consistent  
choices. The results suggest that the permission block is not merely an individual phenomenon but  
is anchored in the central system of group social representations, which prescribe behaviors and  
punishments deviations from the collective norm. It concludes that the formation of communities  
sharing new systems of meaning is essential to break patterns of stagnation and promote autonomy  
and self-fulfillment in the current social context.  
Keywords: Social Representations. Theory of Permission. Identity. Common Sense. Human  
Development.  
EL ‘TECHO INVISIBLE’ DEL SENTIDO COMÚN:  
REPRESENTACIONES SOCIALES, BLOQUEO DEL PERMISO Y  
LA CONSTRUCCIÓN DE LA IDENTIDAD ADULTA  
CONTEMPORÁNEA  
Revista Científica Educ@ção v.11● n.17● jan-dez/2026 ●Demanda contínua.  
Resumen  
El presente artículo analiza la construcción de la identidad del adulto contemporáneo bajo la óptica  
de la Teoría de las Representaciones Sociales (TRS) de Serge Moscovici, en articulación con la Teoría  
del Permiso de Elton Euler. Se investiga cómo el techo invisibleun bloqueo de permiso para el éxito  
y el bienestar se edifica por medio de procesos de anclaje y objetivación que transforman normas  
sociales en trabas subjetivas. La metodología consistió en un análisis teórico comparativo, el cual  
evidenció que el desarrollo humano en la actualidad está mediado por un vasto mercado de servicios,  
lo que exige discernimiento por parte de los usuarios para las necesarias distinciones de actuación que  
fundamenten elecciones consistentes. Los resultados sugieren que el bloqueo de permiso no es  
meramente un fenómeno individual, sino que está anclado en el sistema central de las  
representaciones sociales de grupo, que prescriben comportamientos y castigan desviaciones de la  
norma colectiva. Se concluye que la constitución de comunidades que comparten nuevos sistemas de  
significados es esencial para romper patrones de estancamiento y promover la autonomía y la  
autorrealización en el contexto social actual.  
Palabras clave: Representaciones Sociales. Teoría del Permiso. Identidad. Sentido Común.  
Desarrollo Humano.  
INTRODUÇÃO  
É certo que, na contemporaneidade, a vida complexifica-se, fruto das rápidas mudanças no  
mercado de trabalho, nas estruturas familiares e na sociedade como um todo, o que gera demandas  
que criam a percepção de insuficiência/ou despreparo para viver desafios crescentes da vida adulta.  
Com esse panorama, é compreensível que, na mesma medida, surjam soluções e todo um vasto  
campo de profissionais dedicados a oferecer produtos e serviços para uma nova era, na qual o  
desenvolvimento do adulto é percebido como uma gestão contínua que transcende o espaço de  
convivência imediato.  
É possível compreender tal fenômeno, por um lado, refletido na busca individualizada por  
sentido, desempenho e bem-estar em um mundo que exige constante adaptação, transformação e  
"superação". Por outro lado, é crescente o surgimento de um leque de profissionais para atender essa  
demanda, cada um com foco, metodologia e escopo de atuação diversos e, por vezes, distintos. É  
possível, contudo, diferenciar os principais escopos de atuação nesse cenário, conforme sistematizado  
no Quadro 1:  
Área  
Foco da Atuação  
Metodologia Típica  
Profissional  
Psicólogo  
Clínico  
Saúde mental, diagnóstico e  
Psicanálise, TCC, Gestalt, Fenomenologia  
etc.  
conflitos  
internos  
profundos.  
Psiquiatra  
Aspectos  
biológicos  
e
Avaliação  
psiquiátrica  
e
químicos;  
tratamento  
psicofarmacologia.  
medicamentoso.  
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Área  
Foco da Atuação  
Metodologia Típica  
Profissional  
Coach  
Desempenho futuro, metas  
e superação de obstáculos  
presentes.  
Planos de ação, ferramentas de gestão e  
métricas.  
Terapeuta  
Autorregulação,  
harmonização,  
Anamnese integrativa; escuta ativa; análise  
do estilo de vida; técnicas de respiração;  
meditação guiada; orientações de hábitos  
saudáveis; manipulação de energias; uso  
de elementos naturais ou estímulos  
sensoriais; diálogo reflexivo, Mindfulness,  
etc.  
autoconhecimento.  
Consultor de  
Carreira  
Transição, planejamento e  
desenvolvimento  
Assessments, networking e análise de  
mercado.  
profissional.  
Mentor  
Compartilhamento  
de  
Orientação prática baseada em vivência  
prévia.  
sabedoria  
específica.  
e
experiência  
Conselheiro  
(Counselor)  
Apoio em crises e resolução  
de problemas cotidianos.  
Escuta ativa e foco na solução de  
problemas.  
Quadro 1. Quadro com nomenclatura de profissionais de desenvolvimento humano e respectivo foco de atuação e exemplos de  
metodologia utilizada no atendimento. Quadro gerado com Google Gemini (Versão 1.5 Flash), em 13 de dezembro  
de 2026, revisado e ampliado em 13 de janeiro de 2026, mediante prompt específico fornecido pelo autor.  
A análise de aspectos direcionados do mundo contemporâneo permite a identificação dos  
principais fatores que impulsionam essa abundância de serviços: a tecnologia, a globalização e  
automação, que colocam desafios cada vez mais complexos ao mercado de trabalho e exigem  
aprendizagem contínua; a valorização da Saúde Mental, advinda de conscientização sobre a  
necessidade de mantê-la para que não incida de forma brutal na funcionalidade da vida; autonomia e  
autorrealização, exigências na sociedade atual como sinônimos de sucesso, levando pessoas a buscar  
ajuda para definir valores e propósitos; crescimento do mercado de self-help, em muitos casos  
desregulamentado.  
Essa pluralidade de abordagens impõe desafios ao indivíduo, especialmente na distinção  
entre o psicólogo clínico regulamentado e figuras como o coach ou mentor, cujas regulamentações  
são mais brandas. O risco reside na superficialidade de abordagens puramente motivacionais, que  
podem negligenciar as complexas dimensões afetivas e cognitivas que sustentam as dificuldades do  
adulto.  
Diante desse panorama, com pluralidade de ofertas de profissionais e metodologias, embora  
positiva, impõe-se desafios ao indivíduo, seja para diferenciar a própria necessidade, seja para  
distinguir as ofertas disponíveis e em que elas podem trazer-lhes contribuição efetiva. Há muito o  
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que se ponderar, pois pode haver confusão nos papéis que os profissionais desempenham, desde as  
profissões regulamentadas e aquelas com regulamentação brandas ou autorregulamentadas e no risco  
de abordagem superficial, que focam de forma contundente em técnicas motivacionais, que podem  
negligenciar as complexas dimensões afetivas em confluência com as dimensões cognitivas, por  
exemplo, que sustentam as dificuldades do adulto. O desafio para o indivíduo reside em discernir a  
abordagem mais adequada à sua necessidade (saúde, desempenho, orientação específica, entre outras)  
e em buscar profissionais éticos e devidamente qualificados.  
Olhar para esse cenário, marcado pelos desafios da sociedade atual, exige ir além da  
constatação dos fatos, abrindo espaço para a reflexão sobre aspectos cruciais como a subjetividade,  
a identidade e o pertencimento.  
Observamos uma tendência generalizada nos diversos serviços: a constituição de  
comunidades/tribos com vocabulários e práticas próprias que reforçam a necessidade de  
pertencimento colada no processo de constituição da subjetividade e identidade, que tem início no  
começo da vida e que se atualiza até o final dela.  
Para compreender como o senso comum cria o teto invisívelsocial que estrutura essas  
comunidades e influencia o desenvolvimento individual, este artigo propõe a lente de análise da  
Teoria das Representações Sociais (TRS) de Serge Moscovici. Na impossibilidade de adentrar em  
todas as abordagens, a articulação será estabelecida com a Teoria da Permissão de Elton Euler.  
Dessa forma, para compreender como as representações sociais criam esse teto invisível -  
que a Teoria da Permissão busca romper no plano individual - buscamos as Representações Sociais  
e alguns de seus elementos: subjetividade, identidade e pertencimento, ancoragem e objetivação e  
Moscovici, com autor principal que fornecerá a base para nosso intento.  
O conceito e a lente das Representações Sociais: subjetividade, identidade e pertencimento  
As Representações Sociais (RS) funcionam como teorias produzidas e compartilhadas nas  
interações sociais, denominadas como teorias do senso comumou ciências coletivas sui generis, e que  
intervêm diretamente na construção da realidade social e na forma como os indivíduos a interpretam  
e se posicionam nela. Por isso, podem fazer-nos compreender como as comunidades/tribos se  
consolidam e se sustentam pela construção de pertencimento, que influenciam e pretendem sustentar  
a subjetividade e a identidade do sujeito.  
Segundo Moscovici (1961), os processos fundamentais para a emergência das RS são a  
ancoragem (integração do objeto desconhecido a categorias preexistentes) e a objetivação  
(materialização do conceito abstrato em uma imagem concreta). Esses processos estabelecem a  
mediação entre o sujeito e o objeto social, ligando o indivíduo ao seu meio e estruturando sua visão  
de mundo, o que é fundamental para sua constituição subjetiva.  
No contexto da Teoria da Permissão, as RS fornecem os significados que guiam a ação. A  
subjetividade, conforme González Rey (2003), é a capacidade de produzir sentido, e as RS constituem  
o arcabouço simbólico dessa produção. Quando confrontada com exigências sociais, essa  
subjetividade pode manifestar o "bloqueio de permissão". Assim, a identidade e o pertencimento são  
construídos na confluência das forças sociais (RS) e da ação individual.  
O olhar para a Teoria da Permissão torna visível como as RS se tornam centrais na formação  
da subjetividade nesse nicho, pois fornecem os significados e esquemas interpretativos que guiam a  
percepção, o pensamento e a ação. Assim, é importante identificar como a subjetividade é concebida.  
Segundo Gonzalez Rey (2003) é compreendida como a capacidade de receber, fazer algo com, e  
produzir sentido. Desta forma, compreendemos que as RS são o arcabouço simbólico a partir do  
qual esse sentido é constantemente elaborado e transformado, constituindo a base para a  
subjetividade que, ao ser confrontada com as exigências sociais, manifesta o bloqueio de permissão  
(Reis, 2024). Além dessa construção da subjetividade, as RS se ligam à identidade e ao pertencimento  
grupal, pois são o alicerce simbólico para o reconhecimento e a diferenciação.  
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A identidade é construída na confluência das forças sociais, expressas nas RS, e da ação do  
indivíduo. A identificação se dá pelo reconhecimento das semelhanças ou ideais compartilhados que  
estão contidos na Representação Social de um grupo ou objeto social. As RS sobre o eue o outro’  
definem os papéis e as expectativas, sendo cruciais para a construção identitária.  
Ao compartilhar uma Representação Social, os indivíduos e grupos constroem um universo  
consensual, um senso de comunidade. As RS agem como normas que prescrevem comportamentos  
e justificam tomadas de posição, o que é vital para a coesão social. E isso cria o pertencimento, que  
é o compartilhamento de um sistema de significados sobre a realidade construída, garantindo a  
estabilidade das relações, a comunicação, formas de se relacionar, consolidando o meio social em que  
vivem.  
As Representações Sociais são a ponte entre o individual e o social, sendo o mecanismo  
psicossocial que permite aos sujeitos e grupos nomear, interpretar e agir no mundo, fundamentando,  
assim, seus processos de subjetivação, identidade e pertencimento.  
Da trava pessoal ao bloqueio social: a Teoria da Permissão  
A busca pelo crescimento, sucesso e bem-estar é frequentemente analisada pela ótica da  
capacidade e da disposição, ou seja, advém das competências/habilidades e motivação. Contudo, a  
Teoria da Permissão, de Elton Euler, propõe um terceiro pilar, muitas vezes ignorado: a permissão.  
Segundo Euler, o indivíduo pode possuir todas as competências e motivações necessárias,  
mas será limitado por barreiras internas (culpa, medo, dependência emocional) que configuram um  
bloqueio de permissão ou um teto invisívelpessoal.  
Argumentamos que o "bloqueio de permissão" individual não é meramente uma falha  
psicológica isolada, mas o resultado da internalização de Representações Sociais (RS) limitantes que  
criam padrões coletivos de estagnação e evitação, afetando a forma como o sujeito se vê e se permite  
avançar.  
A teoria de Euler (2022) se apoia na tríade: capacidade (conhecimento, habilidade ou recurso  
técnico); disposição (motivação, vontade ou estado emocional de prontidão para a ação); e permissão  
(a licença para ir além, para ser bem-sucedido, superando a dependência emocional, livre de  
sentimento de culpa ou medo). O bloqueio de permissão é o ponto de saturação onde as barreiras  
internas se ativam, impedindo o indivíduo de usar sua capacidade e disposição, gerando a  
autossabotagem e o fracasso repetitivo.  
A Teoria da Permissão enfatiza que o bloqueio é profundamente relacional, originado  
principalmente nas relações primárias (parentais) e carregado para a vida adulta, manifestando-se  
como dependência emocional, vitimismo ou medo e/ou vontade da vingança. O indivíduo está preso  
à percepção de que sua ascensão ou felicidade custará um vínculo importante.  
As Representações Sociais (RS) como construtoras do Teto Invisível’  
Se a Teoria da Permissão foca no indivíduo e suas relações, a Teoria da RS contextualiza essa  
trava no plano do conhecimento partilhado. O cerne da conexão reside na ideia de que as  
Representações Sociais fornecem o roteiro cultural para as proibições e obrigações, que são, então,  
internalizadas e codificadas como a falta de permissão em nível emocional e psicológico.  
Isso se dá pelos processos de ancoragem e da objetivação de Moscovici, explicitados a seguir:  
A ancoragem define o conhecido que justifica a trava, pois as Representações Sociais atuam  
como o mecanismo de ancoragem que sustenta a falta de permissão em categorias sociais  
preexistentes. Essas categorias são: a) A âncora da culpa: Mantida pela RS de que o sucesso individual  
é egoísmo ou que a prosperidade é desigualdade. O sujeito não se permite prosperar para não trair a  
representação de "solidariedade" ou para não ser punido pelo grupo.  
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b) A âncora do fracasso meritório: A RS do sofrimento redentorou da dificuldade digna’  
ancora o indivíduo na zona de conforto do insucesso. A pessoa se permite o fracasso, pois ele é  
socialmente mais aceitável ou justificável do que o risco de sucesso.  
A objetivação funciona como a materialização do bloqueio, uma vez que as RS objetivam o  
medo ou a culpa em figuras concretas que ativam o bloqueio de permissão, como, por exemplo:  
a) O Narcisista vingador, que pode ter como pano de fundo a narrativa midiática e social  
sobre relações tóxicas, objetivando o medo de romper a dependência e fazendo o sujeito acreditar  
que a "vingança" do outro é inevitável se ele buscar sua liberdade e/ou pode ser ativada na pessoa  
que viu-se cerceada, buscando a vingança pelo impedimento ocorrido.  
b) O Teto de vidrosocial, que aponta a RS do seu lugarsocialmente aceito que objetiva a  
ascensão. O sujeito, ao tentar "ganhar o dobro" ou "fazer uma viagem", “realizar um sonho”, pode  
ativar a RS da sua comunidade sobre "quem você é de verdade", gerando uma punição social implícita  
(inveja, desprezo etc.).  
A RS pode funcionar como fonte dos "não deves" e "não podes", pois a Teoria da Permissão  
lida com as travas emocionais ("Eu não me permito sentir alegria/ser bem-sucedido"). A TRS, por  
sua vez, explica a origem social desses "não deves", conforme exemplificado no Quadro a seguir:  
Proibição  
Social  
Representação  
Atuante  
Social  
Manifestação  
(Bloqueio)  
no  
Indivíduo  
(RS no Grupo)  
"Não ser demais"  
Inveja  
coletiva  
ou  
Medo  
da  
crítica  
e
isolamento;  
humildade obrigatória.  
autossabotagem para não "trair" o  
grupo.  
"Proibição  
emoção"  
da  
RS rígidas sobre papéis de  
gênero ou sociais.  
Bloqueio em sentir/expressar emoções  
não autorizadas; risco à identidade  
perante o grupo.  
"Sofrimento  
redentor"  
RS de que a dificuldade  
dignifica o sujeito.  
Âncora no fracasso; o sucesso é visto  
como algo "perigoso" ou "imoral".  
Quadro 2. Quadro comparativo: proibição, Representação Social atuante, bloqueio de permissão manifesto no indivíduo  
exemplificado. Quadro gerado com Google Gemini (Versão 1.5 Flash), em 13 de dezembro de 2026, atualizado  
em 27 de dezembro, mediante prompt específico fornecido pelo autor.  
A construção das comunidades que contribuem para o fortalecimento de  
teorias  
Se tomarmos a própria definição de representação social em diferentes autores, podemos  
antever como ela justifica a necessidade de teorias se sustentarem pela constituição de comunidades  
que partilham elementos em comum.  
Ao tomarmos como referência a visão de diferentes autores: Doise (1982,1990); Jodelet,  
(1989); Wagner (1998); Wagner & Elejabarrieta (1994), podemos trazer uma visão coletiva sobre a  
Representação Social. O quadro a seguir evidencia a ideia sobre essa visão em relação à RS.  
Definição de Representação social  
(...) é vista como um processo público de criação, elaboração, difusão e mudança  
do conhecimento compartilhado no discurso cotidiano dos grupos sociais.  
Autor/Ano  
Wagner,  
1998  
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(...) são socialmente construídas por meio de discursos públicos nos grupos (...) que  
lhe dão significado e realidade (...) É mais que uma imagem estática na mente das  
pessoas, pois compreende também seu comportamento e a prática interativa de um  
grupo  
Wagner,  
1998  
Wagner &  
Ejabarrieta,  
1994  
(...) são princípios geradores de tomadas de posição associadas às inserções  
específicas no conjunto das relações sociais e organizadores dos processos  
simbólicos que intervém em nossas relações sociais.  
Doise,  
1982, 1990  
(...) é uma forma de conhecimento socialmente elaborado e compartilhado, que tem  
como objetivos práticos e contribui para a construção de uma realidade comum a  
um grupo social.  
Jodelet,  
1989  
(...) são formas de conhecimento peculiares à realidade social, que emergem na vida  
cotidiana no decorrer da comunicação interpessoal e tem por objetivos a  
compreensão e controle do ambiente físico-social.  
De Rosa,  
1993  
Quadro 3 - Definições sobre Representações Sociais, autores e ano de publicação. Quadro elaborado pela autora.  
É importante também ressaltar as funções das Representações Sociais, dada por Abric (1998),  
que enfatiza a circularidade entre os elementos da teoria: a) Função de saber, que permite  
compreender e explicar a realidade; b) Função identitária, definidora da identidade, o que permite a  
proteção da especificidade do grupo; c) Função de orientação, pois guiam os comportamentos e as  
práticas; d) Função justificadora, pois permite à posteriori, a justificativa das tomadas de posição e  
dos comportamentos.  
Essa compreensão do que é e de como atuam as Representações sociais, permite afirmar que  
construir uma comunidade em torno de uma nova teoria é fundamental, tanto para dar-lhe  
sustentáculo, como para garantir a constituição de uma identidade e subjetividade que coadune  
valores e propósitos comuns, assim como alimente o pertencimento. Essa circularidade entre  
elementos da teoria, constituição de identidade e subjetividade e pertencimento é que sustenta a  
própria teoria e a ação dos membros de um grupo que a exercita e a defende.  
Por isso o direcionamento por construir uma comunidade, frente a um conhecimento novo  
é crucial e a TRS confirma essa necessidade para que o conhecimento se efetive e passe a circular de  
forma preponderante.  
É importante reconhecer que essa comunidade torna-se forte quando efetiva o Sistema  
Central das Representações Socias, que tem como apoio a função geradora e organizadora de  
significados, ligado à memória coletiva e história do grupo, sendo consensual, definindo a  
homogeneidade do grupo, estável, coerente e rígido, resistente à mudanças e pouco sensível ao  
contexto imediato, sendo protegida por um Sistema periférico que tem como funções a  
concretização, regulação e defesa, o que permite a adaptação à realidade concreta e diferença de  
conteúdo; permite a integração e histórias individuais, tolerante à heterogeneidade do grupo, flexível  
e tolerante às contradições, sendo evolutivo e sensível ao contexto imediato. Podemos entender que  
o Sistema periférico da Representações Sociais atua como protetor do Sistema Central e por isso a  
construção de um anova Representação Social vai sendo sustentada pela adesão aos novos elementos  
sem uma rutura sensível, que poderia repelir a RS de imediato.  
O Sistema Central da representação, rígido e resistente, protege a essência do grupo,  
enquanto o Sistema Periférico permite adaptações ao contexto.  
As Representações Sociais podem surgir como ruptura, mas ela vai se manter se constituir  
em torno de si uma comunidade, capaz de sustentar mudanças contínuas e ao longo do tempo  
construir uma nova realidade e que se retroalimenta pela constituição das Representações Sociais  
próprias do grupo, que pode ser representada pela ideia de um círculo virtuoso, como descrito por  
Guaragna (2009).  
À teoria da RS é assegurado um valor prático de captação de informações e de orientação  
para a ação, o que lhe confere importância enquanto processo e mediação da relação homem-mundo,  
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dando possibilidade a cada um em particular e de todos, em geral, analisar o processo e apropriação  
do mundo e de construção de si em contato com esse mundo.  
(...) tomaremos o conceito de Representação social no seu imbricamento com a  
vida cotidiana e com a formação de identidade, de onde poderemos apreender a  
relação indivíduo-mundo e o processo de assimilação e construção da realidade,  
que na relação com outros procuram entender a sua realidade, dando-lhe  
significações (Ponciano, 2001, p. 37).  
Pode-se inferir que em processos de desenvolvimento humano, a busca por auxílio, é uma  
busca por compreensão da realidade e a partir dela empreender mudanças que julgam necessárias  
para um bem viver. Os serviços de desenvolvimento prometem essa construção, mas evidenciam que  
para o intento uma “nova mentalidade” deve se acoplar às ações efetivas, ou seja, conhecimento deve  
gerar comportamentos e atitudes, o que evidencia uma necessidade de um indivíduo que age sobre o  
mundo e o modifica e se modifica por sua ação (Skinner, 1978).  
Se de um lado a autorresponsabilização seja um fato relevante, pois é a própria pessoa que  
se não autoriza, baseada em suas experiências e registros pessoais, ao permitir a dúvida, a zona de  
conforto, procrastinação  
e adiamento, por outro não se pode deixar de apontar a  
corresponsabilização como um fator que influencia a trajetória, visto que ao mesmo tempo que se  
estabelece a necessidade da ação individual, engendra no processo a necessidade de apoio no e do  
coletivo, evidenciada por comunidades que se assentam em valores/propósitos comuns.  
Isso reporta à importância da compreensão da TRS, pois sua função social orienta  
comportamentos e prepara para a ação, trazendo luz ao que, de fato, uma nova teoria propõe, sem  
com isso penalizar aqueles que sem direção assertiva, busca uma nova configuração para o seu  
desenvolvimento, inúmeras vezes frustradas, exatamente, por não se apropriar de novos elementos  
de forma saudável, sem apoio devido de uma comunidade, que lhe insira em novas possibilidades e  
perspectivas, para além de um caminho “errático” de buscas infrutíferas, pois essas entram em  
confronto com o universo em que vive, pautadas em representações daquele grupo de origem e de  
maior convivência, que pode expurgar outras formas de ser e agir. A comunidade pode ser fator  
preventivo na trajetória de desenvolvimento pessoal ao apoiar a autorresponsabilidade, ao mesmo  
tempo que faz circular novos aportes, valores e visão que a sustentam e que potencializam cada  
membro para ações mais assertivas.  
Quando Moscovici (1978) propôs a Teoria das Representações Sociais e admitiu  
que ela está vinculada a um sistema de valores, noções e práticas que permitem  
ao indivíduo formas de orientação no meio social e material a fim de dominá-lo,  
declarou a importância da compreensão de sua função social (Ponciano, 2001, p.  
37).  
Ao olhar para a Teoria da Permissão sob a análise das lentes da Teoria das Representações  
Sociais, busca-se compreender (...) a relação entre os macros sistemas sociais e o sistema cognitivo  
de indivíduos socialmente situados” Moscovici (apud Spink, 1993, p. 87), pois dessa compreensão  
pode-se derivar uma ação conscientemente situada e sustentável, ou seja, a superação do bloqueio  
exige uma reancoragem em comunidades que validem novos valores, transformando a trava social  
pela ruptura a partir de uma ação refletida e assumida.  
Refletir sobre nossas ações e sobre os contextos que nos cercam, abre espaço para uma  
compreensão maior diante de um mercado cada vez mais amplo de serviços de desenvolvimento  
humano. Novas pesquisas podem trazer luzes sobre como conceitos tornam-se populares e ancoram  
e objetivam a realidade.  
Para isso seria frutífero aprofundar como se dá a incorporação cultural no cotidiano, o que  
seria frutífero a partir das ideais de Spink, que defende que o cotidiano não é apenas um cenário  
passivo, mas o local em que a realidade é construída pelo papel da linguagem, apoiada numa tríade:  
cotidiano como espaço de produção; a linguagem em ação para dar sentido ao mundo e a mediação,  
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que reconhece como o cotidiano é mediado pelas instituições e como o sujeito dá sentido a ele nas  
suas interações. Para isso usar as dimensões de análise indicadas por ela, seria promissor: Filogênese  
(história dos conceitos da cultura), marcada como tempo longo; Ontogênese (trajetória de cada  
indivíduo e suas experiências sociais), marcada como tempo vivido; Microgênese (momento da  
interação, no qual se negociam os sentidos), marcado como tempo curto. A importância de tal estudo  
permite compreender como há a popularização de teorias e como elas se transformam em guia de  
conduta no cotidiano, criando uma realidade compartilhada. Aprofundar sobre a Teoria da  
Permissão, como processo psicossocial, à luz dos aportes teóricos de Spink (1993), pode trazer luzes  
sobre o fenômeno, inclusive para buscar bases científicas para consolidar conhecimentos e tornar  
perceptível como construímos discursos internos a partir das interações com em discursos externos  
(ciência, religião, mídia etc.) para justificar posicionamentos.  
Considerações finais  
A articulação entre a Teoria das Representações Sociais de Moscovici e a Teoria da Permissão  
de Euler permite compreender que o desenvolvimento do adulto contemporâneo não é um processo  
individualizado, mas um fenômeno profundamente situado em campos de força simbólicos. Conclui-  
se que o teto invisívelmaterializado no bloqueio de permissão nada mais é do que a objetivação de  
Representações Sociais limitantes que priorizam a coesão do grupo de pertencimento ou de uma  
coletividade globalizada em detrimento de uma trajetória singular.  
Evidenciou-se que a superação dessas travas subjetivas exige mais do que técnicas  
motivacionais isoladas; demanda uma reancoragem identitária. Para que o indivíduo rompa com as  
âncoras da culpa e do "fracasso meritório", é imperativo o pertencimento a comunidades que validem  
novos sistemas de significação. Essas comunidades funcionam como um ecossistema de suporte  
onde o Sistema Central da Representação Social é reconfigurado, permitindo que a "permissão" deixe  
de ser um esforço volitivo exaustivo para tornar-se uma nova forma coletiva de pensar, sentir, agir.  
Por fim, o discernimento diante do vasto mercado de serviços de desenvolvimento humano  
revela-se uma competência crítica. Compreender as dimensões da filogênese, ontogênese e  
microgênese, como proposto por Spink (1993), oferece um caminho promissor para pesquisas  
futuras. O desafio para o adulto contemporâneo reside, portanto, em identificar as vozes que  
compõem seu discurso interno e buscar, de forma consciente e ética, os espaços de interação que não  
apenas ofereçam ferramentas, mas que autorizem o sujeito a habitar e elevar sua própria potência  
dentro da realidade social.  
Referências  
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Submetido em mês de dezembro 2025  
Aprovado em mês de janeiro 2026  
Informações do (a) (s) autor(a)(es)  
Nome do autor: Vera Lúcia Oliveira Ponciano  
Afiliação Institucional: Universidade Santo Amaro (UNISA)  
Revista Científica Educ@ção v.11● n.17● jan-dez/2026 ●Demanda contínua.