RCE
REVISTA CIENTÍFICA EDUC@ÇÃO
ISSN 2526-8716
Dos Reis et al (2019) também se utilizam da aplicação de questionários semiestruturados para
analisar o ensino formal de ciências em espaços não formais, focando a pesquisa em 5 docentes do ensino
fundamental II de Boa Vista, Roraima.
Observou-se nessa pesquisa que, no campo amostral analisado, os professores consideram que a
utilização de espaços não formais para o estudo das ciências complementam o processo de ensino e
aprendizagem. As práticas educativas em espaços não formais possibilitam relacionar conteúdos abordados
em sala de aula com a realidade além do espaço escolar (Reis et al., 2019). Verificou-se que, apesar de não
apresentarem clareza na conceituação de espaços não formais, os professores percebem a importância desses
espaços como ferramenta colaborativa para o aprendizado do educando.
Como dificuldade principal para a utilização dos espaços não formais no estudo das ciências, os
professores envolvidos na pesquisa mencionaram a questão logística, financeira e falta de apoio
administrativo escolar (Reis et al., 2019).
Araujo (2021) desenvolveu uma pesquisa bibliográfica para caracterizar estudos que explorassem
atividades de estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA) em espaços não formais. Nessa pesquisa,
o autor argumenta que o espaço não formal é utilizado por diversos públicos na educação formal, incluindo
a Educação de Jovens e Adultos. Entretanto, o estudo não apresenta quais foram as práticas educativas, os
conteúdos ou os métodos utilizados nos espaços não formais pela EJA. Araujo (2021) conclui que a EJA
também tem sua vivência utilizada para confrontar os mais diversos saberes no âmbito educacional.
O trabalho desenvolvido por Da Silva et al (2022) foca no potencial interdisciplinar que os espaços
não formais institucionais podem propiciar às práticas educativas, considerando museus de ciências e
história natural como caso de estudo.
Apesar de Da Silva et al (2022) conceituar a educação não formal diferentemente do presente
trabalho ao considerar que: “a educação não-formal é definida como a educação que acontece fora do
ambiente formal de ensino, ou seja, fora do ambiente escolar.” O artigo traz menções diretas de como
professores da educação formal podem utilizar museus de ciências e história natural para desenvolver
atividades interdisciplinar, ou seja, como a educação formal pode se utilizar de espaços não formais
institucionais para aprimoramento da abordagem interdisciplinar das disciplinas do currículo comum.
Como exemplo das práticas propostas por Da Silva et al (2022) para aplicação de abordagens
interdisciplinares, vale destacar as exposições de ciências naturais em museus, que podem ser palco para a
condução de discussões sobre biodiversidade, zoologia e ecologia. Possibilitando que o docente trabalhe os
conceitos de cadeia alimentar, equilíbrio ecológico, função ecológica, espécies de importância medicinal,
espécies vetores de doenças, espécies polinizadoras e dispersoras de sementes, processos evolutivos entre
outros.
Da Silva et al (2022) enfatizam através de revisão bibliográfica a importância da interdisciplinaridade
para uma educação emancipatória e fundamentada em problemas reais, nesse sentido, os autores se alinham
à BNCC que propõe uma educação transversal e integradora, conforme citado em um de seus 10 planos de
ação para a aprendizagem:
Decidir sobre formas de organização interdisciplinar dos componentes curriculares e
fortalecer a competência pedagógica das equipes escolares para adotar estratégias mais
dinâmicas, interativas e colaborativas em relação à gestão do ensino e da aprendizagem
(Brasil, 2017, p. 12).
A Tabela 2 sumariza as principais características dos estudos analisados na presente pesquisa, nota-
se que as pesquisas utilizaram como metodologia ou a revisão bibliográfica (50% dos estudos) ou a análise
qualitativa através de aplicação de questionários semiestruturados (50% dos estudos). A definição dos
espaços não formais foi bem heterogênea, sendo que uma dentre as quatro pesquisas não definiu em qual
tipo de espaço não formal ela trabalhou, Dinardi, Feiffer e Felippelli, (2018) trabalharam com foco em uma
praça pública e Da Silva et al (2022) com foco em museus de ciências e história natural.
Por fim, 3 dos 4 estudos apontaram alternativas para a realização das atividades educacionais em
espaços não formais, auxiliando assim com a ideia de Chaves et al (2016), que propõem que os professores
precisam conhecer, compreender, operacionalizar atividades escolares em diferentes espaços de forma a
enriquecer o processo de ensino e de aprendizagem dos educandos.
Tabela 2: Resumo das Características e Contribuições dos Estudos Analisado
Revista Científica Educ@ção v.11● n.17● jan-dez/2026 ●Demanda contínua.