dando possibilidade a cada um em particular e de todos, em geral, analisar o processo e apropriação
do mundo e de construção de si em contato com esse mundo.
(...) tomaremos o conceito de Representação social no seu imbricamento com a
vida cotidiana e com a formação de identidade, de onde poderemos apreender a
relação indivíduo-mundo e o processo de assimilação e construção da realidade,
que na relação com outros procuram entender a sua realidade, dando-lhe
significações (Ponciano, 2001, p. 37).
Pode-se inferir que em processos de desenvolvimento humano, a busca por auxílio, é uma
busca por compreensão da realidade e a partir dela empreender mudanças que julgam necessárias
para um bem viver. Os serviços de desenvolvimento prometem essa construção, mas evidenciam que
para o intento uma “nova mentalidade” deve se acoplar às ações efetivas, ou seja, conhecimento deve
gerar comportamentos e atitudes, o que evidencia uma necessidade de um indivíduo que age sobre o
mundo e o modifica e se modifica por sua ação (Skinner, 1978).
Se de um lado a autorresponsabilização seja um fato relevante, pois é a própria pessoa que
se não autoriza, baseada em suas experiências e registros pessoais, ao permitir a dúvida, a zona de
conforto, procrastinação
e adiamento, por outro não se pode deixar de apontar a
corresponsabilização como um fator que influencia a trajetória, visto que ao mesmo tempo que se
estabelece a necessidade da ação individual, engendra no processo a necessidade de apoio no e do
coletivo, evidenciada por comunidades que se assentam em valores/propósitos comuns.
Isso reporta à importância da compreensão da TRS, pois sua função social orienta
comportamentos e prepara para a ação, trazendo luz ao que, de fato, uma nova teoria propõe, sem
com isso penalizar aqueles que sem direção assertiva, busca uma nova configuração para o seu
desenvolvimento, inúmeras vezes frustradas, exatamente, por não se apropriar de novos elementos
de forma saudável, sem apoio devido de uma comunidade, que lhe insira em novas possibilidades e
perspectivas, para além de um caminho “errático” de buscas infrutíferas, pois essas entram em
confronto com o universo em que vive, pautadas em representações daquele grupo de origem e de
maior convivência, que pode expurgar outras formas de ser e agir. A comunidade pode ser fator
preventivo na trajetória de desenvolvimento pessoal ao apoiar a autorresponsabilidade, ao mesmo
tempo que faz circular novos aportes, valores e visão que a sustentam e que potencializam cada
membro para ações mais assertivas.
Quando Moscovici (1978) propôs a Teoria das Representações Sociais e admitiu
que ela está vinculada a um sistema de valores, noções e práticas que permitem
ao indivíduo formas de orientação no meio social e material a fim de dominá-lo,
declarou a importância da compreensão de sua função social (Ponciano, 2001, p.
37).
Ao olhar para a Teoria da Permissão sob a análise das lentes da Teoria das Representações
Sociais, busca-se compreender “(...) a relação entre os macros sistemas sociais e o sistema cognitivo
de indivíduos socialmente situados” Moscovici (apud Spink, 1993, p. 87), pois dessa compreensão
pode-se derivar uma ação conscientemente situada e sustentável, ou seja, a superação do bloqueio
exige uma reancoragem em comunidades que validem novos valores, transformando a trava social
pela ruptura a partir de uma ação refletida e assumida.
Refletir sobre nossas ações e sobre os contextos que nos cercam, abre espaço para uma
compreensão maior diante de um mercado cada vez mais amplo de serviços de desenvolvimento
humano. Novas pesquisas podem trazer luzes sobre como conceitos tornam-se populares e ancoram
e objetivam a realidade.
Para isso seria frutífero aprofundar como se dá a incorporação cultural no cotidiano, o que
seria frutífero a partir das ideais de Spink, que defende que o cotidiano não é apenas um cenário
passivo, mas o local em que a realidade é construída pelo papel da linguagem, apoiada numa tríade:
cotidiano como espaço de produção; a linguagem em ação para dar sentido ao mundo e a mediação,
Revista Científica Educ@ção v.11● n.17● jan-dez/2026 ●Demanda contínua.